Carlos Amaral

Abril, mês da Liberdade e das controversas rotundas. Autor: Carlos Manuel Amaral

Depois de ter sido desafiado a escrever um artigo de opinião e ter aceite, achei por bem falar da minha terra onde cresci e tenho mantido a minha base de vida e familiar e, nada melhor que falar de liberdade ou da falta dela nestas nossas aldeias cada vez mais desertas e sem se vislumbrar futuro agradável para nós e nossos descendentes.

Enquanto Ervedalense sinto orgulho na minha terra que é linda e dotada de uma localização soberba! Mudou bastante nas ultimas décadas, umas vezes bem outras vezes mal e actualmente tem mais uma mudança de visual em curso que me tem levado a muitas reflexões. As rotundas que há anos estavam ao abandono, uma do lado de Vila Franca, outra na entrada vindo de Lagares.

Enquanto eleito da oposição e membro da Assembleia de Freguesia, lamento que se façam alterações substanciais usando o poder da governação para as fazer sem consultas ou opiniões quer da população quer dos órgãos democraticamente eleitos pelo Povo! Aliás, enquanto eleito e membro da Assembleia de Freguesia já eu tinha levado pessoalmente a discussão, o problema do vergonhoso estado em que se encontravam as duas rotundas, tendo ouvido na altura da parte da governação da Freguesia que existia um projecto para as rotundas mas que ainda não havia luz verde para as obras.

Discutiu-se também as ideias do que iria ser colocado na mesmas de maneira a embelezar o espaço e sempre se falou na hipótese de colocar o Brasão de Vila Franca numa rotunda e o do Ervedal noutra! Ora o primeiro está construído, mas o do Ervedal ainda não está feito e não houve mais informações sobre as mesmas!

Eis que de repente se começa a ver obras na rotunda do lado de Vila Franca e eis que se fala e se coloca um “monumento” de homenagem às Queijeiras…. Não sei como terá sido discutido tal opção no entanto está colocada prevendo-se a inauguração para breve!

Todos nós assistimos à construção de um autêntico exagero de cimento no meio desta rotunda para colocação da referida “obra de arte”. De referir que esta rotunda é reconhecidamente muito perigosa por estar sem qualquer tipo iluminação e por a estrada para quem vem do lado de Lagares possuir uma lomba que perturba a perfeita visualização de tal rotunda. Um perigo para quem viaja pela estrada!

Ultimamente já se assiste às obras na outra rotunda (mais um enorme monte de cimento, este ainda mais exagerado) para ser colocado, imagine-se um “monumento de homenagem ao Serrador”. Esta é a informação que circula mas sem qualquer informação oficial quer aos Ervedalenses quer ao Órgão existe que foi eleito pelo Povo que é a Assembleia de Freguesia!

E eu pergunto:

– Porquê homenagem ao Serrador?

– Como foi escolhida esta opção? Quem decidiu?

Pois é verdade, fala-se tanto em liberdade e pelo que se sabe está prevista a inauguração para vésperas do 25 de Abril deste ano e alguém decidiu sem consultas a ninguém colocar um monte de cimento na rotunda para suportar uma homenagem ao “Serrador” como se fosse algo importante do Ervedal….

Será que não haveria homenagens mais importantes e que tenham raiz na nossa terra?

A música por exemplo faz parte do Ervedal numa forma constante desde o século XIX.

O artesanato, a Olaria é uma arte que se radicou há dezenas de anos e fez parte do nosso “património”. O nosso Moleiro também!

Até mesmo o Teatro tem uma profunda influencia no Ervedal!

Com toda a certeza haveria outras opiniões sobre o assunto mas, alguém pediu a opinião aos Ervedalenses? Não.

Infelizmente nas nossas terras não se consultam as pessoas. O poder local pensa e decide arbitrariamente sem ouvir ninguém. Não é correcto, nem está certo! Aliás são dinheiros públicos que devem ser aplicados da melhor e mais aceitável forma que beneficie os residentes em particular e os munícipes em geral!

Vamos inaugurar duas obras, duas rotundas no mês da liberdade, sem ter havido liberdade de escolha das pessoas que estão ao redor das obras. Não está certo.

Aliás o Órgão Autárquico eleito no Ervedal foi ignorado pura e simplesmente porque nem consultado foi. Não vou discutir se teria de ser aprovado por este Órgão por se tratar de uma obra Camarária mas, seria de todo interesse e transparência que houvesse uma consulta à Assembleia de Freguesia. Aliás na próxima reunião da Assembleia eu próprio colocarei uma moção de repudio pelas opções tomadas para que fique registado em acta.

Não basta fazer-se obra. Não basta o argumento que antes estava pior e agora fica a obra feita. O poder local nunca poderá ignorar quem os elegeu e neste caso faria todo o sentido uma consulta antes da decisão!

Por ultimo, penso que deveria ter sido seguida a regra que impossibilita a construção destes “Monumentos” em rotundas que servem a estradas Nacionais, onde é proibitiva tal construção. Vamos esperar que não haja acidentes graves nestas rotundas pois é por demais evidente a deficiência das mesmas em termos rodoviários!

Sobre os custos destas obras nem vou falar para já. Para mim bastava uma boa relva nas rotundas e penso que ficariam bonitas e com custos muito mais reduzidos, mas… quem manda decide!

