Abertura do buraco de Penalva de Alva para prospecção de água custou mais de 20 mil euros ao erário público

O enorme buraco que a Junta de Freguesia de Penalva de Alva mandou abrir, em 2006, na Carvalha, teve um custou superior a 20 mil euros. A informação acaba de ser obtida pelo correiodabeiraserra.com junto de uma fonte fidedigna, que pediu para não ser identificada, e surge pouco tempo depois de o vereador do PS, José Francisco Rolo, ter ameaçado o executivo camarário presidido por Mário Alves, com a apresentação de uma queixa à Inspecção-Geral da Administração Local (IGAL).

“Não se percebe qual é a dificuldade em quantificar o valor dos trabalhos daquela obra fracassada e sem qualquer resultado prático, que só serviu para esbanjar mais dinheiro público”, afirmou recentemente a este diário digital aquele vereador da oposição, argumentando que – caso a informação lhe continuasse a ser “sonegada” – ponderava denunciar o caso junto da IGAL.

A abertura daquela enorme cratera com cerca de 1000 metros quadrados de área e uma profundidade de sensivelmente nove metros, tinha como finalidade encontrar água para abastecimento de um depósito localizado a escassas dezenas de metros do local.

Como a água não apareceu – nunca foi encomendada qualquer prospecção a empresas especializadas, e há quem refira que aquele disparatado investimento foi o resultado de “uma teimosia” do presidente da Junta local, patrocinada pelo presidente da Câmara –, o caso foi denunciado nas páginas do Correio da Beira Serra e, já este ano, a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital viu-se forçada a proceder ao aterro do buraco, através do recurso a maquinaria da Associação de Desenvolvimento da Serra do Açor (ADESA).

 

Empreiteiro diz que os trabalhos ainda nem sequer foram facturados

Esta empreitada, que tanta polémica tem gerado, foi efectuada pelas “Construções J. Ramiro” que, conforme demonstram as imagens, colocou no local uma máquina giratória, uma rectro-escavadora e, ainda, um semi-reboque basculante.

De acordo com o que este diário digital apurou, junto da mesma fonte, estas três máquinas, que todas juntas e a preços de mercado trabalham a cerca de 130,00 euros por hora, demoraram – em vão – cerca de 171 horas a encontrar água. Feitas as contas, o custo da abertura daquele buraco, a que ainda acresce o trabalho com o seu aterro, efectuado com maquinaria da ADESA, ronda os 22 mil euros.

Contactado por este diário digital, um dos administradores da empresa, José Ramiro, disse não querer entrar em considerações sobre o valor daquela empreitada, e adiantou que os trabalhos – realizados no último trimestre de 2006 – ainda nem sequer “foram facturados”. O empreiteiro justifica esta falha com o facto de “ainda” estar “a aguardar instruções” por parte da Câmara Municipal.

O curioso é que, quando instado pelo CBS online a pronunciar-se sobre este caso, o autarca que governa Penalva de Alva, António Brito, afirmou que aquela obra foi “financiada” com fundos comunitários. “Não lhe sei explicar qual foi o programa”, disse na altura, em 12 de Junho de 2007, o presidente da junta local.

“Isso são as más línguas”, argumenta o presidente da Junta de Freguesia de Penalva de Alva

Novamente solicitado a esclarecer o valor desta obra, Brito disse não acreditar nos números que o CBS online lhe comunicou. “Não posso confirmar nada disso, mas não acredito que tenha custado esse dinheiro. Eu não andei lá a verificar quanto tempo é que as máquinas lá andaram, mas isso não é verdade… isso são as más línguas”, argumentou.

Também contactado há instantes por este diário digital, o vereador socialista confirmou não ter ainda recebido “por escrito” – conforme diz ter solicitado – a resposta a um requerimento, feito dia 9 de Junho, onde pediu as contas da obra a Mário Alves. “O que é que há a esconder relativamente aos custos daquela pseudo-obra?”, questiona-se o vereador socialista, sustentando que a “sonegação de informação” requerida ao abrigo do estatuto da oposição, é uma “intolerável e reiterada violação da lei numa autarquia em final de mandato”.

Rolo sublinha ainda que, de acordo com a lei, aquela informação deveria ter-lhe sido facultada num “prazo de dez dias”.

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