A A.S.A.E. nasce da junção de vários serviços do Estado dispersos pelo Ministério da Economia e da Agricultura,

A ASAE

que tinham como objectivo defender os interesses dos consumidores. Esses organismos não funcionavam, a lei não era cumprida e a promiscuidade sobrepunha-se muitas vezes aos interesses dos consumidores.

Quando estava na política activa, fui sempre um feroz defensor da criação de uma única agência de fiscalização que fosse responsabilizada pelo cumprimento da lei.

As tecnologias, o conhecimento científico e a produção intensiva evoluíram imenso e tudo chegava ao consumidor sem fiscalização rigorosa pondo em risco muitas vezes a saúde publica e interesses económicos legítimos.

As intoxicações alimentares, as salmonelas, as dioxinas, as vacas loucas, os antibióticos nas rações, os pesticidas, a falta de higiene, a venda de gato por lebre, a contrafacção, etc., etc. são factores que surgem com frequência e que põem em risco a saúde publica ou lesam interesses de todos nós. È pois de aplaudir e saudar o aparecimento de um organismo em que possamos confiar e responsabilizar.

Então qual o motivo porque tal agência se tornou tão controversa? Em primeiro lugar porque é difícil para a mentalidade imobilista, irresponsável e individualista nacional que para defender o interesse de todos nós, o Estado seja obrigado a fiscalizar com rigor o desleixo de uns tantos.

Em segundo lugar porque passar de oito para oitenta é um salto que o conservadorismo nacional não compreende. Em terceiro lugar, o cumprimento da lei, para alguns, não faz parte da cultura nacional. Em poucos meses cantinas escolares, hospitais, restaurantes de luxo, grandes superfícies, tascas, discotecas, feiras públicas, etc. saltaram para as páginas dos jornais. Num País em que o faz de conta e o dizer mal são as duas grandes criações nacionais, não é de admirar a polémica à volta da A.S.A.E.

É obvio que o Presidente devia ser um pedagogo, um relações públicas que fosse capaz de transmitir aos cidadãos uma cultura de cumprimento da lei em nome dos superiores interesses dos consumidores, mas infelizmente, aparece como um general à frente de um exército colocando-se na posição de quero, posso e mando.

A A.S.A.E., pela sua função de extrema importância para todos nós não pode criar anticorpos junto da população que ela serve. O apelo constante deve ser o da colaboração dos agentes económicos na defesa dos interesses comuns. Hoje, a segurança alimentar é de uma importância extrema. Qualquer pequeno descuido poderá criar graves problemas à saúde. Não é por acaso que um boi, uma ovelha ou uma maçã têm hoje um controlo total desde a produção ao prato. Eu, como produtor de maçã uso uma gama de produtos muito restrita.

A Sativa, empresa do controlo de qualidade e certificação, recolhe folhas e frutos para análise laboratorial confirmar que a gama utilizada não põe em perigo a saúde pública.

As maçãs entram na cooperativa e quando vão para o consumidor têm o número do produtor para poderem ser analisadas pela A.S.A.E. e pela cadeia de distribuição. O boi, que vai para o matadouro e deste para a cadeia alimentar é acompanhado de um bilhete de identidade e se houver problemas rapidamente saberão a origem.

Qual a razão porque o dono do restaurante ou da indústria de transformação não devem ser obrigados a regras rigorosas de higiene e controlo da qualidade dos seus produtos?

Vamos abstrair-nos da personalidade controversa do Presidente, do folclore mediático fomentado pela própria agência, da imagem vendida de encapuzados de metralhadora na mão e ajudar a credibilizar um serviço público da maior importância para a sociedade. Hoje, em Portugal, como não há pensadores, desde os comentadores políticos aos órgãos de informação, a profissão é destruir. Qualquer cidadão honesto quando critica uma situação deve apresentar uma alternativa. As sociedades constroem-se com ideias.

A criação da A.S.A.E. foi uma óptima ideia, o folclore descredibiliza-a. A bem dos interesses nacionais vale a pena defendê-la defendendo a ideia e a instituição, criticando o acessório.

António Campos

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