Só uma imensa sede de poder – esse poder que seduz, vicia e até corrompe – pode estar na base de toda esta novela política que o PSD de Oliveira do Hospital insiste em manter nas páginas dos jornais desde Março de 2006.

A sedução do poder

Mário Américo Franco Alves já está instalado no poder autárquico desde Janeiro de 1994. Há 15 anos, portanto. Dir-me-ão que, verdadeiramente, o autarca do PSD só foi investido na presidência da câmara em 2001 e, posteriormente, em 2005. É verdade, mas não podemos esquecer que Mário Alves sempre foi o Senhor Todo Poderoso nos mandatos de Carlos Portugal.

Na prática, foi ele o “gerente” da câmara e detinha mais influência política do que o próprio presidente. Tanto assim foi, que a sensivelmente um ano de terminar o mandato, o sucessor de César Oliveira não teve outro remédio senão o de arrumar a secretária para deixar o caminho aberto ao seu então número dois.

Já na altura, este episódio político – sei do que falo – foi cozinhado em Lisboa, quando Portugal teve que ceder depois de uma reunião que manteve com Dias Loureiro e Luís Arnaut. Dito de outra forma: Carlos Portugal foi politicamente torpedeado e não saiu por vontade própria. Foi-se embora porque Alves queria, à força toda, ser o presidente da câmara.

Passados estes anos todos, a história repete-se e o leitmotiv é o mesmo. O presidente da câmara quer voltar a sê-lo. Custe o que custar! Nos últimos anos, o já dinossauro político do PSD – em democracia, não é saudável que as pessoas se mantenham tanto tempo nos cargos políticos –, trocou a amizade pelo poder, incompatibilizou-se com quem sempre o apoiou, e com todos estes e tantos outros factos protagonizou três anos de grande instabilidade governativa, já que o partido que o elegeu não só o repudiou publicamente como lhe minou a confiança.

No actual cenário e depois de tudo o que se tem passado, se Mário Alves tivesse uma réstia de dignidade e um pouco de coragem política, só tinha um caminho a seguir: deixava José Carlos Mendes avançar pelo PSD e pedia meças ao eleitorado numa lista de independentes. O problema está em que Mário Alves conhece a mais valia política da sigla do PSD num concelho do Portugal profundo, e não se quer meter em aventuras. Resultado: age como sempre agiu. Tenta eliminar os que lhe fazem sombra e passa por cima de toda a folha.

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