“Depois do programa desse domingo, Shieffer comentou que na semana anterior lhe tinha acontecido a coisa mais estranha da sua vida.

A profissão de jornalista em tempos de transição

Ao sair do estúdio da CBS, um jovem repórter esperava-o no passeio. Não é nada de muito invulgar, porque conforme acontece com todos os programas de domingo de manhã, as grandes cadeias televisivas – CBS, NBC, ABC, CNN e Fox – enviam sempre equipas para os estúdios umas das outras para conseguirem entrevistas dos convidados à saída dos programas.

Mas este jovem, segundo explicou Shieffer, não era de uma grande cadeia de televisão. Apresentou-se educadamente como repórter de um Website chamado InDCJournal e perguntou a Shieffer se podia fazer-lhe algumas perguntas. Shieffer, na qualidade de colega de trabalho educado, disse que sim. O jovem perguntou-lhe se podia tirar uma fotografia. Uma fotografia? Shieffer reparou que o jovem não trazia máquina fotográfica. Não precisava dela. Agarrou no telemóvel e tirou-a.

‘Na manhã seguinte, cheguei e fui ver o tal website e lá estava a minha fotografia, a entrevista e mais 300 comentários à mesma», disse Shieffer, que – apesar de estar bastante consciente da importância do jornalismo on-line – foi apanhado de surpresa com a incrível rapidez, baixo custo e trabalho individual. Aquele jovem tinha feito tudo. «Fiquei intrigado com esta história e fui à procura do jovem do InDCJournal. Chama-se Bill Ardolino e é um indivíduo bastante sensato. Fiz-lhe a minha própria entrevista através da Internet – de que outra forma? – e comecei por lhe perguntar que equipamento é que usava nessa rede/jornal gerido por uma só pessoa.»

‘Utilizei um minúsculo gravador/leitor digital MP3 (três e meia por duas polegadas) para obter a gravação e uma pequena câmara digital incorporada mo telemóvel para tirar a fotografia”, disse Ardolino. Não é tão sexy quanto um telefone/gravador/câmara (que já existe), no entanto tem dado cartas em termos de ubiquidade e de miniaturização da tecnologia. Transporto sempre comigo este equipamento por todo o D.C. (District of Columbia) porque nunca se sabe (….)’.

Ardolino disse que o leitor de MP3 lhe tinha custado cerca de 125 dólares. ‘Está essencialmente concebido para tocar música, mas também vem equipado com gravador digital, que cria uma extensão de som WAV que pode ser transferida para um computador…basicamente, diria que o investimento inicial para fazer jornalismo que requeira equipamento portátil e de gravação ad hoc ronda os 100 dólares – entre 200 e 300 dólares se adicionar a câmara, 400 a 500 para um bom gravador e uma boa câmara. Mas 200 dólares são quanto precisa para conseguir trabalhar.’

“Homo Analógico” versus “Homo Digital”

Esta história, descrita pelo conhecido jornalista norte-americano Thomas L. Friedman, no seu bestseller “O Mundo é Plano – Uma História Breve do Século XXI”, editado em 2005, constitui um eloquente exemplo para se reflectir sobre o admirável mundo novo com que se deparam actualmente os jornalistas.

Na verdade, esta história de Friedman, que inteligentemente explica como o mundo se tornou “plano” através das sociedades de redes sem fios, constitui uma obra de leitura indispensável para nos ajudar a perceber as transformações que, na viragem do século XX, se começaram a operar na aldeia global por via das novas tecnologias.

Estas transformações estão a ter profundas implicações em todas as áreas profissionais. Quase de um dia para o outro, as velhas formas de comunicação revolucionaram-se por completo, e a entrada na era digital coloca-nos perante duas hipóteses: ou resistimos, e permanecemos como uma espécie de “Homo Analógico”; ou então, exploramos os novos suportes de comunicação – com as suas infinitas mais-valias – e transformamo-nos no “Homo Digital”.

Sócrates disse um dia: “Penso, logo existo”. Hoje, com alguma ironia, todos sabemos que o filósofo diria uma verdade de La Palice se afirmasse: “Estou on-line, logo existo”.

