Escrevi, numa notícia, que assistiremos em 2009 a um dos verões mais quentes de sempre no que diz respeito à política local. E assim é.

A política e todos nós

Temos um PSD de duas cabeças, a defrontar-se nas urnas, com Mário Alves, o contestado presidente do Município, porém detentor de duas potentosas maiorias absolutas, a ser o candidato ‘oficial’ do partido laranja e com José Carlos Mendes, ex-presidente da Comissão Política de Secção, renegado pelas estruturas distritais, a assumir-se como candidato num projecto independente e que tanto tem feito correr tinta. O PS, criticado externa e internamente pela falta de estrutura e organização demonstrada em actos eleitorais anteriores, aposta forte no candidato José Carlos Alexandrino, uma cara que conhecemos como interventivo deputado na Assembleia Municipal. As três grandes possibilidades na corrida ao município têm, entre si, vários pontos a favor e contra, que podemos analisar numa crónica futura. O texto de hoje fala daquela que é uma das mais importantes condições num acto eleitoral, a análise e reflexão livres e sérias.

Num ano em que há muito mais gente a pertencer a listas e a participar activamente na vida política, a missão fica difícil para os órgãos de comunicação social e seus trabalhadores, que acabam por ter afinidades aqui ou ali com alguns dos participantes nas candidaturas, é aqui que reside a missão da independência, do rigor e da isenção. Acima do questionamento (justo ou não) que surge em focos dispersos, por aqui e por ali, como arma de arremesso e obstrução das vias de informação, o jornalista ou transmissor de notícias têm a obrigação de acima de tudo, fazer uma análise imparcial, correcta e transparente dos factos. Mas para além de ser pedida responsabilidade aos media, seus proprietários e directores, para que a liberdade de expressão seja usada como merece, deve ser pedida contenção aos críticos, que não sendo completamente imparciais ou justos, acabam por criticar os diferentes agentes informativos apenas pela publicação de factos ou notícias. É óbvio que nem todas as declarações, medidas e episódios serão positivos para este ou aquele candidato, que a sua publicação não agradará a todos os agressivos comentadores da opinião pública (anónimos ou não), mas há que haver responsabilidade de todos os envolvidos nos factores desta complicada equação.

As comissões políticas e candidatos têm de aprender a ouvir a informação e usá-la a seu favor, como meio de auscultação das populações e seus anseios e natural presença num regime democrático. Repararem também que todos os seus gestos são acompanhados pela objectiva atenta de uns quantos fotógrafos e pela ágil e acutilante esferográfica dos incómodos e tão mal-amados jornalistas, até para não incorrerem em actos imedidos e se lembrarem do importante posto que ocupam como espelho de uma classe e exemplo para um povo, que independentemente de tudo, ainda os segue. Convém, a muitos políticos, dizer mal dos jornalistas, quando os verdadeiros culpados pela má imagem que a opinião pública tem deles, são os próprios – intransigentes, maus cumpridores de promessas, distantes da população, dos problemas e da vida diária dos seus eleitores – e desta forma, acusam os meros narradores da verdadeira história de serem parciais, apenas e só porque contam uma história que não lhes interessava (aos políticos) que fosse ouvida.

O público, críticos e comentadores de café/internet têm de analisar com mais prudência o texto jornalístico e lê-lo com olhar realmente sensível, para saber quando é justo ou não falar mal deste ou aquele órgão de comunicação, apenas e só porque este publica notícias. Há que também aprender, na crítica pública e livre, a ser neutro e também a assumir posições, corajosa e ‘destapadamente’, dissecando todos os lados de uma mesma questão, sob pena de cair na descredibilidade de comentários ocos, meramente ofensivos e desprovidos de argumentação plausível.

Os meios de comunicação social devem saber contemplar, em panorama abrangente, todos os partidos, todos os movimentos, todas as pessoas, prestar atenção aos sinais que lhe dão os seus leitores, telespectadores ou ouvintes. Noticiar da mesma forma as iniciativas de uns e outros partidos, com a mesma rectidão no discurso, com o mesmo tratamento e com o benefício da dúvida, o direito do contraditório e a verificação de fontes garantidos. Deverão ainda promover o diálogo, sensibilizar a inteligência e despertar as consciências. Num momento como este, é importante que todos os cidadãos tenham a melhor informação, aquela que sendo totalmente limpa de influências, lhes permita pensar por si próprios nas decisões que irão tomar. O dia 11 de Outubro é um dia decisivo para o futuro da nossa terra, e seja qual for a decisão de cada um de nós, é importante tê-la, todos nós – cidadãos – com a responsabilidade que acabamos por exigir uns aos outros.

Pedro Coelho
Estudante da Escola Secundária de Oliveira do Hospital

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