Casa de Sousa Mendes

Primeiras obras na casa de “do Schindler português” prontas até final do ano

As obras de recuperação da Casa do Passal, que pertenceu ao cônsul Aristides de Sousa Mendes, conhecido como “Schindler português”, devido aos judeus que salvou do holocausto, estão “a decorrer normalmente”, prevendo-se que fiquem “concluídas até ao final do ano”, disse a directora regional de Cultura do Centro, Celeste Amaro.

“Estão a decorrer normalmente, dentro dos prazos estipulados, e deverão estar concluídas até ao final do ano”, explicou Celeste Amaro Em declarações à agência Lusa, recordando que o Governo só assumiu a primeira fase das obras de recuperação da casa que é pertença de uma fundação privada (Fundação Aristides de Sousa Mendes). “O Governo assumiu a primeira fase e uma segunda depois logo se vê. Para já, esta primeira fase ainda nem está terminada”, realçou.

As obras de recuperação da Casa do Passal, situada em Cabanas de Viriato, concelho de Carregal do Sal, tiveram início a 28 de maio, tendo por objectivo a sua pintura exterior, reconstrução da estrutura da cobertura e recolocação dos respectivos revestimentos, reconstrução das janelas e substituição das caleiras e tubos de queda.

Esta obra, num edifício classificado como Monumento Nacional desde 2011, representa um investimento de 336 mil euros, 85 por cento dos quais provenientes de fundos comunitários (programa Mais Centro) e os restantes de fundos nacionais colocados pela Direcção Regional de Cultura do Centro.

Luís Fidalgo, elemento do conselho de administração da Fundação Aristides de Sousa Mendes, congratulou-se com a constatação visível das obras e apontou a necessidade de se preparar uma segunda fase, que contemple o interior da casa construída no século XIX e aumentada em 1920 pelo casal Angelina e Aristides de Sousa Mendes.

“Já tivemos algumas reuniões, uma última na semana passada, e chegou-se à conclusão óbvia de que é preciso fazer o projecto da segunda fase das obras. É necessário desencadear mecanismos, convocar pessoas das áreas da história e arquitectura, com o intuito de se construir uma ideia para se passar para a fase da elaboração do projecto”, sustentou.

De acordo com Luís Fidalgo, sem esse projecto não é possível recorrer a qualquer candidatura, admitindo ainda que a Fundação Aristides de Sousa Mendes não tem possibilidades de suportar estudos técnicos para a elaboração do projecto para a segunda fase. “Decidiu-se contactar a Sousa Mendes Foundation dos EUA para se apurar o valor recolhido para a reconstrução da casa e já encetámos alguns contactos para a elaboração do projecto. Já houve ideias e até projectos quase elaborados que vamos desenvolver e actualizar”, acrescentou.

O presidente da Câmara de Carregal do Sal, Rogério Abrantes, apontou o agrado com que a autarquia e população estão a ver o curso das obras na Casa do Passal, que é um ponto de referência para todo o concelho. “A casa estava a cair e já se pode ver que está a consolidar-se. Quando estiver pronta, acreditamos que vai trazer muitas pessoas ao concelho”, referiu.

Um dos netos do antigo cônsul de Bordéus, António Moncada, revelou que esteve há poucos dias em Cabanas de Viriato para ver a evolução das obras, que até agora têm sido de “consolidação das estruturas”. “Segue-se a parte do telhado e posteriormente das janelas, não sei se todas. Com esta realidade no terreno, estamos confiantes e com esperança de que a dignidade seja devolvida à Casa do Passal”, concluiu.

Aristides de Sousa Mendes nasceu no Carregal do Sal, Cabanas de Viriato, a 19 de Julho de 1885 e foi cônsul de Portugal em Bordéus no ano da invasão da França pela Alemanha Nazi na Segunda Guerra Mundial. Sousa Mendes desafiou ordens expressas do ditador António de Oliveira Salazar e durante cinco dias concedeu milhares vistos de entrada em Portugal a refugiados de várias nacionalidades que desejavam fugir da França em 1940. Por muitos considerado um herói, Aristides de Sousa Mendes terá salvado dezenas de milhares de pessoas do Holocausto. Chamado de “Schindler português”, Sousa Mendes também teve a sua lista e salvou a vida de milhares de pessoas, das quais cerca de 10 mil judeus.

Foto: amigosdesousamendes.blogspot.com

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