Crónica da Vida Real

Muito se fala e escreve nos tempos que correm e especialmente em quadras festivas do dever de respeito e tratamento digno entre as pessoas seja qual for a sua condição social, o que, algumas vezes, não passa de retórica vazia de sentimentos e apenas destinada a por em evidencia o seu autor.

Afinal o Marcelo tem valor…

Imagem vazia padrãoÉ nessa linha de procedimentos que se fazem visitas aos velhinhos desprotegidos, aos vagabundos sem abrigo e a tantos outros grupos sociais que, quantas vezes, nem lhes dispensamos um banal cumprimento de rua ou simples levantar de olhos fora do local e época de festas.

Esta não é a regra geral, mas está longe de ser uma excepção.
Será caso para citar a crueza do provérbio que diz mais ou menos isto:”As pessoas valem para nós na proporção daquilo que possuem e lhes podemos tirar”.

Não perfilho estes princípios e nem em altura alguma da minha existência os perfilhei e, nisso, estou certo de que não estou só. Ainda bem.

Vem isto a propósito de um destes dias ter encontrado num site de um jornal da cidade de Oliveira do Hospital, o Correio da Beira Serra, um cartoon em grande plano de um desprotegido da sorte, o Marcelo, de Penalva de Alva, figura típica sobejamente conhecida na cidade de Oliveira, em Coimbra ou mesmo em Lisboa para onde se desloca com frequência, deambulando sem rumo por grande parte do país.

Ora, o Marcelo, agora na roda dos 70 anos de idade passou parte da sua infância em Lisboa, ficando órfão de mãe ainda criança. Filho de honrada família, cedo começou por ter uma vida difícil desde Lisboa a Penalva de Alva onde acabou por fixar residência há mais de 30 anos.

Ignorando a ajuda da família, criou um estilo de vida muito próprio na forma de estar, de vestir e até mesmo de se alimentar o que fez dele uma figura típica, mas respeitadora e pacífica se bem que, por vezes, um pouco rezingão.

Não obstante isso, não deixa de ser uma pessoa arredada da sociedade como um sem-valor qualquer, o que é injusto porque, em boa verdade, toda a gente tem o seu valor.

E, a prová-lo está o facto de, por razões e para efeitos que agora para aqui não têm interesse, o nosso Marcelo ter merecido ser modelo de desenho numa das suas poses de descanso preferidas e está correndo o mundo inteiro através da Internet em muito bem elaborado cartoon..

É caso para dizer que o “ser grande” é muito relativo.

Antoniodepenalva

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