A OPINIÃO DE CARLOS BRITO: Peço Desculpas

… em considerações sobre a sua actuação política nos últimos 16 anos que, na sua óptica, se pautou pela dedicação ao bem comum e a servir as pessoas, sem enganar ninguém, e com obra à vista.

Era, seguramente, intenção do candidato, ao tecer aquelas considerações, submetê-las ao escrutínio dos cidadãos. Fixei-me, sobretudo, numa das considerações que abrange, deduzo, todo o pensamento e programa desta candidatura: “Estou aqui tranquilo porque nunca enganei os oliveirenses e… a obra está à vista”.

Mas, o que é enganar o eleitor? Prometer e não cumprir? Então, se assim é, para não enganar, basta não prometer, basta não apresentar programa eleitoral. Mas, nada dizer, ou ficarmo-nos apenas pelo subentendido das palavras e programas não será também enganar? E receber os votos dos eleitores e não corresponder aos sonhos, aos desejos, às necessidades, às aspirações desse mesmo eleitor, não será também enganar?

Aliás, estando a “obra à vista” porquê recandidatar-se? Certamente porque “Mário Alves é daqueles para quem, na política e fora dela, mais vale partir do que vergar” como afirmou o líder da distrital, Sr. Pedro Machado.

Triste sina a de um município que precisa de um pau para ser governado! Gostaria muito mais de ter lido que o candidato à renovação do mandato tinha apresentado a sua candidatura como um pedido de desculpas por não ter feito tanto quanto podia, sentindo, assim, a obrigação, aliás legítima, de se apresentar de novo às urnas para completar a obra que os eleitores exigem e precisam!

Até ao fim da minha adolescência pratiquei muito a Confissão. No colégio que frequentava era até obrigatório fazê-lo semanalmente. A confissão não era para mim mais do que um ritual que todas as semanas tinha de praticar. Um ritual em que me dirigia a Deus, pedindo desculpa por aquilo que entendia ter feito de errado, tendo o padre como juiz próximo do meu acto.

Sem o saber, na altura, estava praticando um ritual religioso que se veio a reflectir no meu “crescer”. Só mais tarde “notei” que este ritual se transferiu para uma prática na sociedade em que me inseri, constituindo uma saudável terapia para o meu comportamento como cidadão: o hábito da confissão foi substituído pelo hábito de saber pedir desculpas à sociedade onde me inseria, tendo como juiz a minha própria consciência.

“Cresci”, pois, com o hábito de saber pedir desculpas! Pedir desculpas como Patrão por não ter feito mais do que podia, pedir desculpas como Professor por não ter ensinado melhor do que podia, pedir desculpas por, como Servidor Público, não ter feito mais do que podia, deve ser a atitude que todo o cidadão que desempenha uma função social e política na sociedade deve saber manifestar.

Infelizmente, tropeçamos demasiadas vezes com quem não sabe pedir desculpas nem tão pouco aceitá-las. Para o leitor que tenha algum dia de pedir desculpas ao seu companheiro, ao seu vizinho, ao seu chefe ou ao seu subordinado e lhe respondam “desculpas não se pedem, evitam-se!”, a esses, caro leitor, devemos olhá-los nos olhos e, em voz branda responder-lhes: “Vá à merda.”

O leitor verá como pedir desculpas o libertará e lhe dará forças para fazer mais e melhor! O leitor verá que, assim, ser-lhe-á mais fácil, ao dobrar de esquina, encontrar o seu verdadeiro caminho.

Pleven,Agosto,10.08.2009

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