António Lopes

“Argumentando não há problema que não se resolva”. Autor: António Lopes

Lendo a argumentação do nosso executivo Municipal, lembra-me a celebre expressão: “Argumentando, não há problema que não se resolva”..! O problema é quando se passa à prática.

Por estas bandas, já só a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital cobra taxa de IRS. Sobra Seia que, por problemas antigos, está obrigada, legalmente, a ter de o fazer. Mas, nos “altifalantes Municipais”, não há gestão comparável com a nossa (concordo, são todas melhores). Aqui está o supra-sumo da governação. Somos os melhores de tudo. Até somos a “cidade da moda”. Talvez, quem sabe?

De tão sisuda e avisada, não deve, paga dívidas, apoia os necessitados, é tudo democrático e transparente. Risos e sorrisos, afabilidades, tudo de fazer render os mais cépticos, incrédulos e recalcitrantes. Às vezes, e eles esforçam-se bem para que me convença, até fico a pensar se não sou mesmo o ressabiado e mal dizente que eles apregoam. Entretido com os meus botões a “cogitar e meditar nestas eventualidades” chega-me a documentação da próxima Assembleia Municipal. Estou longe, vem pela internet, nunca é como em papel e, ainda não tive tempo de imprimir. Mas já deu para saltarem duas ou três “das grossas”.

A primeira é a patranha desta justificação. Então, gastam cinquenta mil euros com o apoio ao ensino superior das famílias carenciadas. Com a natalidade, depois de tanto zumbirmos aos ouvidos, lá subiram alguma coisa, mas não passam muito dos cem mil. Andavam pelos quarenta e cinco. Aos necessitados, para darem cem euros, têm que fazer trinta horas de trabalho comunitário. As famílias carenciadas são apoiadas em géneros alimentícios, com as multas do tribunal, donativos dos cidadãos e recolha nos supermercados. Isto lhes tenho dito em todos os orçamentos. Mas, a esse, voltarei amanhã ou depois. Para dizer que em apoios sociais gasta este executivo cerca de 50 por cento do que cobra no IRS. Os outros 50 por cento, digo eu, mas não chegam, são para as festas e festinhas que, directamente ou através das juntas, se gastam nas febras vinho e entremeada. Não há festa neste concelho que não tenha comes e bebes. Quem paga? Uma “incógnita”. Como costumo dizer, antigamente, faziam-se festas para arranjar dinheiro. Agora, fazem-se se houver subsídios e, quando muito, arranjam-se votos. Mas estes últimos, pelo que tenho ouvido ultimamente, são capazes de sair pela “culatra”.

Este executivo podia, mas não quer eliminar a taxa de IRS. Este executivo podia, mas não quer ter outra política no abastecimento de água, recolha de lixo e tratamento de água onde veio buscar mais de meio milhão/ano aos Oliveirenses. Quando provamos isto, quando queremos discutir, baralham os números, ARGUMENTAM, ARGUMENTAM, mas nem os próprios números acertam e não são capazes de os explicar. Nas taxas do IMI é a mesma coisa. Lá vão indo, a reboque dos vizinhos, mas sempre de forma mais tímida. Actualmente menos cinco por cento que os demais nos apoios a famílias numerosas.

E tudo isto porquê e para quê? Usam e abusam do gosto e tradição dos Oliveirenses nas suas festas locais. Festas, festas, bola, bola. Um concelho com 20 mil habitantes tem três campos relvados. Gasta-se em futebol e apoio ao mesmo, praticamente o mesmo que em toda a educação. Desafio o executivo e os seus apoiantes a contrariarem com números aquilo que afirmo.

Em vez de uma política racional e de esclarecimento, em vez de se pugnar pela cultura, ensino, desenvolvimento de uma forma mais eficaz e efectiva, opta-se por gastos anormalmente altos e desproporcionais. Basta que daí se conclua que por aqui se colhem mais votos. E já nem falo na vergonha do que se passa na BLC.

Como de costume, mandaram, hoje, os últimos documentos para a Assembleia. São carradas de papel, sem qualquer esclarecimento ou discussão prévia. O objectivo é: pouca discussão e muita aprovação. E vão conseguindo. Quem é que consegue ler tudo? E quem percebe a maior parte das coisas, se não há qualquer esclarecimento ou discussão? Confrange assistir e participar nestas assembleias. Bem me esforcei por ir alterando este estado de coisas. Os resultados são conhecidos (Como diria Salazar: “Está muito bem assim e nem podia ser de outra maneira”)!

O ano passado disse, por esta altura, que era o orçamento dos “outros e outras”. Como disse, voltarei a este assunto. Nas diversas rubricas, entre “outros e outras”, não sei o que isso seja, estão orçamentados mais de seis milhões de euros de despesa e mais de quatro milhões de receita. Com tanto “outros e outras” o orçamento dá para tudo..! O caricato é que chegam a haver rubricas de cem euros..! Como há um “outras” de 2 800 000 00 euros. Como é que se orçamentam tantas “outras”? E como é que não se sabe que “outra” é que gasta 2 800 000 00 euros? (Dois milhões e oitocentos mil euros, quando não se sabe onde gastar cem..!!!???). Na aprovação das contas, em Abril, bem tentei que colocassem os mapas com estas colossais patranhas. Não colocaram. Não me responderam. Sai porta fora…

Mas, o motivo deste escrito, é o relatório dos Senhores auditores. Há anos que vêm fazendo a ressalva de que o inventário não é controlado. Já disse na AM, que com este expediente , os resultados, lucros ou prejuízos, serão, sempre, aqueles que se quiserem. Basta valorizar ou desvalorizar o Stok. Como o Stok não é controlado, vale tudo, e está sempre certo..! A este propósito, convém lembrar as recomendações da Inspecção Geral de Finanças, na última auditoria à Câmara, que abrangeu ainda, parte do mandato do executivo anterior (a que o Senhor Presidente diz que pediu, dessa, ainda não tenho notícia). No sentido de ser implementado um sistema de banco de dados para selecção e melhoria de preços e para ser implementado o controle de Socks, compras etc.

O Município até contratou uma pessoa para ir resolver o assunto. Só que, alguém “deve ter alertado” que era melhor deixar o Stok em paz…A pessoa lá foi para a rua e consta-me virou um dos piores “inimigos”. Parece que com queixas reciprocas em tribunal. Depois, são as lonas pelo dobro, são os geradores por cinco vezes mais etc. etc. O estranho é a passividade e cumplicidade da quase generalidade da Assembleia Municipal, neste e outros casos semelhantes. Para vosso conhecimento, deleite, e informação de como esta gente trabalha, deixo-vos o relatório dos auditores. Nele se pode ver não só o que acabo de dizer, mas outra reserva de uma outra luta minha, o processo de gestão dá água, esgotos e resíduos sólidos. Por lá anda um milhão e muito que se calhar nunca mais recebemos por causa dum daqueles “bicos de pés” tão comum no nosso presidente e que tanto tem prejudicado, como é o caso dos ICs e dos médicos” “Falam, falam, falam”. Depois, sai asneira e dá recuos!

António LopesAutor: António Lopes

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