É uma morte invulgar a que teve Maria Fernanda, que não resistiu a uma picadela de abelha sofrida na sua própria casa, em Meruge.

Abelha ferra veneno mortal em antiga professora

A vítima sofria de alergia e, por falta de adequado socorro na hora, já chegou cadáver ao SAP.

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Maria Fernanda Borges Gonçalves dos Anjos Miranda – uma antiga professora primária de 67 anos – faleceu esta sexta-feira, dia 6, no Centro de Saúde de Oliveira do Hospital (CSOH), por volta das 19h30, vítima de uma picadela de abelha.

De acordo com uma informação prestada ao Correio da Beira Serra por uma fonte familiar, Fernanda Miranda, que residia em Meruge e era alérgica ao veneno injectado através da picada destes insectos, vivia numa moradia onde o marido – entusiasta da apicultura –, Telmo dos Anjos Miranda, tinha algumas colmeias. Conhecedora dos perigos que corria, a vítima tinha normalmente consigo um anti-histamínico injectável que utilizava em caso de SOS. Só que – conforme apurou este diário digital –, a conhecida professora primária não dispunha do fármaco naquele momento.

De acordo com a mesma fonte, após a picada da abelha, Fernanda Miranda ainda esteve “bastante tempo” a lutar pela vida, mas um “edema na glote” acabou por asfixiá-la, provocando-lhe uma paragem cardíaca.

Dúvidas quanto à eficácia do socorro

Esta morte, está entretanto a gerar alguma polémica, uma vez que – segundo a mesma fonte –, terá havido “falhas” ao nível da prestação de socorro à vítima. “Se houvesse uma intervenção rápida e eficaz, provavelmente podiam ter-lhe salvo a vida”, afirmou aquela fonte.

Instado pelo Correio da Beira Serra a explicar como é que decorreu, neste caso, a intervenção dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital (BVOH), o comandante da corporação, Emídio Camacho, referiu ao CBS  que “nestas situações, quem espera desespera”, mas admitiu que a ambulância dos BVOH “perdeu algum tempo” por causa da informação telefónica dada pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) de Coimbra quanto ao local da ocorrência.

“A chamada vem do CODU, que acciona os bombeiros e diz que é à entrada de Meruge (nas antigas bombas de gasolina) que estava a vítima. Os bombeiros chegaram ao local, mas não encontram nenhuma ocorrência. Aí perdemos algum tempo a tentar encontrar a vítima e entrámos em contacto com o CODU que entretanto ligou para o local da ocorrência e deu-nos a informação precisa”, salientou Emídio Camacho, sem deixar de sublinhar que os “bombeiros fizeram tudo o que estava ao seu alcance”.

Camacho diz não saber qual a origem da informação errada, já que – conforme frisa – quem digitou o número 112 pode eventualmente não ter dado uma indicação correcta. “Distorce-se a informação, mas resta saber se foi o CODU (que grava sempre as chamadas) ou quem telefonou”, referiu o comandante dos BVOH, adiantando ainda que quando os bombeiros chegaram ao local “a vítima ainda tinha pulso” e a tripulação da ambulância – mesmo durante a viagem – “colocou oxigénio e tentou a reanimação durante o percurso”. Contudo, Fernanda Miranda entrou já cadáver no CSOH.

O CBS online tentou esclarecer este episódio junto do CODU de Coimbra, mas ainda não foi possível chegar à fala com nenhum responsável por aquele centro de orientação de doentes urgentes, que na sua página de Internet assegura que “a prioridade não deve ser o transporte da vítima aos meios, mas sim o transporte dos meios à vítima”. Não foi, porém, o que aconteceu…

Sublinhe-se que as vítimas deste tipo de episódios – e tem havido alguns casos semelhantes, noticiados na imprensa –, podem, por exemplo, ser salvas através da realização de uma “tractomia” ou da administração de “adrenalina injectável”, um fármaco que – de acordo com uma fonte médica – “é altamente eficaz neste tipo de situações”. O problema está em que só os médicos – no caso da tractomia, não são todos os clínicos habilitados a fazê-la – podem desencadear este tipo de socorro. E as ambulâncias ao serviços das corporações dos bombeiros do concelho de Oliveira do Hospital, não têm qualquer médico na tripulação.

De acordo com Emídio Camacho, a Viatura de Emergência Médica e Reabilitação (VMER) de Viseu ainda chegou a ser accionada, mas a operação de socorro acabou por ser “abortada” no momento em que foi emitida a certidão de óbito à vítima, cerca das 20h00, pelo médico Fernando Morais. Na opinião daquele clínico – que confirmou ao CBS  que a vítima chegou ao SAP “já cadáver” – “é imprescindível que se crie uma unidade básica de urgência em Oliveira do Hospital”. Temos instalações, onde se gastou muito dinheiro, e temos todo o equipamento. Só não temos é pessoal habilitado para lidar com situações de suporte avançado de vida”, lamentou aquele clínico.

O Choque anafiláctico

Uma picada de abelha, de vespa, de vespão e de formiga pode provocar a morte em virtude de uma reacção anafiláctica em pessoas alérgicas. A morte é causada por um mau funcionamento cardíaco e pelo colapso do sistema circulatório.

Imagem vazia padrãoA anafilaxia é uma reacção alérgica aguda, generalizada, potencialmente grave e ocasionalmente mortal, que começa quando o alergénio entra na corrente sanguínea e reage com um anticorpo da classe imunoglobulina E (IgE). Essa reacção incita as células a libertar histamina e outras substâncias que participam nas reacções imunes inflamatórias. Como resposta, as vias respiratórias dos pulmões podem fechar-se e provocar asfixia, os vasos sanguíneos podem dilatar-se e fazer com que a tensão arterial desça, as paredes dos vasos sanguíneos podem deixar sair líquido, provocando edema e urticária. O coração pode funcionar mal, bater de forma irregular e bombear sangue de forma inadequada. O colapso cardiovascular pode verificar-se sem sintomas respiratórios. A anafilaxia pode ser fatal, a menos que se institua um tratamento de emergência de imediato.

O primeiro tratamento para a anafilaxia é uma injecção de adrenalina. As pessoas alérgicas às picadas de insectos ou a certos alimentos, em especial as que tenham já tido um ataque de anafilaxia, deveriam andar sempre com uma seringa auto-injectável de adrenalina, para um tratamento de emergência.

Henrique Barreto

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