Acessos deficientes preocupam proprietário de Parque de Esculturas na Bobadela

O investimento de centenas de milhares de Euros que John Walker está a fazer na Quinta de Sylvan, em cerca de 20 hectares de terreno que adquiriu na freguesia da Bobadela pode estar comprometido pelo mau estado em que se encontram as principais vias de acesso e, que atravessam as localidades de Loureiro e Vila Nova de Oliveirinha, no concelho de Tábua.

Este é, pelo menos, o receio do britânico que por esta altura só consegue aceder à sua propriedade – onde já instalou 30 esculturas de grandes dimensões, construiu dois lagos e uma vivenda rodeada de gigantescos jardins – de jipe.

O britânico que, no início do novo milénio, decidiu reproduzir em Portugal, de forma triplicada, o jardim que tinha em Bury, Manchester, não se conforma com o modo como estão a decorrer os trabalhos para a instalação do saneamento básico nas vizinhas localidades de Loureiro e Vila Nova de Oliveirinha, onde as estradas apresentam grandes fissuras e chega a ser impossível o cruzamento de duas viaturas em alguns locais.

O cenário é, contudo, ainda pior na proximidade da quinta de John Walker, onde o excesso de lama impede a circulação de viaturas normais.

“Aqui o caminho sempre foi em terra batida, mas só deu problemas desde que andaram a abrir as valas”, afirmou John Walker ao correiodabeiraserra.com, adiantando que já se dirigiu à Junta de Freguesia de Covas e à Câmara Municipal de Tábua para se queixar do problema, mas “ainda ninguém fez nada”.

 “Sinto que se as pessoas vierem agora, não voltam mais”

Quando ultima os preparativos para poder inaugurar o espaço no dia 1 de Maio de 2011, John Walker receia que as agências turísticas europeias, que devem visitar o local nos próximos dias, fiquem mal impressionadas com o que vão encontrar.

“Vão pensar que Portugal é um país do terceiro mundo”, lamentou, considerando que “não é justo” que tenha que ser ele a pagar a uma empresa para arranjar os acessos ao parque.

“Não estamos num país africano”, continuou, referindo que na localidade de Loureiro “as obras foram feitas no Verão e os trabalhadores apenas taparam os buracos, mas não arranjaram a estrada”.

“Sinto que se as pessoas vierem agora, não voltam mais”, desabafou o investidor que, aos 60 anos optou por trocar Inglaterra por Portugal. “Esta é uma bonita área no Centro de Portugal e estou a proporcionar às pessoas a oportunidade de a poderem conhecer”, disse, estimando que, depois da inauguração, o parque possa receber cinco mil visitas por ano.

Iniciado em meados de 2008, o Parque de Esculturas da Bobadela é composto por um conjunto de esculturas de animais, arquitectura moderna e rostos humanos.

Produzidas com os mais diversos materiais, as peças de grande dimensão vieram maioritariamente do jardim de oito hectares que o britânico tinha em Bury desde há 26 anos.

No entanto, entre o espólio do coleccionador que se confessa aficionado por leões, encontram-se cinco esculturas da autoria do viseense Luís Queimadela, sendo que duas foram produzidas especialmente para John Walker e, as restantes três integraram a exposição que o escultor apresentou na cidade de Oliveira do Hospital.

Já a habitar com a esposa na residência que construiu, John Walker não pretende tornar a quinta num espaço público. “As pessoas vêm por convite ou prévia marcação com o objectivo de apreciarem o meu jardim”, explicou, contando que o seu principal público-alvo é a comunidade escolar. As entradas no parque – cada acesso deverá custar cerca de 6 Euros – irão privilegiar grupos que se desloquem à quinta de autocarro.

Autarca de Covas responsabiliza Walker pela contínua degradação dos acessos

Embora tenha consciência do mau estado em que se encontram as estradas que atravessam Loureiro e Vila Nova de Oliveirinha, a presidente da Junta de Freguesia de Covas não deixa de responsabilizar o investidor britânico pela degradação contínua das mesmas.

“O senhor também passa lá com camiões pesados e se as terras estavam moles, pioraram”, referiu a este diário digital Fernanda Cabral, que garantiu que na semana passada descarregou no caminho mais próximo da quinta um “camião de pedra e um camião de touvenant”.

“Tentei remediar o caso”, continuou, ficando no entanto desiludida quando informada por este jornal de que o caminho está de novo intransitável.

Sem conseguir prever uma data para a conclusão dos trabalhos de saneamento básico, Fernanda Cabral lamenta que a situação da estrada piore quanto maior for o período de chuvas e, quanto maior for a circulação de pesados na direcção da quinta de John Walker.

A autarca lembra que os trabalhos, que estão a ser feitos, são de extrema importância para as populações e que é necessário alguma compreensão. Apesar de também responsabilizar John Walker, Fernanda Cabral reconhece a importância do projecto do investidor inglês quer para o município de Oliveira do Hospital, quer para o de Tábua.

Este diário digital tentou chegar à fala com o presidente da Câmara Municipal de Tábua, mas até agora ainda não foi possível.

LEIA TAMBÉM

CDU reclama transporte público até Ervedal da Beira e acusa Câmara de se esquecer de obras importantes

Os elementos da CDU representados na União das Freguesias de Ervedal da Beira e Vila Franca …

Tábua inaugurou posto de carregamento de veículos eléctricos

A Câmara Municipal de Tábua inaugurou hoje o Posto de Carregamento de Veículos Eléctricos. O …