“A Liga de Bombeiros só peca por não ter uma condecoração ainda maior”

 

Depois de no verão passado ter sido homenageado com o crachá de Ouro, o sócio benemérito da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lagares da Beira foi, no último sábado, brindado com a Fénix de Honra. A dupla homenagem em apenas seis meses partiu daquela corporação de bombeiros em jeito de agradecimento pela oferta de duas ambulâncias, uma das quais pré-hospitalar, em 2005 e 2009.

“Tomáramos nós que houvesse mais Antónios Lopes para ajudar os bombeiros”, afirmou o presidente da direção da corporação de Lagares da Beira por ocasião do jantar de Natal da família dos bombeiros lagarenses e durante o qual foi prestada homenagem ao sócio benemérito.

Responsável pela entrega da tão elevada distinção a António Lopes, o vice presidente da Liga de Bombeiros Portugueses não se poupou nos elogios na hora de avaliar aquela que tem sido a postura do benemérito para com os bombeiros portugueses. “A Liga de Bombeiros só peca por não ter uma condecoração ainda maior”, observou Paulo Hortênsio que na sua última intervenção enquanto vice-presidente da Liga, teve a oportunidade de “pela primeira vez conferir tamanha condecoração em Portugal”.

Ao sócio benemérito dos bombeiros que, até agora, procedeu à entrega de 11 viaturas por oito corporações do país – Unhais da Serra, Covilhã, Santa Cruz (Madeira), S. Vicente (Madeira), Calheta (Madeira), Belmonte, Oliveira do Hospital e Lagares da Beira, Hortênsio dirigiu palavras de sentido agradecimento e apreciou o gesto da corporação de Lagares da Beira para com António Lopes.

O vice-presidente da Liga lamentou, porém, a reduzida projeção que, a nível nacional, é dada a momentos como aquele que foi vivido no último sábado em Lagares da Beira, criticando a importância demasiada que é dada a “outras rábulas”. “Pessoas como esta merecem tudo e mais alguma coisa da família dos bombeiros”, referiu Paulo Hortênsio, certo de que “se não fossem os beneméritos, as câmaras municipais e as juntas de freguesia, estas associações não existiam no país”.

“Com pessoas destas é mais fácil servir estas casas e estas causas”, teve também a oportunidade de referir o presidente da Junta de Freguesia de Lagares da Beira, Raul Costa, que publicamente pediu desculpas em nome do Estado pelas reduzidas ajudas dadas pelas juntas e câmaras municipais aos bombeiros.

“Todas as ajudas são bem vindas sejam públicas ou privadas”, referiu o comandante Operacional Distrital de Coimbra, António Martins, constatando que “o Estado não gasta muito dinheiro com os bombeiros”.

“Em 2010 distribuímos quase três milhões de Euros pelos bombeiros do distrito na área de socorro e incêndios florestais”, contou, notando que “não se trata de muito dinheiro se tivessem que pagar salários a todos os voluntários”. “Não podíamos”, assegurou, verificando que “algumas pessoas também poderiam ser mais solidárias”.

Sócio dos bombeiros há 25 anos, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital revelou-se satisfeito por estar a participar numa “simples”, mas “grande festa”, destinada a homenagear o “homem inconformado, cidadão atento, benemérito solidário e o autarca exigente”. Foi desta forma que José Carlos Alexandrino falou de António Lopes que, fora da qualidade de presidente da Assembleia Municipal tem “um percurso de dádiva pelas comunidades por onde tem passado”.

Aos críticos, Alexandrino não deixou de lembrar as acusações dirigidas a António Lopes aquando da oferta da primeira ambulância aos bombeiros de Lagares da Beira. “Ele comprou votos com a oferta desta ambulância, mas depois de ganhar as eleições ofereceu outra”, observou o autarca que, em tom de desafio, até chegou a afirmar: “se eu estivesse no lugar de António Lopes e tivesse o dinheiro que ele tem não dava só duas ambulâncias. Dava quatro ou cinco, mas não tenho o dinheiro dele”.

Humor à parte, Alexandrino deu contudo como certa a continuação da ajuda do município para com a corporação. “Não fazemos mais do que é a nossa obrigação”, rematou.

“Aquilo que fizemos foi abdicar de um pouco que tínhamos por uma causa”

O benemérito que não conseguiu conter e emoção desperta pelo filme do seu percurso de vida, considerou não ser merecedor de uma segunda homenagem em apenas seis meses, mas disse também não ter condições para a recusar.

Sem nunca falar de forma individual, mas reportando sempre para o plural, o conhecido empresário, benemérito e também presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital justificou o seu gesto para com os bombeiros como um “reconhecimento pelo abnegado trabalho e sacrifício”.

“Aquilo que fizemos foi abdicar de um pouco que tínhamos por uma causa”, referiu, lamentando a falta de “condições objetivas” para dar seguimento àquilo que foi uma prática na última década.

“O nosso obrigado pela vossa generosidade”, referiu António Lopes que numa troca de solidariedade deu como certa a entrega à Associação Humanitária dos bombeiros de Lagares da Beira “a magra remuneração anual da função pública”.

Numa iniciativa participada por toda a família dos Bombeiros de Lagares da Beira, a direção presenteou ainda a corporação com capacetes urbanos.

“A segurança é a principal arma de trabalho. Vamos lutar sempre para que se sintam seguros para o combate a incêndios”, referiu o presidente da direção José Pina que também aproveitou o momento para pedir ajuda a um parceiro da associação – a Caixa de Crédito Agrícola – para o pagamento dos capacetes adquiridos.

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