O Relatório Delors e a bússola para encontrar “os mapas de um mundo complexo e constantemente agitado”

Conforme sustenta o Relatório DELORS para a UNESCO, da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, coordenada por Jacques Delors – trata-se de um importante documento para todos os profissionais que lutam pela adaptação às exigências da chamada sociedade do conhecimento – “não basta, de facto, que cada um acumule no começo da vida uma determinada quantidade de conhecimentos de que possa abastecer-se indefinidamente.

É, antes, necessário estar à altura de aproveitar e explorar, do começo ao fim da vida, todas as ocasiões de actualizar, aprofundar e enriquecer estes primeiros conhecimentos, e de se adaptar a um mundo de mudanças”.

É precisamente, nesta perspectiva, que os jornalistas atentos à inovação e perspicazes na antecipação das transformações de um mundo em constante mutação, se devem posicionar perante as novas oportunidades da nova era da informação.

Como realça Jacques Delors, todos temos a obrigação de encontrar “os mapas de um mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola que permita navegar através dele”. E quem não dispuser da bússola digital, dificilmente dobrará o Cabo das Oportunidades Digitais.  

Os self media e a democratização da informação

Na sociedade do conhecimento em que vivemos, as solicitações de “aprender a aprender” tornaram-se um imperativo. A comunicação mudou radicalmente e o binómio emissor/receptor ganhou um novo sentido.

Enquanto que os mass media se baseiam numa comunicação excessivamente passiva, e com muitas barreiras à reacção dos consumidores de informação – quantos milhões de espectadores de televisão, por exemplo, não praguejaram já em frente ao pequeno ecrã contra a informação que lhes entrava em casa? –, hoje, graças aos chamados sistemas de comunicação interactiva na World Wide Web, criada, em 1989, pelo britânico Tim Berners-Lee, tudo é diferente.

Os self media que, repentinamente, invadiram o ciberespaço, transformaram-se num poderosíssimo instrumento que potencia e amplifica a capacidade comunicativa na comunidade virtual.

O aparecimento de blogues, sites com fóruns de discussão e wikis, permitem que “cada um dos utilizadores da informação” seja “em simultâneo o seu produtor”.

Estes canais de comunicação, conforme escreve Thomas Friedman, citando o bloguista Glenn Reynolds, “deram às pessoas a possibilidade de deixarem de gritar para os seus televisores, para passarem a ter uma palavra a dizer sobre as coisas”.

É a democratização da informação… nunca na História da Humanidade existiu tamanha possibilidade!

 As dificuldades no processo de aculturação dos jornalistas

É certo que os processos de aculturação às novas tecnologias são sempre longos e difíceis. Mas se os jornalistas criarem resistências à utilização das novas ferramentas tecnológicas colocadas ao seu dispor, vão seguramente ficar mais desorientados na aldeia global.

Recordo-me que, em 1989, o falecido historiador César Oliveira tentou informatizar alguns serviços da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, poucos meses depois de ter conquistado a presidência daquela autarquia do interior do país.

Na altura, César não se conformava com o facto de a Câmara da sua terra natal ter chegado ao final dos anos 80 sem sequer possuir um aparelho de Telefax. A comunicação processava-se ainda através do obsoleto Telex.

Mas o que mais irritava o professor que tinha trocado a carreira universitária pela governação de uma autarquia do chamado Portugal profundo, era na verdade a forma como dezenas e dezenas de funcionários municipais – no início dos anos 90 – temiam a substituição das velhas máquinas de escrever pelo computador.

Em vez de aplausos pela modernização dos serviços, César Oliveira semeou a ira e provocou até o choro em vários chefes de serviço. Já em final de mandato, o conhecido historiador desabafou à imprensa que essa “foi uma das reformas” que mais lhe custou fazer, lamentando não tê-la concluído durante o seu mandato de quatro anos.

Infelizmente, também hoje nas redacções se encontram muitos directores de jornais e jornalistas avessos à mudança. Apesar de alguns progressos, a grande maioria da imprensa regional portuguesa – no interior do país, existem ainda vários jornais que nem sequer um simples site têm – também não se rendeu às novas plataformas de comunicação.

Permanecem teimosamente no suporte de papel, e muitas vezes com o inocente argumento baseado na teoria de que “isso da internet” ainda é “ uma coisa para meia dúzia de pessoas”.

