Teve casa cheia na segunda apresentação da peça “Barco Sem Pescador” na Casa da Cultura César Oliveira, mas “A Semente” lida com um problema que só com a boa vontade dos seus elementos tem vindo a ser ultrapassado.

“A Semente” corre o risco de não germinar

O grupo não tem um espaço próprio para ensaiar e enfrenta o problema da falta de elementos. Imagem vazia padrão“Há dias em que nós estamos a ensaiar no palco e ao mesmo tempo estão a decorrer os treinos de basquetebol”, contou ao Correio da Beira Serra, Ivone Figueiredo, responsável pelo grupo de teatro “A Semente”. O palco do Pavilhão Serafim Marques, em S. Paio de Gramaços, é o espaço que a Sociedade Recreativa Lealdade Sampaense (SRLS) cede à “Semente” – depois de também já ter usado o ginásio – para a realização dos seus ensaios. Disponibiliza também uma pequena sala, onde o grupo guarda alguns dos seus pertences. Ivone Figueiredo não ignora as boas condições que o pavilhão oferece, mas sublinha: “não está vocacionado para teatro”. Destaca o facto de ser um espaço com grandes dimensões e sem qualidades acústicas. Razões que impedem o grupo local de apresentar as sua encenações em S. Paio de Gramaços. “Somos muito criticados por isso, mas aqui não temos condições para representar, nem para recebermos cá outros grupos”, frisou, acrescentando que por ali já passaram “grandes Revistas”, mas os elementos eram apoiados por aparelhos sonoros, como microfones. “Nós não temos possibilidades para isso”, referiu.

Não critica a direcção da SRLS, porque entende que “não tem hipótese” de resolver o problema. Nota que o problema já vem da “raiz” do pavilhão. “Quando saímos das antigas instalações, disseram-nos que ia ser criado um salão com condições para teatro”, referiu, lamentando que as condições actuais ainda sejam piores do que as que tinham nas antigas instalações da SRLS. “Quando deixámos a Sociedade antiga até chorei, mal eu sabia que ainda vínhamos para pior”, contou Ivone Figueiredo, explicando que foi, a partir dessa altura, que o grupo de teatro passou por um período de interregno na apresentação de peças teatrais. “Mas nunca estivemos parados. Realizámos ensaios frequentes para a apresentação da peça “Barco Sem Pescador”, mas por vários motivos ainda não tinha sido possível estrear a peça”, explicou a responsável pela “Semente”, referindo que a saída de vários elementos do grupo foi o factor que mais condicionou a sua actividade. Em “Barco sem Pescador” – contou – “há um elemento com dois papéis e outro com três”.

“Temo pela vitalidade do grupo”
Imagem vazia padrãoEnquanto responsável e elemento integrante de “A Semente”, Ivone Figueiredo confessa temer pela vitalidade do grupo. Para além da falta de condições de trabalho, aponta também o dedo ao desinteresse das pessoas em integrarem o grupo. “Os novos não se interessam e nós, os mais velhos, também, já estamos a ficar cansados. Gosto muito disto e é por isso que ainda não desisti, mas há dias que me sinto muito desanimada”, confessou, lamentando a falta de apoios e o facto de, muitas vezes, os esforços do grupo “serem mal interpretados”.

Com idades que se situam na classe etária entre os 20 e os 60 anos, os 12 elementos de “A Semente” têm resistido à falta de condições e, até ultrapassado problemas pessoais, mas sem nunca desistirem do teatro amador. Ivone Figueiredo recorda várias saídas que o grupo fez. O facto de estar associado ao INATEL de Coimbra, possibilitou à “Semente” passar por Coimbra, Cantanhede, Penacova e outros espaços. Com o objectivo de retomar esta actividade, o grupo está a reequacionar uma nova ligação ao INATEL. Num passado recente, em Fevereiro deste ano, o grupo estreou “Barco Sem Pescador” em Lagos da Beira e, no dia 10 de Novembro voltou a apresentar a peça na Casa da Cultura César Oliveira e no dia 1 de Dezembro na Associação Recreativa Penalvense, no âmbito do Ciclo de Teatro de Outono promovido pela Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. “A Casa da Cultura estava cheia e com pessoas sentadas no chão”, sublinhou Ivone Figueiredo, mostrando satisfação por notar que os jovens começam a apreciar cada vez mais o teatro.

Em matéria de subsistência do grupo, Ivone Figueiredo destaca os apoios dados pela Câmara Municipal na cedência de transportes, atribuição do subsídio anual e na retribuição pela participação no Ciclo de Teatro. Sublinha também a generosidade do benemérito local Serafim Marques, que de ora em quando contribui com algumas verbas. Mas, realça a cooperação de cada um dos 12 elementos que não hesitam em puxar da carteira para o que vai sendo necessário, notando que até os cenários são feitos por eles.

Até ao final do ano, os ensaios do grupo não serão tão frequentes, mas a partir de Janeiros “A Semente” retoma a actividade normal e Ivone Figueiredo já anda “à caça” de uma nova comédia para o grupo ensaiar e estrear.

Liliana Lopes

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