“A morte saiu à rua” a 23 de Fevereiro de 1987. Mas ele continua a cantar… Autor: João Dinis, Jano

…” São os Vampiros do universo todo…

 

…Se alguém se engana

Com seu ar sisudo

E lhes franqueia as portas à chegada,

Eles comem tudo, eles comem tudo,

Eles comem tudo e não deixam nada”…

 

A 23 de Fevereiro de 1987 – faz 30 anos – morreu José Afonso, o Zeca Afonso das baladas.

Assim desapareceu fisicamente o nosso mais importante trovador. O “cantautor” de intensos dotes vocais (com o seu inconfundível “vibrato”) e de imensos talentos poéticos e musicais.

Foi “cantautor” de tanta cantiga – e não só de embalar – que nos encantaram e entusiasmaram em jovens e nos continuam, hoje, a encorajar mesmo que através da imensa ternura, do “sentimento”, que exalam.

José Afonso percorreu vários estilos musicais nossos contemporâneos mas não só. Ao mesmo tempo, interpretou, reinventou e elevou as nossas raízes musicais mais populares ou tradicionais a um nível ímpar e sempre com o maior respeito pelo “seu” e nosso Povo.  Pode até parecer que não é assim, mas José Afonso tem músicas e letras de elaborada inspiração embora aparentemente “simples”. Mas também tem composições muito complexas até.  É reconhecido e apreciado em muitos países.

José Afonso // Zeca Afonso é genial !

Produziu e passou para disco, alguns dos nossos mais importantes testemunhos musicais do século passado. Influenciou quase todos os mais genuínos “cantautores” seus e nossos contemporâneos.

Marcou e marca gerações com as suas cantigas “de intervenção”, de esclarecimento e mobilização dos Portugueses para a transformação social rumo à liberdade e ao fim da exploração do homem pelo homem e, por isso mesmo, foi e é odiado pelas bestas do (grande) capital e seus serventuários. E a tal ponto assim foi, e continua ser, que sucessivos “responsáveis” por uma das maiores emissoras de rádio em Portugal – autênticos sensores e reminiscências da funesta Inquisição medieval – interditaram (e interditam) a passagem de músicas de Zeca Afonso nas emissões radiofónicas !

José Afonso foi ele próprio nas suas características, nas suas virtudes e também nos seus defeitos.  Por cima daquele sua aparência “desalinhada”, ele possuía um apurado e fino sentido de humor.  Uma vez, em 1974 ou 1975, ele regressava do Minho de uma série de actuações e vinha participar, em Coimbra (Teatro Académico de Gil Vicente), em mais uma sessão de “canto livre”. Apareceu então no Teatro Gil Vicente com duas alcofas cheias de legumes frescos, na mão. Quando se lhe perguntou onde tinha arranjado tudo aquilo, ele explicou a sorrir:- “venho do Minho de actuar por lá. Olhem, pagaram-me em géneros…” – e exibia as alcofas com os legumes dentro…

Na verdade, José Afonso, na sua generosidade natural, nunca procurou, antes descurou, benefícios materiais em função da sua obra musical e do íntimo relacionamento com o seu Povo.

José Afonso não foi um “deus”, nem ele gostaria de ter sido um “deus”, mas é certamente um dos meus grandes e corajosos “heróis”. Tenho para mim, e para quem mais eu puder dar, músicas e canções de José Afonso que me emocionam, confesso, até às lágrimas !  E outras que me enchem de força !

Bem-hajas, José Afonso, e continua a cantar!

E faz (muitos) anos que nasceu Handel

Sim, a 23 de Fevereiro 2017, faz 332 anos que nasceu, na Alemanha, Georg Friedrich Handel (com trema no a), mais tarde George Frideric Handel (sem trema) quando se nacionalizou inglês a viver em Inglaterra.

Homem todo ele “musical” e em várias dimensões. Muito importante para a cultura musical Inglesa, Europeia e Mundial, a partir do estilo “Barroco” em que virtualmente “nasceu”, e que desenvolveu com génio, perseverança e também com sucesso pessoal.

Por curiosidade, nasceu alemão, mais velho um mês que o Johann Sebastian Bach, nem mais nem menos. Sebastian Bach que é considerado, hoje, como o maior expoente musical do “Barroco” e, a partir daí, um dos maiores e mais completos, mais multifacetados, músicos de todos os tempos, na nossa cultura “ocidental”, pelo menos.

Handel viu reconhecido, em vida, o seu talento e disso obteve recompensa. Bach nem por isso, e só depois de ter morrido, o mundo musical começou a dar-se conta e a apreciar a intensidade, a imensidade e a imortalidade da obra musical de Bach.

São a vida e a morte no seu perpétuo, e quase sempre injusto, “diálogo”…

janoentrev1João Dinis, Jano

 

 

 

 

 

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