Um pequeno País, como Portugal, com uma economia aberta não há Deus que o salve dela. Há uma certeza que tenho, é a de que sairemos mais fortes e mais solidários.

A crise veio para ficar…

Já fiz parte de governos de salvação nacional, onde a bancarrota espreitava e o esforço para abrir o Banco de Portugal com divisas para pagar as importações tirava o sono a muitos de nós.

Recordo-me que tínhamos duas soluções, entregar a política financeira e económica aos militares ou ao F.M.I, optámos, e bem, pela segunda hipótese. Hoje a situação felizmente é bem mais fácil. Estamos integrados na União com o Euro, inflação, juros, deficit e instituições suportadas pelos Países mais ricos do Mundo. Nessa época havia um escudo em desvalorização permanente, uma inflação acima dos 20%, juros e deficit e instituições fora do controle.

Recordo com saudade o Prof. Mota Pinto, que em nome do interesse nacional secundarizou o seu P.S.D. e nos ajudou a fazer os acordos com o F.M.I. e na integração europeia. O leitor já pensou o que seria esta crise para Portugal fora da União Europeia?
Que valor teria o escudo?
Como suportávamos o deficit da balança de transacções correntes, isto é a diferença entre o que compramos e o que vendemos ao exterior.

E se não houvesse o mercado único, que nos permite apesar de tudo manter um crescimento nas exportações, qual seria a taxa de desemprego?

A Islândia era dos Países mais ricos e está à beira da falência. A Irlanda era o modelo apresentado pelos economistas e entrou em profunda recessão.

A crise veio para ficar, mas se aprendermos com as causas quando sairmos dela teremos um Mundo bem melhor. O endeusamento do mercado como fonte de todas as virtudes, a vertigem consumista que se apoderou dos cidadãos, a falta de ética e de princípios na obtenção dos lucros, a imoralidade dos salários dos gestores e banqueiros e a destruição dos Estados como agentes interventores na organização das sociedades justas e solidárias são as causas evidentes que motivaram esta crise.

As democracias em situação de crise são muito vulneráveis. Recordo que as grandes guerras e as ditaduras foram sempre antecedidas de crises. Os demagogos, os populistas, os salvadores da pátria, os políticos sem escrúpulos vêem nesta situação uma oportunidade.

A grande informação é hoje um veículo de alienação, de ódios, mortes, crimes, confrontos, guerras entre pessoas, enfim um remédio para a alienação. Pouco vejo televisão e confesso que só com raríssimos programas perco o meu tempo.

Em época de crise os cidadãos sentem-se desprotegidos. Os políticos devem aprender com ela e os cidadãos devem deixar os seus egoísmos pessoais e aprenderem que o mal dos outros também os toca.

Quando estava no Parlamento Europeu bati-me por algum controle político no Banco Central Europeu (B.C.E.). Era um pensamento minoritário, mas hoje quando vejo tudo e todos a fugirem para o guarda-chuva Estado, tenho a certeza que tinha razão.

A regulação do mercado financeiro, a transparência total na circulação monetária, a proibição e penalização de actividades especulativas, a solidez do sistema, a imposição de regras éticas e morais são imperativos urgentes. Os políticos vêem-se envolvidos numa crise onde não interferem.

Bancos Centrais e Nacionais são independentes do poder político, é como a justiça, mas os únicos que são escrutinados de 4 em 4 anos são os dirigentes das instituições democráticas.

É ver banqueiros, gestores, juízes, funcionários públicos etc. protestarem contra qualquer interferência ou avaliação imposta pelo poder político.

Hoje estas actividades estão ligadas à organização das sociedades e os políticos respondem por elas, mas o Povo ou os políticos não as escrutinam.

Esta Democracia precisa de algumas reformas e ao contrário do que muitos pensam é decisiva maior intervenção política nas sociedades. Há hoje uma grande campanha contra os políticos o que é a única forma de desprestigiar as Instituições Democráticas e enfraquecer o Estado.

Para mim, que fiz da minha actividade política metade vivida na Ditadura e a outra na Democracia, uma luta por causas e por deveres cívicos, ver agora os detractores das instituições a abrigarem-se no seu seio, reconforta-me e espero que seja o sinal de mudança nas mentalidades que permita criar condições de transparência e responsabilidade na organização das sociedades e na salvaguarda dos interesses do Estado.

António Campos
Ex-Eurodeputado do PS

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