O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital está tão “refinado” no discurso político, que por vezes até eu fico algo baralhado.

35 anos depois…

Quando o ouço falar, em lugares públicos, lembro-me sempre daquela célebre frase de Friedrich Nietzsche:

 “Quem conta uma mentira raramente se apercebe do pesado fardo que toma sobre si; é que, para manter uma mentira, tem de inventar outras vinte”…

Penso que neste momento – e dadas as circunstâncias do actual cenário político local –, o autarca que governa Oliveira do Hospital carrega precisamente esse fardo invocado na célebre frase de Nietzsche. Quando se sente acossado, tem necessidade de “inventar”. Pois, como um dia escreveu o psicólogo clínico Rui Manuel Carreteiro, a mentira não só pode surgir “quando tememos que a verdade traga consequências negativas”, como também quando “o exterior nos pressiona” e existe a percepção de que “se mentir traz ganhos, vale a pena mentir para que se fique em vantagem em relação aos que dizem a verdade”.

Vem este intróito a propósito de uma declaração – poderia falar de tantas e tantas outras – que Mário Alves produziu na última Assembleia Municipal, realizada na véspera do 25 de Abril. “Em democracia ganha-se e perde-se. É preciso saber ganhar e saber perder. Alguns não sabem perder”, disse, com convicção – como convém –, o autarca do PSD.

Como um dia disse o El Libertador Simon Bolívar, “a arte de vencer aprende-se nas derrotas”. E, por isso, a minha pergunta é a seguinte: o que é que Mário Alves aprendeu com a derrota sofrida nas eleições internas do PSD, na Primavera de 2006? Aprendeu a táctica que o Artur Jorge quis aplicar no mundo do futebol, quando defendeu que a “melhor defesa é o ataque”.

Foi assim que Alves se defendeu. Atacou tudo e todos, e criou um clima de medo, ódio e vingança. A seguir à derrota, o PSD local – já lá vão mais de três anos – nunca mais teve descanso.

Quem estiver de boa fé na política e quiser colocar os factos acima da pequenez mental que tanto tolhe o raciocínio, sabe que é assim.

Não sei como é que o protagonista escrutinado neste editorial – não tenho o divã de Freud – , aparece ainda na mesma Assembleia a afirmar que ninguém lhe dá “lições de moral sobre liberdade ou democracia”. Pois é pena, porque o saber não ocupa lugar, e o presidente da Câmara é uma figura com muito pouca cultura democrática. Não sei onde estava no 25 de Abril de 1974, mas sei onde e como está… 35 anos depois da Revolução dos Cravos.

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