Hoje, o tema dominante é a crise financeira que assola os Estados Unidos e que se estende a todo o Mundo.

A crise financeira…

É sabido que na ânsia do lucro, os bancos criaram mecanismos altamente especulativos à volta do dinheiro e a loucura foi tal que pela primeira vez lhe perderam o controlo e os colocaram à beira do colapso.

Esta situação vai obrigar os Estados a tornarem-se mais interventivos tornando a banca mais transparente e mais responsável.

É o fim de um certo capitalismo selvagem que tantos de nós há muito vínhamos denunciando. Os conservadores que pensavam que o mercado era Rei e que qualquer interferência do Estado era um pecado viram a sua tese completamente derrotada.

Agora, todos correm para os bancos centrais, que são dos Estados, para os salvarem das falências. Esta crise veio tornar mais evidente os altíssimos benefícios para todos os Países que integram a União Europeia.

Graças à cooperação entre Estados e à imposição de regras colectivas e da moeda única seremos dos Continentes menos atingidos.

O pacto de estabilidade, o euro, o banco Central europeu, as directivas sobre a actividade regulatória foram políticas essenciais para, hoje, estarmos mais salvaguardados de uma crise cuja dimensão ainda não é totalmente conhecida.

Portugal é um País altamente conservador que seria incapaz de se auto-reformar sem a pressão permanente da União.

A nossa democracia é muito recente, vivemos orgulhosamente sós durante os 48 anos de maior evolução económica e social da Europa e ainda hoje não soubemos conciliar os deveres com os direitos.

Todos reclamam os direitos mas, poucos assumem os seus deveres com a mesma preocupação. Por exemplo, se não fosse o pacto de estabilidade é minha convicção que o Estado Português caminhava para a falência, como aconteceu tantas vezes na nossa história.

Todos exigem tudo do Estado mas, poucos querem pagar de livre vontade os seus impostos para o financiarem.

Imagine o cidadão que um pequeno País como o nosso mantinha agora o escudo, a solução que tínhamos era a sua desvalorização contínua. Felizmente hoje circulamos com uma moeda altamente valorizada principalmente em relação ao dólar, que embora nos traga problemas nas exportações salvaguarda-nos nas importações, principalmente no petróleo.

Os americanos que sonharam sempre com a dolarização do Mundo e à custa da qual criaram grande riqueza vêem hoje a sua moeda a afundar-se e muitos Países de outros continentes a criarem as suas reservas em euros.

O Banco Central Europeu é, hoje, uma instituição altamente respeitada a nível mundial, é certo que lhe falta alguma componente política que o obrigue a olhar mais para o crescimento e para o emprego e não só para a inflação.

O capitalismo americano, que desencadeou esta crise financeira que afecta a economia real, era muito mais selvagem do que na Europa, onde as entidades reguladoras funcionavam e que agora passam a ter ainda mais importância.

Há crises que são benéficas, e a dúvida que muitos de nós temos é se esta já não devia ter surgido há muito.

Esta crise força mudanças no controlo do sistema financeiro que penso serem vantajosas para todos.

A especulação e a irresponsabilidade tornar-se-á menos atraente e os Estados e os cidadãos estarão mais atentos e vigilantes.

António Campos
Ex-Eurodeputado do PS

LEIA TAMBÉM

Comentários aos resultados eleitorais em Oliveira do Hospital. Autor: João Dinis, Jano

Grande vitória da CDU na Freguesia de Meruge!  A nível municipal, porém, sai muito ferida …

Pensar a República. Autor: Renato Nunes.

Não há pensamento sem tempo livre. Os feriados constituem, por isso, uma oportunidade privilegiada para …