1. Para a escola. Todos os anos, por esta altura, parecemos ser engolidos pelo Regresso às Aulas – e todas as dificuldades e contratempos que isso implica.

1, 2, 3 Vamos lá outra vez!

Na escola, são as preocupações com a organização de horários, com o acolhimento e integração dos novos professores, o desdobramento dos poucos recursos humanos em 1001 tarefas, o integrar as últimas directrizes do Ministério e pô-las em prática. E, como se não bastasse, pode acrescer a tudo isto, as preocupações individuais de quem, diariamente, tem como função ensinar: agressividade, indisciplina, educação, cumprir horários, zelar pelo equipamento escolar e, idealmente, ter um sexto sentido para orientar o que se passa dentro de cada criança.

Em casa, os pais esticam o orçamento para conseguir pagar os manuais, substituir sapatilhas, comprar cadernos e, com sorte, mochila nova e, ainda, manter as despesas mensais. Têm de reorganizar agendas para conciliar horários e transportes, preocupam-se com os almoços e com a inscrição nas actividades de tempos livres, antecipam resultados escolares e relacionamentos com colegas e professores.

Os alunos oscilam entre os bons reencontros e a ansiedade de voltar a passar por experiências dolorosas. Com sorte, os primeiros superam os segundos. Se isso não acontecer, temos crianças infelizes, a acordarem de madrugada ao Sábado e ao Domingo – para não perderem os desenhos animados – enquanto, aos dias de semana, só arrastados é que saem da cama.

2. Na verdade, cada vez mais, na escola e em casa, se assiste a um verdadeiro tormento, com o início das aulas. A escola é, agora mais do que nunca, vista como uma espécie de Cabo das Tormentas que a cada ano temos que dobrar. A tormenta dos orçamentos geridos ao milímetro para que tudo funcione, a tormenta da falta de recursos para que se tutelem as crianças como – na minha opinião, erradamente – o Ministério tem vindo a exigir, a tormenta dos manuais, a tormenta dos horários, a tormenta das actividades extracurriculares e explicações, a tormenta do bullying. Enfim, não há caravela que resista.

Será que alguma vez vamos voltar a olhar para a escola como um cabo, que mesmo sendo difícil de dobrar, seja um Cabo da Boa Esperança que, em cada ano, nos leva a novos mundos e novos conhecimentos e ao qual não receamos regressar?

3. Eu – convictamente – acredito que sim. As escolas são agora, mais acolhedoras do que alguma vez foram. Os alunos, cada vez mais, não aceitam professores e exigem educadores: daqueles que ensinam com bons exemplos e não com bons conselhos. Os professores estudam mais, são mais sensíveis, e criam relações mais verdadeiras, menos submissas ainda que, de respeito. Por isso, sim. Acredito que sim. Tenhamos todos – pais, professores e alunos – a capacidade de acreditar que o mundo é redondo e que vale a pena navegar. O desconhecido só mete medo quando não temos conhecimento para o compreender. E aí, a escola é o local aonde tudo se pode aprender.

Carolina Veiga
Psicóloga
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