Portugal e a esmagadora maioria das Portuguesas e dos Portugueses estão a ficar numa situação cada vez mais insustentável e insuportável.

A “democratura” ou a ditadura da “política única”

Ele é o grande aumento do custo de vida em que o Euro é um dos factores responsáveis; é o elevado desemprego e o trabalho precário e sem direitos; são os baixos valores de pensões e reformas ( que ainda por cima o (des)governo queria aumentar/pagar “em prestações”…); é a política fiscal que sobretudo privilegia os grandes grupos económicos e financeiros enquanto aperta brutalmente cá a malta; é a falta de “ambiente” económico-financeiro para as pequenas e médias empresas poderem pelo menos sobreviver.

Ao mesmo tempo, é o encerramento precipitado e “à força” de vários Serviços Públicos de proximidade para com as Populações como, aliás, está a acontecer no nosso Concelho em que, se não nos pusermos muito “a pau”, também nos encerram, no Centro de Saúde, o SAP nocturno e aos fins-de-semana; são as sucessivas reduções dos Orçamentos de Estado que muito castigam as Populações das regiões de interior e veja-se a “miséria” do pouco mais de 31 mil Euros da dotação para o nosso Concelho prevista no PIDDAC // Orçamento Estado para este ano de 2008.

Entretanto, através das políticas governamentais, aparecem novos “fenómenos” de uma crescente intolerância estatal como cada vez mais se apresenta uma tal ASAE, cujos agentes até aparecem encapuçados para televisão ver; como acontece com as exigências persecutórias do Fisco e da Segurança Social; como acontece com as exigências técnico-burocráticas de vários serviços e das “inspecções” ditas higio-sanitárias; tudo, tudo a conjugar-se para, afinal, desgraçar a vida e arruinar os mesmos do costume:- os pequenos comerciantes, os pequenos agricultores e industriais. Para as Pessoas terem de recorrer cada vez mais às grandes cadeias comerciais e a outros grandes grupos económicos ou financeiros. Há dias, ouvi até uma conversa em que se falava – e com conhecimento de causa – que devido às exigências exorbitantes agora postas ao pasteleiro, estão ameaçados até os deliciosos “pasteis de nata” servidos há mais de 30 anos e sem qualquer problema em conhecido café da nossa Cidade!

Enquanto isso, os sectores do grande capital (nacional e estrangeiro) – sobretudo a Banca, a Bolsa e as maiores Empresas – gozam de escandalosas isenções fiscais e acumulam lucros especulativos à medida que “sangram” a Sociedade Portuguesa.

Simultaneamente, escasseiam e atrasam-se os programas governamentais de apoio ao investimento para pequenos e médios agricultores, empresários e comerciantes.

São, assim, as nefastas e desumanas consequências das políticas de direita, pura e dura, sem dó nem piedade, aplicadas por este (des)governo e por esta maioria na Assembleia da República sob hegemonia de um partido que ainda usa a designação de partido “socialista”…

Mas, à medida que o estado da economia se degrada e se torna insuportável a vida diária das Portuguesas e dos Portugueses, também crescem a resistência e a luta e se solta a indignação dos Cidadãos.

Aqui, o (des)governo PS avança cada vez mais arreganhando a dentuça com a repressão sobre as lutas nas fábricas, nas empresas e nas escolas; avança com a imposição de sofisticadas formas de censura às opiniões insubmissas ou “apenas” mais discordantes; avança com actos e com projectos legislativos castradores das liberdades e dos direitos democráticos do Povo Português. Desenvolve ainda projectos persecutórios, antidemocráticos, que se estenderam já ao domínio político-partidário nomeadamente com perseguição selectiva ao PCP, quer sobre a sua forma de organização e funcionamento internos quer sobre o seu auto-financiamento quer até sobre aspectos nevrálgicos da própria Festa do Avante. E até os mais pequenos partidos estão ameaçados de “extinção” por vontade destes “demo-cratas” que, a pretexto do voto popular, se aboletaram nas cadeiras do poder e, instalados que foram, agora estão a usurpar poder ao Povo que os elegeu.…

São outros tantos sintomas elucidativos e muito preocupantes da instauração de um sistema político tendencialmente de “democratura” ( fusão de democracia com ditadura ) – sistema esse servido por uma verdadeira ditadura de “política única”, de direita, protagonizada por dois partidos maioritários e alternantes no poder, PS e PSD, embora já com particular destaque para o primeiro deles..

Enquanto a luta do Povo se mantém acesa,no (des)governo crescem os sinais de descontrolo…

E se a vida não está nada fácil cá fora, no dia a dia, também a “vidinha” se começa a complicar para os “demo-cratas” empoleirados no poder central do (des)governo e da tal maioria absoluta que o suporta na Assembleia da República.

Ele é escandaleira atrás de escandaleira em torno da crise no “maior banco privado português” e das trocas e baldrocas de administradores deste e da Caixa Geral de Depósitos, enquanto um suposto “governador” do Banco de Portugal continua a servir de “batedor financeiro” às políticas do “seu” (des)governo do “seu” partido; ele é um muito comprometedor caso, com ligações ao próprio Ministério da Justiça, da compra/venda de uma antiga prisão; é a difícil situação da Polícia Judiciária (sem dinheiro para trabalhar…). E , de repente, acontece ainda esta incrível mudança quanto à instalação do novo aeroporto, o qual já não será na OTA mas…em Alcochete (!!), desfecho anunciado com a maior desfaçatez pelo Primeiro-Ministro ao qual assistiu, digamos que com cara de “jamais”, o (ainda) Ministro das Obras Públicas !

E para culminar, o Primeiro-Ministro e Secretário-Geral do PS vem a público anunciar que, em Portugal, não vai haver Referendo ao recente Tratado Reformador da União Europeia ou Tratado de Lisboa, assim negando mais um dos compromissos eleitorais do PS. Isto para além de sonegar, às Portuguesas e aos Portugueses, o direito concreto de serem melhor esclarecidos e de decidirem sobre tão importante matéria !

Está pois às escancaras a política de direita e de completa submissão do (des)governo PS ao grande capital e às potências estrangeiras. Com esta política de direita também aumenta a degradação acelerada da vida democrática mais genuína, e aumenta a degradação das condições de vida e de trabalho do Povo Português.

É necessário e urgente interromper este processo político e social, porventura o mais globalmente destrutivo desde o 25 de Abril de 1974.

João Dinis

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