Quando em 1913 apareceu o primeiro frigorífico doméstico (baptizado de Domelre Domestic Electric Refrigerator), as casas de gelo também tentaram resistir-lhe, mas a invenção rapidamente começou a fazer parte do quotidiano das pessoas.

Para ilustrar os difíceis processos de aculturação do Homem ao longo dos séculos, nada melhor do que fazermos aqui uma pausa de dois minutos e 40 segundos, visionando um vídeo (clique aqui para ver) que, de forma humorística, espelha bem as dificuldades sentidas na transição do pergaminho para o livro…

O El Dorado do jornalismo

 À hora que escrevo este texto, por exemplo, aproveitei para acender um cigarro “analógico” e dar uma espreitadela na nossa edição on-line em www.correiodabeiraserra.com.

Cliquei numa notícia editada há cerca de meia-hora… já tem centenas de visitas, vários comentários, e um leitor a questionar – com toda a razão, diga-se! – por que é que o nosso diário digital recorre quase sempre a uma determinada imagem de arquivo, que em abono da verdade e do rigor jornalístico não deveria ter sido editada.

Toda esta interacção e este imediatismo dos self media, são na verdade o El Dorado do jornalismo “em tempos de transição”. Ter o feed-back dos leitores e auscultar a sua pluralidade de opinião, é, de facto, uma das grandes valias das edições on-line.

Quando na manhã desta segunda-feira os jornais impressos em papel começaram a chegar às bancas – através de uma pesadíssima e complexa estrutura, com grandes custos financeiros e ambientais – já a notícia a que me referi estava disponível nos cinco continentes e acessível a milhões de pessoas.

O Google Notícias e tantos outros motores de busca ajudaram a distribuí-la; muitos jornalistas receberam-na no seu e-mail através do do Google Alertas; a notícia foi – e continua a ser – comentada por vários leitores digitais. É esta a grande diferença entre os media tradicionais e os media interactivos.

Na cerimónia de abertura da primeira Pós-Graduação em Imprensa Regional, lançada no ano passado em Portugal na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra pelo Instituto de Estudos Jornalísticos, em parceria com o principal grupo de imprensa regional português – a Sojormedia, José Manuel Fernandes (JMF), o director de um dos principais diários de referência do país – o Público –, disse, por exemplo, não ter dúvidas de que o publico.pt já tinha mais leitores on-line do que na versão impressa.

Mostrando-se confiante de que o futuro da imprensa passa obrigatoriamente pelos media digitais, o conhecido jornalista ancorou-se no exemplo dos seus próprios filhos. Um dia – contou ele – ofereceu-lhes uma assinatura do Público. Porém, quando uns tempos mais tarde os visitou na sua residência de estudantes, deparou-se com uma enorme pilha de jornais amontoados e a amarelecer! Preocupado com os hábitos de leitura dos dois jovens, JMF quis indagar as razões da indiferença, mas a resposta foi sintomática: “nós lemos o Público na Internet”, disse-lhe um dos filhos.

Apresentando-se como um fervoroso “adepto” das edições digitais, JMF também forneceu um dado de discussão importante, quando afirmou – naquela conferência – que o jornal impresso que dirige, investiga actualmente muita informação que tem como fontes algumas “dicas” que leitores do publico.pt “põem a nu” nos fóruns de discussão on-line daquele diário digital.

Um mundo mais transparente através da verdade digitalizada

Num mundo cada vez mais vigiado e onde os jornalistas têm acrescidas responsabilidades sociais na busca da verdade – o chamado “quarto poder” detém um papel insubstituível no panorama da informação/formação dos cidadãos –, as sociedades de redes sem fios estão, inequivocamente, a contribuir para a construção de um mundo mais transparente.

Pouco tempo depois da queda do Muro de Berlim, na noite de Novembro de 1989, novas janelas se abriram com a chegada – seis meses depois – do Windows 3.0, que foi posto à venda a 22 de Maio de 1990.

Conforme constata Thomas Friedman, o aparecimento dos motores de busca ajudaram a suprimir “todos os montes e vales, todos os muros e pedras a que as pessoas recorriam para se esconderem de forma a camuflarem as suas reputações, ou partes mais obscuras do seu passado”.

