“A recuperação que se exige, após os incêndios, já é um escândalo nacional e tentam passar por culpados os lesados”

A Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra (ADACO), e a CNA, Confederação Nacional da Agricultura, consideram que um ano após a data do Grande Fogo – 15 e 16 de Outubro – a forma como está a ser realizada a recuperação dos estragos já é “um escândalo nacional”. “As coisas não têm andado bem e“quem sofre as péssimas consequências, são as Populações, os lesados pelo Grande Fogo e o Ambiente”, refere num comunicado hoje distribuído em Oliveira do Hospital. Consideram mesmo que é ofensiva a forma como está a ser feita “a recuperação” que se encontra “mais do que atrasada, o que, a vários níveis e âmbitos, já é um escândalo nacional”. E apontam, a título de exemplo, o atraso na reconstrução das habitações ardidas que é da responsabilidade do Ministério do Planeamento e das Infra-estruturas e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, CCDR Centro.”

“Tentam é fazer passar por culpados e oportunistas os mais lesados pelos Incêndios para, também assim, se tentarem desculpar das próprias falhas. Neste âmbito, a CCDR Centro até abriu, na sua Página na Net, um “formulário electrónico” – ao estilo pidesco! – para instigar ao ‘bufanço’ de regime, anónimo ou não! Para pôr vizinhos a denunciar vizinhos, até familiares desavindos a denunciarem-se uns aos outros, a pretexto de alegadas falsas declarações feitas pelos Proprietários das Habitações e das Empresas ardidas! Eis mais um escândalo inadmissível e antidemocrático que até mancha a Constituição da República e o 25 de Abril!”, culpam.

Os representantes dos agricultores acusam ainda que a ajuda na área agrária foi reduzida em relação que estava inicialmente previsto até aos cinco mil euros por lesado, “Foi reduzida, sem explicações, em milhares de candidaturas enquanto muitos outros candidatos, que até fizeram a primeira “declaração de prejuízos”, depois não foram admitidos num processo cheio de confusões engendradas pelo Ministério da Agricultura. Os produtores pecuários (Ovinos e Apicultura) e os Agricultores com várias Culturas Permanentes (Pomares – Olivais – Vinhas) saem a perder bastante”, sublinham, adiantando que a “floresta, na sua grande parte, permanece queimada nas matas, está desvalorizada e a ser pasto de pragas e doenças que, agora, estão a dizimar o Pinhal que não ardeu no Fogo. Os Eucaliptos e Mimosas alastram em força como árvores invasoras…”.

A ADACO acusa o Governo (e não só o Governo…) de se limitar a fazer propaganda e quer tanto a pretexto da Agricultura, como das Habitações ardidas, mesmo das Empresas. “O Programa de Desenvolvimento Rural, PDR 2020, não tem correspondido às necessidades. Mantém desadequadas várias das suas “medidas” de apoio, regista atrasos e também bloqueia por alegada “falta de verba” da parte do Ministério da Agricultura, o que significa problemas em cima de problemas para os Agricultores…

Responsabiliza ainda as Câmaras Municipais o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que depende do Ministério da Agricultura e do Ministério do Ambiente. “Faz pouco. O que fazem as “Comissões Municipais de Defesa da Floresta contra Riscos Bióticos (pragas e doenças) e Abióticos (Incêndios)” as quais são presididas pelos Presidentes de Câmara? Pois também pouco fazem para além das rotinas…”, acusam, reclamando “a definição e aplicação – urgentes –  de programas integrados de – ‘Prevenção de Incêndios Florestais / Rurais’ – de ‘Recuperação e Ordenamento da Floresta” com severo controlo do Eucalipto e da Mimosa –  de ‘Controlo de Pragas e Doenças da Floresta’. Programas apoiados, técnica e financeiramente, pelo Governo e definidos em colaboração com Autarquias, Organizações Agro-Florestais, Proprietários e Produtores Florestais.

 

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