“A Luta começa agora”

 

… os defensores da extinção – “heróis e demagogos” – e avisam que “a luta começa agora”.

Em contagem decrescente para a marcha lenta de protesto contra a agregação de freguesias que, na tarde de sábado, vai passar por Vila Franca da Beira, Lajeosa, S. Paio de Gramaços, S. Sebastião da Feira e Vila Pouca da Beira, autarcas e Câmara Municipal reiteraram a solidariedade que tem existido entre 20 dos 21 presidentes de Junta de Freguesia no âmbito do processo de reorganização administrativa e a resistência do concelho oliveirense, que está disposto a lutar pela não aplicação da lei.

“O concelho está equilibrado com as 21 freguesias, não me parece que tenhamos freguesias a mais”, verificou ontem o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital que, em face da proposta da Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território, continua a não encontrar “os benefícios” resultantes da aplicação da lei. “Ainda não ficou provado que tal venha resolver os problemas do país”, sustenta José Carlos Alexandrino que, pelo contrário, vê a aplicação da lei como um contributo para a “aceleração da desertificação”.

Firme na  postura contra a extinção de qualquer freguesia do concelho, Alexandrino adverte para o facto de o processo de reorganização administrativa estar a ser transformado numa “luta político- partidária”. “A quem o quer fazer, eu desejo que não vá por aí”, aconselha o presidente da Câmara Municipal que, neste domínio, não deixa de apontar o dedo aos que “defendem a extinção”, mas que “de forma traiçoeira e cobarde nunca foram capazes de indicar as freguesias a extinguir”. “Esses heróis queriam, que os presidentes de Junta, a Câmara a e Assembleia Municipal fossem matadores e coveiros das freguesias , mas não foi para isso que fomos eleitos”, referiu ainda José Carlos Alexandrino desafiando ainda “esses demagogos” a dizer o nome das freguesias que devem ser extintas.

“Havemos de ver a coragem desses deputados”

Ainda  que confiante na inaplicabilidade da lei, José Carlos Alexandrino não deixa de desafiar os deputados do PSD na Assembleia da república à boa resolução do problema. “Votem contra, dariam grande ajuda à pacificação do concelho”, sublinha, curioso que está na postura que de facto vai ser seguida pelos deputados. “Havemos de ver a coragem desses deputados”, referiu, avisando que os mesmos que “vêm cá pela calada da noite participar em reuniões terão que enfrentar as populações”. “Estamos cá para os receber condignamente”, referiu o presidente de Câmara que, no sábado, vai marcar presença na marcha lenta de protesto e equaciona outras formas de luta, como forma de travar uma “lei” que está a “entrar à pressão” na Assembleia da República.

“Não admito seja a quem for, que feche a minha freguesia”

“Jamais aceitarei que nos queiram unir a qualquer freguesia e sem perguntarem a opinião de ninguém”, assegurou o presidente da Junta de Freguesia de S. Paio de Gramaços. Nuno Costa, eleito pelo PSD, rejeita assim a agregação da freguesia a que preside com a vizinha de Oliveira do Hospital, chamando a tenção para o facto de S. Paio de Gramaços ser uma freguesia “bem implantada e com dinamismo económico e social acima da média do concelho”. “O executivo é totalmente contra a agregação”, clarificou.

Uma postura também partilhada pelo autarca da Lajeosa que disse “não autorizar”  a agregação da freguesia com Lagos da Beira, ou outra freguesia. “Não admito seja a quem for, que feche a minha freguesia”, insistiu Paulo Sérgio, eleito independente na freguesia que garante que “a luta vai começar” e que não irá baixar os braços. Na opinião do jovem autarca, não basta vir a Unidade Técnica ditar a agregação, é preciso que “venham à Lajeosa dizer que querem fechar a freguesia”. “Vou mantê-la enquanto for presidente da Junta”, disse Paulo Sérgio, logo corroborado pelo presidente da Assembleia de Freguesia que, pela aplicação da lei, receia que a Lajeosa só venha ser lembrada pelo poder político de “quatro em quatro anos”. Rui Pedro não deixou também de criticar a postura do responsável pela UTRAT, Manuel Porto, que “não subscreveu qualquer proposta na casa dele e entende que na dos outros está no direito de o fazer”.

Na linha da frente contra a reorganização administrativa, o autarca de Vila Franca da Beira voltou ontem a exigir a revogação da lei e a apelar à solidariedade que tem existido entre os órgãos autárquicos concelhios. João Dinis, eleito pela CDU, não deixou porém de repudiar o facto de a sua freguesia “estar a ser usada como arma de arremesso político” pelos que defendem a extinção, alegando que se tivesse havido pronúncia, Vila Franca da Beira não faria parte das cinco freguesias a abater. “E se tivéssemos aceitado fazer o trabalho sujo?”, questionou, considerando também não ser a favor da extinção de outras freguesias do concelho. Dinis pegou até no exemplo de Arganil que acedeu à emissão de pronúncia, mas que não viu a sua proposta de agregação aceite pela UTRAT.

Alertando para o facto de estar a ser agendada a votação das propostas “ainda para este ano – “à mata cavalos”- referiu – João Dinis endureceu as críticas aos dirigentes do PSD, que apelidou de “capatazezitos locais” que “não têm legitimidade para invocar o nome de Vila Franca da Beira em vão”, visto ter sido gente daquele partido que, há 24 anos, criou aquela freguesia. “Tirem as patas de Vila Franca da Beira, não são dignos de as lá por”, chegou a afirmar o autarca garantindo participar em todas as lutas contra a aplicação da lei. “É uma luta exaltante que vamos ganhar e não é o PSD que sai derrotado, porque muitos autarcas do PSD ficarão muito aliviados se a lei for revogada”, sustentou.

Pegando na longa história da freguesia, a autarca de Vila Pouca da Beira encara a proposta da UTRAT como uma “falta de respeito” para com a freguesia e população. “Foi uma das freguesias do concelho que não perdeu população nos últimos 10 anos, mas se calhar a UTRAT nem sequer sabe que isso aconteceu”, referiu Maria Graciosa Fontinha, alertando para o facto de a lei não respeitar as pessoas do interior, que não têm as mesmas condições de outras das grandes cidades. “Sou contra a lei”, concluiu.

À frente de uma “freguesia pequena, mas grande em valor”, o autarca de S. Sebastião da Feira chama a atenção para a história da freguesia e a sua centralidade na zona do Vale do Alva. “Fui eleito para cuidar da minha freguesia e não admito que seja extinta”, afirma Adelino Coelho, esperando nesta luta contar com todos os presidentes de Junta. “Não virem o bico ao prego”, apelou, avisando não querer ser “o coveiro da sua freguesia”.

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