Carlos AmaralAutor: Carlos Manuel Amaral

Eleito da CDU na Assembleia da Freguesia da União das Freguesias de Ervedal e Vila Franca da Beira

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  • João Albuquerque

    Aproveitar para duplamente parabenizar o autor, pois além do texto e da sua qualidade, assinala hoje mais uma primavera.
    Amigo Carlos, concordo absolutamente com o teu artigo, pois colocaram-nos sem ninguém dar conta uma estátua, que dizem ser um queijeira, na rotunda de Vila Franca, e agora vai um serrador para a rotunda das bombas de gasolina. Pergunto se não calhará um jazigo no triângulo da Póvoa de São Cosme, pois fica logo ali o cemitério, e um futebolista em frente à “Casa Grande” já que o campo de futebol é logo a cima.
    Este presidente, que pelos vistos conhece tão bem a terra onde nasceu como a conhecem os Mongóis, sem dúvida que a cultura e a arte foram sempre o nosso apanágio e deveriam ser os motivos usados quer numa quer na outra rotunda. Podia também homenagear os ex-presidentes da câmara, podendo uma ser a rotunda “Dr António Simões Saraiva” e a outra “Dr César de Oliveira”, mas qual quê, aí estão dois mausoléus que terão que ser destruídos no futuro, pois nada dizem ao Ervedal.
    Já que vais apresentar uma Moção, pergunta também porque é que a junta do Ervedal (na altura) pagou metade do Brasão e nada aparece? Pergunta como se justificam as contas financeiramente?

    João Albuquerque

    • António Lopes

      A minha exigência, agora, é uma rotunda para os más línguas.Em tempo quiseram fazer-me uma estátua na qualidade de benemérito.Não aceitei…Tem tantas..! Mas de má língua aceito.Não conheço nenhuma e,eu, gosto de ser diferente.Mas perante tanto bacoquismo como posso deixar de ser má língua.Sendo que,serrador nunca fui.Mas fui ajudante do célebre serrador Barbosa.! Ainda há quem se lembre dele? E o meu praça, Tavares era ao tempo ajudante do Senhor Henrique.Outro grande oficial do mister..! Entretanto,daqi do aeroporto da Praia, de seu nome NELSON MANDELA, os parabéns ao Carlos Amaral, pelo artigo e pelo acto de cidadania que, não sendo novo nele, ainda assim é de registar..!

  • Cara Linda

    Não é nada, cá para baixo vem a esfinge do Ti Manel oleiro.

  • Vermelhão

    Não sejam maus. Deixem fazer rotundas e colocar estátuas. Não foi o nosso presidente que disse que, tinha inventado uma solução mágica para o problema da saúde, e que ainda lhe iam fazer uma estátua? Parece que lhe correu mal, e ninguém acreditou nele. Mas ele acredita, e portanto faz rotundas na esperança de ter a tal estátua. No entanto, parece-me que, vai ter de fazer uma rotunda no seu quintal.

  • Rotundolês

    Rotundas , ou não rotundas, em estradas de circulação…ou mesmo ruas, é e será, sempre, uma discussão inacabada… tal final , estará, sempre dependente dos condicionalismos do trânsito…
    Sabemos que bem próximo deste nosso “torrão”, existe A ” RUTUNDAS VIZEUM”, vulgo, “Rotundolândia”, a cidade – e arredores – de Viseu.
    Imaginando que em todas as rotundas daquela “Rotundolândia” se colocassem peças de arte, escultóricas, ou não, de melhor ou pior sentido artístico, em quanto é que não ficariam os orçamentos para “dar aquelas curvas”?
    Regressando às questões do oliveirense burgo, cedo se percebeu que a proliferação de rotundas, até na cidade – e arredores – aquando dos primeiros momentos de requalificação dos seus espaços, nos espantámos , todos, com o equivalente número de esculturas, nelas inseridas…e, todas, do mesmo artista…(Foi imensa, a chuva de críticas, em particular, pelos custos de tais obras…também, em relação ao lugar da sua fixação,pois, após muito alvitre, se considerou ser o Parque do Mandanelho o seu melhor – e adequado – espaço de localização, qual espaço cultural ,a céu aberto, sem curvas.)
    Sendo certo que, dentro do espaço urbano, já que de ruas e de bons passeios pedonais está servido, e até de iluminação, qualquer cidadão que queira , pela enésima vez, de dia ou de noite, observar uma boa peça de arte escultórica, nelas implantada, pode fazê-lo.
    O mesmo já não poderá dizer-se de esculturas colocadas em rotundas de estradas municipais.
    No presente caso, colocar esculturas nestas rotundas, independentemente da marcação ,simbólica, de territórios, ou de aspectos culturais, etnográficos, que demarcam as nossas riquíssimas tradições, dizíamos, o mais ajuizado é pensar que qualquer escultura, pela sua natureza e objectivo, é a de ser bem identificada, observada e avaliada…em tempo presente, e no futuro.
    Não sei o que “cresce, na rotunda das bombas, em Ervedal da Beira.
    Apenas chamo a atenção para a caricata observação da rotunda onde está a escultura da queijeira…
    Qualquer que seja a trajectória do veículo, ao aproximar-se daquela rotunda – durante o dia – muito cedo o condutor – e passageiros – se apercebem da inúmera sinalização vertical (obrigatória!) azul e branca, com as obrigatórias dimensões e distâncias de aproximação e que ofuscam, qual poluição visual, o centro que, à escultura, foi atribuído…Nada melhor do que, depois destes obstáculos, e ao ser encontrado o ângulo correcto de observação da escultura, se dêem várias voltas à rotunda, a fim de a observar com cuidado..sem parar o veículo..
    E, isto, durante o dia.
    À noite? Bem, à noite, qualquer pastor, ou queijeira, que se preze, já está a dormir.