“A Câmara Municipal está a desprestigiar quem produz e certifica Queijo Serra da Estrela”

 

Está instalada a polémica em torno da homenagem que a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital vai realizar, no dia do município, 7 de outubro, aos proprietários das queijarias artesanais licenciadas.

Depois de, em sessão da última Assembleia Municipal, o produtor Paulo Rogério e representante dos produtores de ovinos Serra da Estrela, ter deixado no ar a possibilidade de não comparecer à cerimónia, o correiodabeiraserra.com acabou de confirmar a sua ausência na cerimónia da próxima sexta-feira.

Em causa está a deliberação que resultou da última Assembleia Municipal e que vai no sentido de o município prestar homenagem a nove queijarias licenciadas, consideradas artesanais e não ao grupo de cinco queijarias produtoras de Queijo Serra da Estrela certificado, tal como inicialmente previsto e também defendido pelo organismo certificador, a Estrelacoop. É que a par desta homenagem, o município vai também atribuir a medalha de Ouro ao Queijo Serra da Estrela, por via da ANCOSE.

“Não vou estar na cerimónia em protesto pela tomada de decisão”, afirmou Paulo Rogério ao correiodabeiraserra.com, não aceitando que o município, ao querer homenagear o Queijo Serra da Estrela na sequência do reconhecimento que teve no concurso das “7 Maravilhas da Gastronomia”, queira também efetuar um reconhecimento público às queijarias que não produzem o Queijo Serra da Estrela DP.

Mais grave do que isso – alerta o produtor – é “o facto de duas delas nem sequer poderem atestar que têm ovelhas Serra da Estrela, porque nem participam no programa de apuramento da raça da ANCOSE”. “Há um produtor que até tem outras raças de ovellhas”, denuncia aquele que é um dos maiores produtores de Queijo Serra da Estrela do concelho.

Muito crítico e inconformado com a deliberação tomada na última Assembleia Municipal, Paulo Rogério entende que “em vez de prestigiar, a Câmara Municipal está a desprestigiar quem produz e certifica Queijo Serra da Estrela”. “Não tiro o mérito a quem não usa a DOP, mas também não posso deixar isto passar em vão”, continua o produtor.

Ainda que partilhe da opinião de Paulo Rogério, a proprietária da Queijaria Lameiras, de Vila Franca da Beira, admite comparecer à cerimónia, porque apesar de atualmente se encontrar a certificar queijo, já passou por um período em que não o fazia. “Pessoalmente, acho que deve ser entregue a todos”, afirmou Paula Lameiras que recua à origem do Queijo Serra da Estrela para lembrar que, nessa altura, não existia certificação.

Contudo, face aos custos que decorrem do processo de certificação, a produtora não deixa de encarar a decisão da Câmara como uma “injustiça” para quem usa a DOP.

A marcar presença na cerimónia vai estar também a proprietária da queijaria “Quinta do Cruzeiro” de Seixo da Beira, por entender ser “merecedora” de tamanha distinção. A este diário digital Deorema Coelho não deixou, contudo, de revelar o seu descontentamento pela decisão tomada, por entender que se isso acontecesse em todas as áreas “também todos seríamos doutores, mesmo sem estudar”.

“Alguns trabalham para dignificar o produto e, no final de contas, todos irão receber os louros”, afirmou, garantindo que na hora de receber a homenagem não deixará de se revelar desagradada. “Só vou por respeito a quem me convidou, porque a intenção era boa e era uma forma de mostrar que o produtor existe”, assegurou.

“Parece-me estranho que isto esteja a acontecer”, afirmou António Vaz Pato, proprietário da queijaria “Os Lobos” que, a este jornal, disse ainda não saber se irá ou não comparecer na cerimónia.

Quem se recusa a “compactuar com divisionismos” é o presidente da ANCOSE, que ao correiodabeiraserra.com disse até concordar com a decisão da Câmara Municipal pela forma como decidiu “galardoar” os produtores de queijo. “O meu dever é defendê-los a todos”, continuou António Marques, garantindo que na cerimónia de 7 de Outubro efetuará uma intervenção que vai exatamente nesse sentido.

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