O anúncio de que o futuro centro de acolhimento de jovens e mulheres em risco na freguesia de Travanca de Lagos está concluído, mas ainda não foi encontrado um modelo de gestão que assegure o seu funcionamento, levou o vereador socialista da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital a criticar a forma de planear posta em prática pelo presidente da autarquia.

“Acho que o senhor (Mário Alves) gosta de planear a olho”, afirmou José Francisco Rolo

Imagem vazia padrão“Acho que o senhor gosta de planear a olho”, afirmou ontem José Francisco Rolo, em reunião pública do executivo camarário, criticando o facto de, por vezes se duplicarem os serviços – deu o exemplo dos Cuidados Continuados que futuramente deverão ser disponibilizados em Avô e no Hospital da Fundação Aurélio Amaro Diniz – e de se avançar para a criação de um centro de acolhimento, sem que tenha sido planeado o respectivo modelo de gestão. “É o tal planeamento a olho. Do andando e vendo”, sustentou o vereador, tomando ainda o exemplo do lar de idosos da mesma freguesia, onde “terão que ser feitas obras”, para posteriormente “ser entregue a alguém”. Rolo lembrou que no Centro de Acolhimento foram aplicados entre “27 a 30 mil contos do orçamento municipal que necessitam de ser rentabilizados”.

O modelo de gestão ainda não foi encontrado e Mário Alves não está em condições para adiantar uma possível data, para a entrada em funcionamento da nova resposta social concelhia. Segundo explicou o autarca, a Câmara Municipal equaciona estabelecer um protocolo com uma ou várias Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) locais que possam, junto da Segurança Social, tentar celebrar acordos de cooperação para a nova estrutura, devendo a gestão do espaço ser assegurada por uma das IPSS. Caso contrário – como explicou Alves – “a Câmara arrisca-se a ter de arranjar um modelo de gestão e a apoiar essa instituição para a manter em funcionamento, tal como acontece com o lar de idosos”. Seja qual for o modelo a adoptar, Mário Alves explica que a nova resposta resultou da necessidade de se recuperar um edifício existente, a antiga escola primária da localidade. “Ocorreu-me, face aos casos de protecção de menores e sem estar preocupado com a questão dos acordos, dar àquele edifício uma ocupação nesse âmbito”, clarificou o presidente do município, acrescentando que, para isso, teve também em conta o facto de, a pouca distância, existirem o lar e a casa da criança, de onde e em qualquer altura, poderiam ser deslocados funcionários para a nova valência. “Não foi uma questão de olhómetro”, garantiu Mário Alves.

Carta Social “duplica informação”

A discussão em torno da nova resposta social em Travanca de Lagos chegou à mesa de trabalho do executivo pela voz de José Francisco Rolo que, no período antes da ordem do dia, interpelou o presidente da Câmara sobre o ponto da situação daquele espaço. Mas, foi no período reservado à ordem do dia, no ponto destinado à “Carta Social”, que a discussão se intensificou entre presidente e vereador. É que, na sequência de várias sugestões de Rolo para que o município avance com a elaboração da Carta Social, Mário Alves procedeu ontem à leitura de um relatório produzido por “gente da casa” tendo por base o diagnóstico social concelhio e a opinião do especialista Paulo Teixeira, onde era desvalorizada a importância da Carta Social, por se considerar que seria uma forma “de duplicar informação”. O documento dá prioridade à realização do diagnóstico social e ao plano de desenvolvimento social.

Rolo não ripostou face ao exposto, mas antes aconselhou o município a consultar as Cartas Sociais de Penela, Cascais e Cantanhede, para perceber o que consta em cada uma delas.

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