A afirmação das mulheres pelos negócios

A presença das mulheres em lugares cimeiros é, agora, mais frequente. Mas será suficiente?

Embora com reconhecida apetência para a realização de tarefas de forma mais eficaz e organizada, a mulher continua a surgir em menor número. Tome-se o exemplo da política, onde foi necessário legislar – lei da paridade – no sentido de assegurar a representação mínima da mulher. Também, em outras áreas, os regulamentos de admissão de funcionários deveriam ser orientados por lei semelhante e não discriminatória, para impedir a concentração de apenas um dos sexos em determinadas actividades.

Olhe-se para o caso concreto dos altos cargos administrativos das empresas. Embora, apoiados por competentes secretárias, são os homens que dominam, dificultando na maioria das vezes a ascensão das que, estando a seu lado, asseguram efectivamente o cumprimento dos objectivos que o lugar exige.

Não é preciso ir muito longe, para se constatar a ainda dura realidade que chega a colocar reservas no que respeita à competência das mulheres par ocupar lugares de chefia e de tomada de decisão.

Num inquérito realizado em Oliveira do Hospital, numa amostra de 61 mulheres, escolhida aleatoriamente, a conclusão imediata a que chegou o grupo do Projecto Criativa – Negócios no Feminino, foi de que 82 por cento das mulheres trabalham por conta de outrem e apenas 18 por cento, por conta própria. Se se tiver em consideração que 40 por cento frequentou o ensino secundário e 26 por cento tem um curso superior, poderá também aferir-se da preocupação que a mulher manifesta em apostar na sua própria formação. Os resultados do inquérito surpreenderam também, pela positiva, ao revelarem que 95 por cento das mulheres são facilitadas pela respectiva entidade patronal no que respeita à conciliação da vida familiar. Inserem-se neste domínio as dispensas e até a articulação de horários, sendo que também 89 por cento das inquiridas negou a existência de discriminações em local de trabalho.

A crescente afirmação das mulheres na sociedade poderá justificar os resultados obtidos, mas será também sinónimo de uma vida cada vez mais turbulenta para o então designado “sexo fraco”. É que para ocupar o seu lugar no mercado de trabalho, a mulher não deixou de ser mãe, nem esposa e muito menos dona de casa. Triplicam as tarefas e tudo depende do suporte familiar e social com que cada mulher pode contar. E acima de tudo, surge o elemento por demais evidenciado na formação do Projecto Criativa – Negócios no Feminino: a ATITUDE.

Se, afinal, querer é poder, o que é que continua a faltar à mulher? Sabe-se de antemão que as frases feitas e os designados lugares comuns não passam de meras palavras lançadas ao ar, mas não pode o sexo feminino passar uma vida inteira sob os desígnios do sexo oposto, por causa dos receios que tendem a duplicar, em face de uma sociedade que padece da enfermidade económica. Asseguram os entendidos que, esta é a melhor altura para correr riscos. Mas, devem as mulheres seguir o exemplo das mulheres guerreiras, as amazonas, que lutavam para conquistar território para se instalar e até fabricavam as próprias armas?

Actualmente, e seguindo as orientações da “Estratégia de Lisboa”, a igualdade de género deverá ser respeitada e fomentada em todas as áreas da nossa sociedade, promovendo a ascensão das mulheres a lugares até há pouco inalcançáveis, promovendo a sua participação em ocupações maioritariamente asseguradas por homens, mas também promovendo o oposto, dando oportunidade aos homens de se afirmarem em ocupações maioritariamente dominadas por intervenções femininas – porque, em determinadas situações, a desigualdade existe para os dois lados.

No entanto, falando de negócios, a mulher tem que assumir a sua iniciativa e afirmar-se como potencial empresária, uma vez que possui todas as características para o ser, tal como o homem já o é desde que existem os empresários.

Não deixamos de, no final deste artigo de opinião, lançar a seguinte questão: até que ponto quererão as mulheres ser guerreiras (no alcance de uma vida melhor, entenda-se) e deixar as suas capacidades e características assumir o comando das operações rumo ao risco e à incerteza, mas também à independência e desafio que os negócios pressupõem? Será que estão dispostas a abandonar uma sociedade tão penalizadora como protectora, em troca de uma sociedade que as coloca no mesmo patamar do sexo masculino, sujeitas às mesmas comodidades, mas também às mesmas adversidades e exigências?

Projecto Criativa – Negócios no Feminino
(Anabela Simões, Andreia Prata, Carla Tavares, Joana Carvalho, Liliana Lopes, Liliana Santos, Liliana Seixas, Marta Nunes, Sara Pais, Teresa Fernandes )

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