A minha homenagem a um amigo com quem tinha o hábito de discutir!

Sérgio Gouveia faleceu ontem – aos 48 anos – nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC). Não é justo morrer tão precocemente mas, na verdade, a vida é o que é!

O Sérgio Gouveia era, acima de tudo, – é uma coisa rara nos dias que correm –, um homem são. Com uma personalidade muito vincada vivia os dias de uma forma muito intensa. Privei muito com ele nas mais variadas ocasiões e, sempre que nos encontrávamos, discutíamos tudo até ao tutano.

Ambos sabíamos que era mais aquilo que nos unia do que o que propriamente nos dividia. Portanto, no dia seguinte retomávamos tranquilamente a tertúlia mas, sem hipocrisia, rapidamente esgrimíamos os nossos pontos de vista.

Tal como eu, o Sérgio abominava a ridícula figura do português bacoco que quer estar de bem com o Deus e o Diabo. Tinha uma frontalidade ímpar, e fervia perante a injustiça e o oportunismo.

Dois ou três dias antes de ter tido o AVC – e já mais de meia cidade dormia em camas de casal –, fiz-lhe sinais de luzes e encaminhámo-nos para mais um duelo de opinião ao balcão de um café da praceta Manuel Cid Teles. Nunca pensei que fosse o último!

Com a sua inseparável caneta de tinta permanente, anotou na agenda uma iniciativa que ambos tínhamos acordado pôr em prática no início do próximo ano lectivo… boas intenções!

Perde-se um homem de carácter firme, muito amante da natureza, dos livros e dos serões da província condimentados com boa música. Quando há umas semanas atrás entrou na antecâmara da morte, estava precisamente a fazer aquilo de que mais gostava: tocar Pink-Floyd com um leque de amigos.

Vou ter saudades das tertúlias e das discussões com o Sérgio Gouveia, que é hoje sepultado, às 16h45, no cemitério da aldeia que o viu nascer – Ervedal da Beira – e tão cedo o vê partir.

Bem haja pelo convívio de quase um quarto de século.

Henrique Barreto

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