“Finge-te de idiota e terás o céu e a terra”.

Quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar o seu discurso de estreia na Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu primeiro desempenho naquela assembleia.

 

A paz necessária a uma guerra útil.

O decano, pôs a mão no ombro de Churchill e disse, em tom paternal: “Meu jovem, você cometeu um grande erro. Foi muito brilhante neste seu primeiro discurso. Isso é imperdoável. Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos”.

Perdoem-me a prosápia da citação, mas esta para além de ser uma boa lição de abismo na política, que um velho sábio pode dar ao pupilo que se inicia numa carreira difícil demonstra, porque razão desde Platão, se sabe que a dissimulação de poder e de saber é inerente à política. E quão é este paradigma deletéria condição, para que o político mostre mais poder do que realmente possui, pois não enfrenta o adversário mostrando-lhe todas as armas que tem à mão…

Não consigo saber se é de um Verão indefinido ou instável devido às alterações climáticas, ou de alguma epidemia de asneiras que afectou de modo arrebatado algumas pessoas, mas nós por cá, temos assistido a uns tiques de partidarite arrogante pretensamente iluminada, que só podem demonstrar que muitos dos novos rumos pelos quais se lutou, estão já em curso.

Somente por laracha, alguém pode querer (de repente), impor a um partido, o passadiço estreito, do aqui estamos, aqui nos têm, na condição de “verdadeiros Sociais Democratas”. Manipular assim a condição de militância, numa carta aberta, (publicada no Jornal de Oliveira a 12 de Junho), abrigada pelo anonimato medroso, distendido entre o entretenimento e a obstinação, é pretender ver criada uma janela imunológica entre eles próprios, a sua casta restrita e os outros militantes. Assente na categorização separatista, dos “verdadeiros” militantes do (seu) PSD, contra os “arregimentados” pelo (outro) PSD ao Partido Socialista. Isto é algo que só lembraria ao Diabo e a pessoas indomáveis.

Esta gente que nenhuma sogra gostaria de ter como genro, para nos tomarem a todos como seus (possíveis) liderados, só pode estar doida varrida! Só faltava semelhante doutrina sectária, para comprovarmos que neste mundinho da partidarite aguda, finalmente dado à estampa, não cabe a frase que na compressão da campanha das directas do PSD, foi proferida por Manuela Ferreira Leite: “os militantes do PSD não são cacicáveis”.

A eleita presidente social-democrata – candidata em quem votei vencida dentro da comissão politica concelhia, e que saiu vencedora nas eleições directas com a minha quota de anuência – sabe sem sombra de dúvida, que o cacique, existe no partido e que, na ocasião das eleições, arranja militantes e eleitores a favor de certo candidato, ou dele próprio. Sabe que a relação entre o “cacique” e os “cacicados”, é uma relação entre um e muitos, só comparada à relação existente entre o pastor e o seu rebanho. Contudo, Manuela Ferreira Leite, falou a verdade!

Em posicionamento e liberdade, o voto do militante para a escolha dos seus dirigentes é um património inalienável de cada um. Por isso é livre e secreto. Talvez por isto, interessa pouco, se há militantes que mudam de camisola como os jogadores de futebol contratados. A menos que alguém seja defensor de mecanismos de garantia de fidelidade partidária! Preocuparmo-nos com a ascendência dos militantes, é crer apenas num partido sazonal, onde há direito a vaga, e só esse tem fundamento ou viabilidade. Isto é levar o PSD a um pântano tal, onde só as ratazanas engordam.

É facto, as eleições directas, inauguraram (entre nós) outro tempo, das posições duvidosas, do apoia Manuela Ferreira Leite, do preservar todas as possibilidades, e apoia-se também Passos Coelho, não vá o Diabo tecê-las! Isto foi feito por uma franja do PSD, que como caçadores natos, não só de patos bravos mas de ingenuidades, tentam agora capitalizar desesperadamente, na secretaria o apoio prestado a dois, dos prováveis vencedores nas eleições directas!

Tudo é possível ser feito, até aquilo que ainda está por inventar. Mas em qualquer cenário, a comissão política concelhia é um mero artefacto possível e passível de ser manipulado, pela directiva de qualquer ordem de serviço, imposta pela distrital e caucionada pelo PSD nacional?

Por enquanto, a mim custa-me a querer, que Manuela Ferreira Leite, a quem reconheço inteireza, cálculo político e sensatez, perfilhe a idolatria cega, que o partido concelhio tem a obrigação de preservar uma vaga autárquica, a quem não teve o arrojo pessoal e político, de propor-se nas suas votações internas, para saber se de facto o seu projecto era ou não irrevogável dentro do partido.

Há efectivamente um problema entre o poder executivo e o partido. Mas deixemo-nos de parâmetros ecológicos entre militantes, e recoloquemos as coisas no óbvio: no jogo das partes e no limite do compromisso político assumido com o eleitorado, por aquele que saiu vencedor das eleições para a concelhia, após ter assumido ser candidato a candidato à câmara em 2009.

Isto é um paradoxo angustiante para toda a gente. Mas uma crise institucional entre o PSD concelhio e o nacional, pode matar a galinha, em vez, de a deixar produzir ovos… Nem com o poderoso afrodisíaco do Poder conseguirão manter o partido unido, em três actos eleitorais em 2009. Se a falta de transparência na gestão disto, estiver para o eleitorado, na directa proporção, ao conselho dado a Churchill no inicio do texto, a aparição de um talentoso político à esquerda do PSD pode ameaçar o PSD.

Lusitana Fonseca
Vogal da CP de Secção do PSD

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