A insulinorresistência. Autora: Dra. Paula Freitas

O que é a insulinorresistência?

A insulinorresistência, resistência à ação da insulina ou diminuição da sensibilidade à insulina a nível dos tecidos alvo (principalmente músculo, fígado e rim) engloba toda a ação biológica da insulina: crescimento e desenvolvimento, metabolismo dos hidratos de carbono ou glícidos, metabolismo dos lípidos ou gorduras, metabolismo das proteínas, função endotelial e expressão de determinados genes.

A insulinorresistência pode ocorrer com carácter transitório ou definitivo. Pode estar associada a determinadas situações fisiológicas como a puberdade, gravidez e menopausa e a inúmeras situações patológicas como a obesidade, pré-diabetes, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia, hipertensão arterial, síndrome metabólico, apneia do sono, síndrome do ovário poliquístico, esteatose hepática ou fígado gordo, esteatohepatite não alcoólica, doença cardiovascular, determinados cancros (mama, colo-rectal, etc), sendo capaz de induzir aumento da mortalidade.

A que se deve o aumento da prevalência de insulinorresistência?

O aumento da prevalência da obesidade e da insulinorresistência deve-se, por um lado, à mudança de uma alimentação rica em grãos, frutos e vegetais para uma alimentação de grande densidade energética, rica em gorduras e hidratos de carbono e, por outro, à alteração dos padrões de atividade física, nomeadamente para um estilo de vida sedentário, fisicamente inativo.

O que posso fazer para diminuir a minha insulinorresistência?

Pode tomar 2 atitudes. Em primeiro, iniciar atividade física. A atividade física é fundamental e insubstituível, já que é muito eficaz, económica e com vantagens adicionais para a saúde e as complicações associadas à insulinorresistência. Os seus benefícios fundamentam-se em dois mecanismos: estimulação da passagem da glicose para os músculos ativos e redução do tecido adiposo, sobretudo o intra-abdominal.

Em segundo, adotar uma alimentação saudável – a alimentação é um elemento crucial no campo da prevenção e do tratamento da insulinorresistência. Deve reduzir o aporte calórico em caso de excesso de peso ou obesidade, contribuindo para a redução da insulinorresistência; está provado que mesmo reduções modestas no peso melhoram a insulinorresistência. Também deve fracionar a ingestão alimentar ao longo do dia de forma a proporcionar uma maior saciedade, reduzir a ingestão de gorduras, aumentar o consumo de hidratos de carbono complexos, ricos em fibras solúveis, reduzir o consumo de sal e de álcool, aumentar a ingestão de fibra, reduzir os açúcares refinados, evitar modos de confeção com gordura (por exemplo, fritos, molhos). Em suma, deve consumir diariamente os alimentos da roda dos alimentos nas proporções corretas.

A insulinorresistência é o tema da Reunião de Outono do GEIR – Grupo de Estudo da Insulinorresistência da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo. A iniciativa está marcada para o próximo dia 22 de novembro, na Fundação Cupertino de Miranda, no Porto.

Freitas, Profa. Paula (Small)Autora: Dra. Paula Freitas, Coordenadora do Grupo de Estudos da Insulinorresistência da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo

 

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