Terça-feira, Março 28, 2017
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A EXPOH, os mistérios e o que de lá vai saindo… Autor: André Duarte Feiteira

A EXPOH, os mistérios e o que de lá vai saindo… Autor: André Duarte Feiteira

Fazendo uma análise ao que tem vindo a ser a EXPOH – Feira Regional de Oliveira do Hospital, não seria correcto da minha parte fazê-lo, sem recordar as declarações do Presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino, aquando do discurso de abertura:”quando cá cheguei encontrei uma cidade amorfa”. Senhor Presidente, então? Até parece que quando foi eleito encontrou um deserto sem recursos, e que, em abono da má sorte, ainda era um deserto com dívida. Veja lá bem o azar. Haja transparência e bom senso! O local onde realiza a EXPOH e a Feira do Queijo, se a memória não me falha, são obras recentes, é verdade, mas quando o senhor foi eleito já lá estavam e penso que não sofreram alterações…

As grandes obras conhecidas remetem-nos para os mandatos de Mário Alves. Foi ele que revitalizou o local onde é realizada a EXPOH, o Parque do Mandanelho, esse sim, é um marco da nossa cidade e algo que carrega consigo qualidade de vida para os residentes e visitantes de Oliveira do Hospital. Tal como pertenceu ao seu executivo a requalificação do local onde agora decorre anualmente a Festa do Queijo Serra da Estrela. Afinal, as condições já lá estavam, depois vem o mais fácil, música, um pouco de comida e bebida (se for para jogar na certa, chama-se também a televisão), e está dinamizado o espaço! Parece-vos algo assim tão complexo? Para encerrar este regresso ao passado, gostaria de recordar que, retirando a febre dos supermercados e alguns investimentos privados, a cidade está igual àquela que o senhor presidente encontrou há sete anos atrás, perdão, não existia o super-funcional Mercado/Estação de camionagem. Ainda assim, não deixam de ser sete anos…

Voltando à EXPOH, não percebo, e já aqui o escrevi, como é que se continuam a alugar expositores que, somando as quantias despendidas nas edições anteriores, ascendem aos cento e cinquenta mil euros, uma quantia que dava para organizar uma EXPOH e ainda restava dinheiro.

Também não consigo perceber a lógica de cobrarem valores monetários às instituições do Concelho que se fazem representar na EXPOH. Partindo do principio que para algumas dessas instituições a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital é a única fonte de receita, qual o sentido de subsidiar e depois cobrar? Ou será apenas para fins estatístico-financeiros das receitas da EXPOH?

Algo em que concordo com o executivo camarário é o facto de não serem estes os moldes pretendidos para a EXPOH. Não basta despender 70 mil euros, comprar um “pack” de artistas e esperar que as coisas aconteçam. É necessário haver critério, organização e profissionalizar o evento. Isto se quisermos crescer, se for só para fazer um encontro de gerações, a Festa da Zona Histórica, é suficiente e sempre se poupam uns milhares. Agora não podemos organizar uma festa em que descuramos completamente quem faz as festas, ou seja, as pessoas, sobretudo a juventude. Dou como exemplo a noite de sábado na EXPOH, sábado, aquele dia tão aguardado por todas as festas de norte a sul do país, sendo domingo no dia posterior e (salvo raros casos) não se trabalhando, ainda promete mais este felizardo dia, só que, curiosamente, na EXPOH, às 00h25 de sábado, logo numa cidade com tanta gente virada para a música, estava na cabine das luzes um DJ de Oliveira do Hospital a tocar de costas para o publico e com um som bastante tímido…Nem nos bailes de aldeia se vê disto, pagar bilhete para ouvir duas horas de música? É assim que se pretende arrastar multidões? Podem ser criadas noites temáticas, noite de Fado, noite do rock ou noite electrónica, agora deixem-se dos pack´s de artistas manhosos que a coisa já não vai lá assim.

