Acordo com trabalhadores evitou suspensão dos contratos na Bonibrinca

Com dois salários e dois subsídios em atraso, os 14 trabalhadores da Bonibrinca acabaram por ceder à proposta apresentada pela administração da empresa de confecção de brinquedos e não avançaram com a suspensão dos contratos de trabalho.

“Houve um acordo de pagamento”, explicou Fátima Carvalho do Sindicato do sector Têxtil do Centro, garantindo que os trabalhadores “vão continuar a trabalhar”.

Com a indicação de que a empresa aguarda pela chegada de novas encomendas, a responsável sindical revelou-se confiante no aparecimento de “uma luz ao fundo do túnel”.

“Imperou o diálogo entre as partes e a vontade de todos para dar continuidade à empresa”, referiu, esperando que as novas encomendas sejam mesmo uma realidade e que a situação se resolva.

Contactado pelo correiodabeiraserra.com, o administrador José Manuel Almeida confirmou o acordo entre ambas as partes e revelou-se satisfeito por conseguir resolver o problema. Insistindo em verificar que se trata de um “assunto interno” da Bonibrinca, o administrador revelou estar “a fazer o melhor possível para a empresa e para os trabalhadores”.

NVA pode retomar laboração em Fevereiro

Com a laboração interrompida desde a primeira semana de Janeiro, a unidade de confecções NVA pode retomar a actividade em Fevereiro.

Esta foi, pelo menos, a vontade expressa pela administração da empresa no decorrer de uma reunião realizada na semana passada na Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, com o presidente da autarquia e o Sindicato do Sector Têxtil do Centro, onde deu conta da existência de um antigo cliente da NVA que está interessado em retomar as encomendas.

“Agora estamos na expectativa de saber se a empresa retoma a actividade, ou segue para a insolvência”, referiu Luís Ferreira ao correiodabeiraserra.com, verificando que a empresa que laborava desde 1997 tem um “passivo muito grande para com a Segurança Social”. O que o responsável sindical teme é que a administração queira retomar a actividade, sem que primeiro proceda ao pagamento dos salários em atraso.

“Na reunião, a responsável pela administração disse que a sua vontade era retomar a actividade em Fevereiro e pagar em Março o respectivo salário, e que pagaria lentamente os salários que agora se encontram em atraso”, contou Luís Ferreira a este diário digital, explicando que no mesmo dia transmitiu esta intenção aos trabalhadores, que não hesitaram em avançar com a suspensão dos contratos de trabalho.

Sem deixar de verificar que a falta de diálogo é “um dos grandes problemas da empresa”, Luís Ferreira posicionou-se em defesa “do emprego para Oliveira do Hospital” e disse esperar que a administração avance com outras condições junto dos trabalhadores em caso de retoma da laboração. “Acho que é difícil, eles cederem se não houver nenhum adiantamento”, sustentou.

A suspensão dos contratos de trabalho aconteceu no início deste mês, pelo facto de os cerca de 30 trabalhadores, na maioria mulheres, terem três salários, o subsídio de férias e o décimo terceiro mês em atraso. “Os trabalhadores já não aguentavam mais estarem sem receber”, referiu na ocasião Fátima Carvalho ao correiodabeiraserra.com, denunciando a falta de comunicação entre a administração e os trabalhadores.

“Ao longo destes anos, nem uma palavra deram aos trabalhadores”, lamentou, apontando o dedo a uma situação “desumana” para com os trabalhadores que foram “a riqueza da empresa”.  Este diário digital tentou chegar a fala com a administração da NVA, mas as tentativas revelaram-se infrutíferas.

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