É por isso que o reputado jornalista norte-americano, lança um desafio: “viva a sua vida honestamente porque, o que quer que faça, seja quais forem os erros que cometa – tudo será um dia “pesquisável”.

Citando Alan Cohen, um homem de negócios americano ligado à venda de tecnologia sem fios, Friedman conclui o raciocínio da transparência a que o mundo está mais sujeito, escrevendo que “o Google é como Deus. Deus não tem fios, Deus está em todo o lado e Deus vê tudo. Quaisquer que sejam as perguntas que hajam no mundo, basta fazê-las ao Google”.

É uma realidade a que não conseguiremos escapar. Por isso – sentencia ainda Friedman, recordando as sábias palavras de Mark Twain –, “diga sempre a verdade, e assim não terá de estar a recordar-se daquilo que disse”.

Também neste campo, os jornalistas deparam-se com um novo paradigma. Pois, se tanto lutam pela transparência e tanto escrutinam os actos públicos na busca incessante da verdade – é este um dos principais apanágios da profissão –, todo este trabalho fica com certeza mais simplificado.

Por quê? Porque essa verdade está a ser velozmente digitalizada.

“No meio da dificuldade está a oportunidade”

Voltando às edições electrónicas, é certo que estas se debatem, por enquanto, com um problema fulcral: a publicidade.

Na verdade, tanto em Portugal como no resto do mundo, o investimento publicitário ainda tende a ser maioritariamente canalizado para os media tradicionais.

Porém, as principais agências de publicidade internacionais já há algum tempo que começaram a não prescindir das edições on-line nos seus planeamentos de distribuição das campanhas publicitárias de grandes marcas.

A indústria automóvel, o sector alimentar, os operadores de telecomunicações e a banca, por exemplo, já gastam hoje muitos milhões de euros em publicidade digital.

Com um ritmo de crescimento verdadeiramente vertiginoso – num curto espaço de tempo, os media interactivos estão a alcançar níveis de audiência invejáveis –, a publicidade na internet detém várias vantagens face à publicidade tradicional. Desde logo, o seu baixo custo, que poderá ser um isco muito promissor para atrair anunciantes que sempre tiveram constrangimentos orçamentais para poderem suportar os elevados custos da inserção de um anúncio na imprensa escrita, ou de um spot na televisão e rádio.

Sabendo que estão à distância de um clique, os anunciantes encontram nos suportes digitais uma interactividade fabulosa. Em poucos minutos, conseguem levar uma mensagem publicitária a milhões de pessoas espalhadas por todo o mundo.

Nos media “pitorescos”, isso é impensável… Os sítios de conteúdos especializados nas mais diversas áreas, permitem também a chamada publicidade direccionada a um determinado segmento de mercado. A este conjunto de argumentos – e tantos outros existem –, acresce ainda a possibilidade do cliente publicitário ter um feedback rigoroso da eficácia do seu investimento. Através do Google Analytics, sabe-se, hoje, com grande precisão e rigor, tudo o que se passa ao nível de uma edição on-line.

Paralelamente a esta fonte de receita, que tenderá a crescer de uma forma exuberante, e será sempre o principal suporte financeiro do mundo digital, os novos media têm também outros caminhos: a venda de conteúdos específicos e temáticos, cuja procura tem vindo a registar um crescimento muito positivo. “Vinte e nove por cento dos cidadãos europeus compraram informação on-line, em 2008, sobretudo a nível de bases de dados especializadas.

Este comércio electrónico representou um “volume de facturação de 893 milhões de euros”. E como afirma Thomas Friedman em “O Mundo é Plano”, “vocês ainda não viram nada (…) estamos a entrar numa fase em que iremos assistir à digitalização, virtualização e automação de praticamente tudo. Os países, empresas e particulares que sejam capazes de absorver as novas ferramentas tecnológicas obterão ganhos de produtividade espantosos. E estamos a entrar numa fase em que cada vez mais pessoas, mais do que alguma vez se viu na História da Humanidade, irão ter acesso a essas ferramentas (…), adverte Friedman.

