As crises são aceleradoras de profundas mudanças e raramente se conjugaram tantas, com um impacto tão forte junto dos cidadãos.

A crise no mundo…

A crise energética que paralisa o Mundo, a crise alimentar que afecta o sustento de milhões de pessoas, a crise financeira que trava o desenvolvimento e a crise de falta de reflexão sobre o futuro são ingredientes explosivos para a violência, o desnorte e o populismo.

Não há receitas milagrosas, nem há donos da verdade sobre o futuro, mas tem de haver uma vontade colectiva para que a mudança seja pacífica, reflectida e orientada para benefício dos cidadãos.

Não tenho dúvida que a profunda crise em que nos encontramos vai impor profundas mudanças na vida dos cidadãos e também não tenho dúvidas que o Mundo as vai ultrapassar e ficará melhor.

Hoje, vivemos numa sociedade onde a evolução do conhecimento é fantástica e que é sem dúvida a maior riqueza da humanidade. Nesta aldeia global, onde as pessoas, as mercadorias e o conhecimento se movimentam a uma velocidade estonteante que permite que uma alface seja consumida a 4000 Kms do sítio onde foi produzida, um facto seja conhecido no Mundo no momento em que acontece em qualquer lugar, ou uma descoberta científica rapidamente seja apreendida e utilizada pela comunidade, as mudanças foram já tantas que as pessoas se amedrontam com o futuro, porque estão confusas com o presente.

Há dias, saiu um relatório da União Europeia, que aliás pouco impacto teve na imprensa portuguesa, como é habitual quando se trata de questões sérias, que apontava Portugal como tendo uma das melhores gerações preparadas para o futuro no quadro da União, a compreendida entre os 25 e os 35 anos, e uma das piores a dos 35 aos 65 anos. Hoje, somos já o 2º País do Mundo com acesso ao computador e os nossos cientistas aparecem nas revistas mundiais a ombrearem com os melhores do Mundo.

Todos sabiam que o petróleo era um recurso limitado e altamente poluente, só grandes interesses impediram que a energia solar, eólica, os biocombustiveis celulósicos e a investigação na nuclear, para a tornar segura, não tivessem tido grande prioridade cientifica.

No futuro os biocombustíveis, serão o hidrogénio, a celulose dos matos e dos restos da floresta, da folha e do caule do milho, da casca do arroz etc., produtos não concorrentes com os terrenos férteis. O Planeta ficará menos poluído. A crise financeira, fruto da avidez incontrolável do ser humano obrigará a que o sistema se torne transparente, responsável e socialmente útil.

As offshores, os fundos, a especulação e a agiotisse, depois de imposta a transparência, a crise terá os seus dias contados. A circulação da moeda exigirá medidas políticas que a tornem totalmente transparente.

A alimentação, se retirarem os interesses dos Países mais desenvolvidos em fazerem dela uma arma política, o planeta tem recursos mais do que suficientes para alimentar dignamente todos os seus habitantes. Não há razões para temer o futuro, há sim preocupações e elevadas no empenho colectivo para resolver os problemas. O oferecer resistência à mudança é um acto conservador de estar na vida, era o orgulhosamente só de Salazar que imaginava o Mundo estático à volta da família de Fátima e do futebol e onde o saber ler devia ser o privilégio de uns poucos. As crises têm o seu lado positivo e quanto mais profundas forem mais mudanças trarão.

O problema na sociedade actual são o sentido das mudanças, dado que não há, hoje, capacidade colectiva para a reflexão e para a acção. Na minha geração o pensamento e a reflexão sobre o futuro faziam parte de um pequeno grupo, mas sabíamos o caminho que queríamos percorrer.

A filosofia, uma cadeira escolar hoje secundarizada, era para nós um exercício apetecível de aprender a pensar o futuro. Hoje, com esta idade, olho para trás e reparo que fiz grandes amizades com pessoas cujo seu principal atributo era pensarem, reflectirem e agirem. Fui um privilegiado, dado que inconscientemente ou por viver sempre preocupado com o futuro acabei por ser altamente beneficiado, intelectualmente, por essas pessoas.

Vi o meu País passar por muitas crises, algumas vivi-as por dentro sem solução à vista e sempre que saímos delas o País estava mais forte e melhor. Vamos aproveitar para mudar para melhor, sabendo que, hoje, o mais importante não é o dinheiro mas a capacidade de cada um se instruir para ter conhecimento, para pensar, actuar e ajudar à mudança. Se tal acontecer, teremos à vista um mundo melhor e mais sustentável.

António Campos
Ex-Eurodeputado do PS

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