2008 promete ser um interessante ano politico. É o ano anterior ao triplo acto eleitoral de 2009, onde vamos ter eleições legislativas, autárquicas e europeias. É um ano decisivo para a vida política nacional e local. É o ano fundamental.

2008

No panorama nacional, Sócrates vai ter que provar que o seu discurso e prática política não são só arrogância, prepotência e marketing político. É agora preciso demonstrar aos portugueses que todos os sacrifícios pedidos não caíram em saco roto. Atestar e explicar ao país que a economia está de facto a crescer, que a reforma da saúde é viável e não representa diminuição da qualidade do serviço e que o desemprego está a diminuir. É ainda o ano em que é necessário apontar a solução Ota ou Alcochete, desembaralhar a crescente confusão e descrédito da justiça nacional e esclarecer se a promessa de reforma da administração pública é ou não para cumprir.

2008 é o ano político em que o actual governo vai ter que apresentar resultados. O ano em que o discurso agressivo e matraqueado já não vai colar, em que a promessa de dias melhores para justificar as dificuldades presentes já não chega. É este o ano em que vamos conhecer a fibra do governo, perceber se o tempo já passado não foi uma grande farfalha com poucos ou nenhuns resultados.

Para mim tenho que 2008 vai ser o ano da desilusão popular em relação à acção governativa. O ano em que os portugueses vão perceber que tudo está na mesma e caminha para pior. O ano em que todos vamos descobrir que este governo apenas tentou equilibrar as contas públicas pelo lado da receita, aumentando taxas e impostos, e nunca pelo lado da despesa, reduzindo gastos exagerados e supérfluos. O ano em que vamos constatar que muito do prometido não passou disso mesmo, de uma promessa. O ano em que todos daremos conta de que o Plano Tecnológico, a ajuda às pequenas e médias empresas, a criação de 150 mil postos de trabalho, o crescimento da economia a 3% ao ano, a consolidação orçamental, o retirar da pobreza 300 mil idosos, a definição do traçado do TGV, a redução para metade do insucesso escolar, a qualificação do investimento público, a existência de um novo processo orçamental, a modernização da administração pública, a sustentabilidade da segurança social, a aposta em políticas de família, a existência de uma política de imigração inclusiva, a aposta na melhoria do ordenamento do território, o combate à criminalidade e muito mais não vai ser feito pelo actual governo. Mais, vamos perceber que a promessa de Sócrates em ter tudo isso feito até 2009 não passou de mais um número televisivo, mais uma aposta no lema de que o que interessa não é fazer, mas antes dar a sensação de que se está a fazer.

No panorama local, não estou certo que as coisas sejam como no outro dia as apresentava Henrique Barreto num dos seus editorais, onde afirmava que a política local estava presa e condicionada pelas eleições internas do PSD. Não me parece. Esse acto eleitoral acabará por contar pouco. Ganhe um ou outro candidato, o facto parece-me irrelevante para as contas eleitorais de 2009. Ou a liderança nacional do PSD já percebeu a gravidade da situação e obriga a um acordo entre as duas facções no sentido de que quem ganhar a próxima disputa interna escolhe o candidato à Câmara Municipal e a outra facção apoia, o que me pareceria inteligente no melhor interesse do partido. Ou, como acho que acabará por acontecer, ganhe quem ganhar o acto eleitoral interno do PSD, vamos ter dois Partidos Sociais-democratas nas eleições de 2009. Logo, o acto interno do PSD só servirá para escolher a candidatura oficial o que, por si só, não tem, ou melhor, não devia ter força para condicionar a vida política local.

O que tem e deve condicionar a política local em 2008 é que, seja qual for o candidato do PSD em 2009, uma coisa é certa, valerá sempre menos do que o actual Presidente da Câmara nas últimas autárquicas. Esse é o único facto que deve ser retido pelos restantes partidos locais: o facto de que o PSD dividido vale menos, de que o PSD em 2009 estará sempre divido e que a oportunidade de ganhar terreno é melhor e mais provável do que nas últimas eleições. É sobre essa realidade que a política local deve caminhar em 2008.

Luís Lagos
Jurista

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