“Absentismo médico” penaliza centenas de utentes em Ervedal da Beira

Está instalada a polémica em torno dos cuidados de saúde prestados na extensão de Saúde de Ervedal da Beira, no concelho de Oliveira do Hospital.

O sinal de alerta acaba de ser lançado pelo presidente da Comissão Social Inter-Freguesias da Cordinha e presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca da Beira que se recusa a “compactuar” com a “falta de assiduidade” dos dois profissionais que prestam serviço médico na extensão de saúde de Ervedal da Beira.

“Há uma grande falta de comparência dos médicos”, afirmou João Dinis ao correiodabeiraserra.com que situa o início do absentismo médico, no momento da entrada em funcionamento Serviço Básico de Urgências no concelho de Arganil.

O responsável que, agora, dá voz à maior preocupação sentida na última  reunião da recém criada Comissão Social Inter-Freguesias, adianta ainda que a situação que se verifica em Ervedal da Beira afeta “centenas de utentes” das localidades de Ervedal da Beira, Fiais da Beira e Póvoa de S. Cosme, aos quais também se associaram “cerca de três centenas de utentes”, a maioria idosos, de Vila Franca da Beira que, no primeiro trimestre do ano, ficaram privados do serviço prestado no posto médico local.

“Fechou por vontade dos próprios médicos que também se valeram do argumento da falta de sistema informático necessário”, adiantou Dinis que, na condição de presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca da Beira identifica as desvantagens daí decorrentes para os utentes, nomeadamente no que respeita à deslocação.

Segundo contou, há já o entendimento com um dos médicos para que seja reservado um dia específico para atendimento aos utentes de Vila Franca da Beira, permitindo assim à autarquia assegurar transporte.

A medida não está contudo a beneficiar os utentes seguidos pelo outro clínico que, segundo Dinis até ao momento ainda não definiu um dia certo para prestar atendimento aos vilafranquenses em questão.

“Responsabilizamos a Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro se houver algum acidente”, assegura o presidente da Junta de Freguesia que garante já ter exposto o caso junto do Centro de Saúde de Oliveira do Hospital, Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Interior Norte 1 e da ARS Centro.

“Em Ervedal da Beira as clínicas privadas começam a aparecer como cogumelos”

Em face da falta de respostas para esta questão e para o problema maior do absentismo médico na extensão de saúde, João Dinis garante não desarmar. E numa atitude contundente acusa o Centro de Saúde, ACES e ARS Centro de “negligência ao mais alto grau”.

“Se não são capazes de resolver os problemas que se demitam”, chega a considerar o responsável, recusando que os utentes da extensão de saúde de Ervedal sejam encarados como “resíduo profissional”.

Contra o que apelida de “espécie de impotência”, João Dinis chega ao ponto de acusar os “médicos absentistas” e os responsáveis pela saúde regional de estarem a “desacreditar e a dar cabo do serviço público”, em benefício do “privado”.

“Em Ervedal da Beira as clínicas privadas começam a aparecer como  cogumelos”, denuncia o responsável local, para quem “chegou a hora de dizer basta”.

Este diário digital tentou obter uma reação do ACES à situação levantada por João Dinis, mas até ao momento ainda não foi possível chegar à fala com o diretor executivo, António Sequeira.

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