Algo bem mais grave, mas cujo motivo ainda não consegui apurar, foi o “despacho” que levou os Serviços Veterinários Municipais de OHP a trocarem de espaço já com a Feira a dar os primeiros passos. Estes serviços, que já tinham instalações montadas dentro do parque da EXPOH para a adopção de animais, em perfeitas condições tanto para os animais como para quem os queria adoptar, foram, creio eu forçados (calculo que ninguém sai de um óptimo espaço e já com infra-estruturas montadas para se ir colocar ao lado das casas de banho móveis e sem qualquer tipo de logística), a abandonar o local onde já estavam fixados inicialmente. É um desrespeito não só pelos animais como pelos profissionais de saúde que voluntariamente se dedicam a esta causa. Aproveito para dar os meus parabéns ao Rui Amaral, não só pelo trabalho desenvolvido mas também pela notória paixão e persistência que tem pela causa animal. E já que se fala em animais, para quando um canil municipal? É preferível continuar a pagar ao município de Seia para ter lá os nossos cães? Ou é preferível nem se quer querer saber e deixar andar os animais pelas ruas? O dinheiro que poderia ser arrecadado com o aluguer das tendas seria suficiente para fazer um canil de luxo, mas com uns trocos também se faz um bem mais humilde. É tudo uma questão de prioridades e vontade.

Para finalizar, devo confessar que tudo é um pouco estranho nesta festa. Ora vejamos: como é que no início e no final da edição deste ano a EXPOH se diz que ainda não é bem aquilo que se pretende, e no balanço, pelo que se pode ler, os responsáveis asseguram que foi um sucesso tremendo. Ainda não há, pelo que sei, o número oficial de visitantes, coisa que também me cria uma estranheza medonha, como é que na Feira do Queijo, sem controlo de entradas, passado um dia ou ainda no próprio, se anunciam números brutais de visitantes, e numa festa com entradas controladas não se consegue apresentar o número de visitantes? Mistérios.

Enfim, no meio de tantas incertezas, lá se sabe que para 2017 é ano de eleições e que por inerência vamos ter por cá os já anunciados Xutos e Pontapés, e sabe-se lá mais o quê…é certo também, e pela lógica das coisas, que em 2018 vamos ter como cabeça de cartaz o Ruizinho de Penacova. O chamado contraste pré e pós-eleições. É esta a dança, resta saber até quando o povo vai andando no baile…

À Boleia Autor: André Duarte FeiteiraAutor: André Duarte Feiteira

  • Tiro Certeiro

    Não vejo onde o meu caro amigo vê os mistérios. Sabe que na Festa do queijo estavam provavelmente funcionários a contar as pernas das pessoas e depois foi só dividir por dois. Aqui com controlo de entradas é muito mais complicado fazer essas contas (provavelmente já as fizeram várias vezes, mas os números não há maneira de baterem certo com o pretendido, daí não se falar em números). Ao que se consta o estrondoso sucesso não passou de um enorme fiasco. Já quanto às obras Mário Alves marcou de forma indelével a cidade e ficaram. Estes é mais festas que passam e esquecem. Mas fica muito carinho para o senhor presidente José Carlos Alexandrino e uma mão cheia de nada e despesa para o concelho. Pensando bem, tem razão. Na verdade o contraste entre a realidade e as declarações do nosso edil é um mistério. Como diz, vamos ver até quando o povo vai andando no baile.

    • Ramalhão

      Ainda bem que leio…que isto da Língua Portuguesa, vulgo Português europeu , agora(até!), anda sempre a mudar…
      “Tem mais é de falta…”…
      ???
      Escrever, seja lá onde for, como se fala…Brasil? Cabo Verde? Angola?..
      “De mistério, já não têm – já não há – nada”.
      Cuidado.

  • António Lopes

    André:De mistério, a “coisa” tem pouco.Tem mais é de falta de vergonha e de respeito pelos dinheiros públicos.Os expositores, as lonas etc.são algo mais que um mistério.De mistério já não têm nada…

  • Conceição

    Muito bem.