Posto isto, não há razões para que os directores de jornais, jornalistas e outros profissionais do sector, continuem a ter uma postura de cepticismo perante o mundo digital. Pois – permitam-me que cite novamente Friedman – , “os «músculos» de que os trabalhadores mais precisam são regalias portáteis e oportunidades de aprendizagem ao longo de toda a vida. Por quê? Porque se trata dos activos mais importantes para que um trabalhador seja móvel e adaptável”.

É verdade que o processo de aprendizagem e de aquisição de novos conhecimentos pode até ser penoso, mas como um dia disse Albert Einstein, “no meio da dificuldade, está a oportunidade”. E qual é a oportunidade, segundo Friedman? “É ser rápido para ganhar vantagem sobre todas as novas ferramentas de colaboração para chegar mais longe, mais rápido, ter uma acção mais vasta e profunda”.

A linguagem áudio-scripto-visual

Num século em que Al Gore, antigo Vice-Presidente dos EUA, defendeu que “a informação vai ser o petróleo do século XXI”, a comunicação digital abre muitas oportunidades, mas lança também inúmeros desafios. Os Sistemas Interactivos de Comunicação, pressupõem novos saberes e novas competências.

Quando falamos em jornalismo multimédia, falamos obrigatoriamente da necessidade de introduzir profundas alterações nas redacções e em quem lá trabalha.

Hoje, não basta ter uma edição on-line estática e que, muitas vezes, mais não é do que uma réplica digital do jornal impresso. Os media digitais precisam de dar informação “na hora” e de actualizações constantes.

As comunidades de leitores virtuais tanto se fidelizam como, repentinamente, migram. A disponibilização de conteúdos em linguagem áudio-scripto-visual, que se dirige “ora ao olho, ora ao ouvido, ora aos dois simultaneamente”, é um dos maiores trunfos das edições on-line.

Se condimentarmos este “prato” comunicacional com seleccionados ingredientes de opinião que os leitores nos trazem gratuitamente – através da sua interacção nos fóruns de discussão –, é caso para dizer: “a sopa está na mesa”!

A constante inovação é outro dos segredos de estes fantásticos media que nos podem oferecer texto, som e imagem. Outra das grandes valias dos jornais electrónicos, que recentemente começaram a ser exploradas nas edições on-line de maior dimensão, é o hipertexto. Pois, num simples texto, tornou-se possível facultar ao leitor uma enorme quantidade de informação, que fica disponível através da criação de links que permitem o acesso rápido à informação armazenada na rede.

A Wikipédia, por exemplo, é hoje a mais completa enciclopédia digital do Globo, graças às suas hiperligações. No fundo, tudo deixou de ser local para passar a ser global e, ainda por cima, num mundo cada vez mais miniaturizado e portátil.

Portanto, este é o caminho… e o caminho faz-se andando!

O papel electrónico

Para os amantes das novas tecnologias ligadas à comunicação, uma das suas grandes ansiedades está agora relacionada com a evolução do papel electrónico, que um dia nos permitirá estar na praia ou na esplanada do café a desfolhar livros e jornais, por exemplo.

Este novo suporte digital, que consiste numa ideia original da Xerox, desenvolvida nos anos 90 por Joseph Jacobson, tem vindo a registar significativos progressos.

Na prática, o papel electrónico funciona por via de micro-esferas pretas e brancas que se combinam e desenham letras pretas num fundo branco. Com o formato de um livro de bolso e uma espessura mínima, actualmente, existem já vários tipos de leitores, que possibilitam o armazenamento de milhares de publicações, nos mais variados formatos.

A sua portabilidade associada aos baixos consumos energéticos, são uma mais-valia que promete revolucionar os hábitos de leitura. Neste novo suporte electrónico amigo do ambiente, o ecrã, semelhante a uma folha de papel, permite uma leitura muito confortável.

Mas como todo este conjunto de meios tecnológicos, está indissociavelmente dependente da Internet, é importante que os jornalistas, “em tempos de transição”, se apercebam de como é que este fenómeno comunicacional está a evoluir em Portugal, acedendo aqui a um dos últimos estudos sobre “Tecnologias de Informação e Comunicação”, realizado pelo Obercom – Observatório da Comunicação.

 

Henrique Barreto *

* Trabalho realizado no âmbito de uma Pós-Graduação em Imprensa Regional, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, sob o tema “A profissão de jornalista em tempos de transição” 

 

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