Há já bastantes anos que nos habituaámos a ver contestações, reclamações e manifestações. Mas há manifestações e … manifestações.

A avaliação dos professores

A do passado dia 8 (sábado) levada a cabo por uma única classe profissional, atingiu tais dimensões e tem subjacente tal problemática, que ninguém pode ficar indiferente. Refiro-me, como é obvio, à manifestação que levou a Lisboa cerca de cem mil professores.

Todas as profissões têm a sua importância e todas são indispensáveis a uma sociedade evoluída e moderna. Mas os profissionais da Educação, aqueles a quem entregamos o que de melhor existe – os nossos filhos, as crianças deste Pais – têm uma tarefa cujo desempenho e resultado são os alicerces desta Nação. É certo que, como em todos os campos, há bons e menos bons profissionais .

Qual a razão por que a assiduidade – excepto para casos devidamente comprovados de falta de saúde – não é um dos principais critérios para avaliar um docente? E como é possível, nesta altura do ano lectivo, pretender fazer uma avaliação criteriosa, objectiva e isenta sem critérios atempadamente definidos? Quais os pressupostos para se ser “avaliador”? E quem avalia quem? Será possível alguém, cuja especialidade seja o inglês, o francês ou o alemão avaliar um colega que ensina física ou matemática? ~

Como é possível avaliar, em termos idênticos um professor que teve a sorte de ter anos bem educados e interessados, e um seu colega a quem coube uma ou mais turmas com crianças indisciplinadas e desinteressadas? E quem avalia os políticos que fomentaram, nas escolas, a mediocridade do ensino, a falta de respeito pelos docentes e restantes agentes de educação? E quem avalia aqueles políticos que mentalizaram alguns pais – os mais distraídos – para o facilitismo, para exigirem que seus filhos transitem de ano sem terem os conhecimentos necessários? E quem, e com que critérios, serão avaliados os políticos que têm usado e abusado de introduzirem em concursos públicos uma “entrevista”, sem se saber qual o verdadeiro objectivo de tal conversa? E quem avalia aqueles que, criminosamente, acabaram com o ensino virado para vias profissionais o obrigam todos os alunos a um ensino teórico, para o qual nem todos estão vocacionados? E como e viável incentivar os jovens a serem aplicados, a tirarem um curso, quando, inúmeras vezes vemos os que foram alunos mais fracos colocados em bons lugares públicos e alunos que sempre obtiveram boas notas, apesar de concorrerem para todo o território nacional, estar, para sobreviverem, a desempenhar tarefas para as quais e pedida a escolaridade mínima?

Todos estamos de acordo que é necessário avaliar o desempenho dos senhores professores, o seu interesse, os resultados que obtêm os alunos que lhes estão confiados – como se processa em qualquer outra profissão. Mas a Senhora ministra que tenha a coragem de começar pelo princípio , que incentive a disciplina nos estabelecimentos de ensino, que convença os jovens e seus pais, que um bom aluno não é ultrapassado (diria, abalroado) por um outro com muito menos capacidade e com resultados muito mais fracos obtidos em frequência e exames a sério; que convença, pelo menos no seu campo de acção, que vale a pena ser aplicado, ser um bom aluno ou um bom profissional – mas com resultados que todos vejam ser obtidos, apenas, em função desses critérios.

Então sim, poderá e devera avaliar os docentes e lhe garanto que terá manifestações… Mas de apoio! Vamos “avaliar” a sua coragem!

Adelaide Freixinho
Presidente da CPC do CDS/PP de Oliveira do Hospital

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