São duas as crises que vivemos. A Portuguesa e a internacional. A primeira já existia antes da segunda e continuará quando a segunda já cá não estiver.

A crise portuguesa…

É a nossa crise, a Portuguesa. Uma crise intemporal. Que persiste e resiste no tempo. Que é profunda e não se limita ao défice económico.

A crise lusitana já arruinou e vai continuar a arruinar a esperança e sonho de gerações de portugueses. É por culpa dela que nós, europeus, continuamos a ter um sistema de justiça vergonhoso, uma sistema nacional de saúde cada vez mais minimalista e uma educação mal-educada. É por culpa dela que nós, europeus, continuamos com os salários mais baixos de toda a União Europeia. É por culpa dela que nós, europeus, temos das pequenas e médias empresas menos apoiadas e incentivadas. É por culpa dela que nós, europeus, continuamos a só querer e saber viver à sombra do Estado.

A crise portuguesa já lá não vai com as aspirinas em que o Eng. Sócrates vai insistindo. Em breve, chegadas as dificuldades de financiamento do país nos mercados financeiros internacionais, o que porá cobro, definitivamente, a algum discurso facilitista que ainda vai vigando, Portugal e os portugueses ver-se-ão a braços com a resposta à viabilidade financeira do país.

Num país onde o peso do Estado é enorme e constrangedor, um país que não dispõe de recursos naturais para vender ao exterior, que já não é competitivo na produção de produtos de baixo valor acrescentado, que não tem competência para produzir produtos de alto valor acrescentado e que abandonou e não apostou em áreas (pesca, turismo, silvicultura, etc.) onde pode ser diferenciador, vão ser enormes as dificuldades para arrancar para o crescimento e desenvolvimento económico.

Até aqui ainda foi possível ir atirando areia aos olhos das pessoas. Primeiro, fomos aceitando as chamadas receitas extraordinárias para equilibrar as contas públicas. Depois resistimos ao aumento de variados impostos para garantir o necessário equilíbrio das finanças. Agora, só resta mesmo ao Estado diminuir a sua despesa corrente e isso, lamento dizê-lo, só é possível metendo a mão no bolso dos funcionários públicos. É assim a crise portuguesa.

Luís Lagos
Vice-presidente do CDS de OHP

LEIA TAMBÉM

Pensar a República. Autor: Renato Nunes.

Não há pensamento sem tempo livre. Os feriados constituem, por isso, uma oportunidade privilegiada para …

Os pais da exclusão… Autor: Renato Nunes

Biblioteca Nacional de Lisboa, 29 de Setembro de 2017. Depois de mais um dia de …