Afinal, sempre é possível influenciar o desenvolvimento de Oliveira do Hospital.

Afinal, sempre é possível!

Afinal, sempre é possível a uma Câmara Municipal – e a quem a governa – deixar de estar de braços cruzados à espera que as empresas aterrem aqui de pára-quedas por Obra e Graça Do Divino Espírito Santo.

Afinal – contrariamente ao que dizia o anterior presidente do município –, as câmaras municipais podem não fabricar empresários, mas também podem constituir-se como uma alavanca fundamental na criação e manutenção do emprego.

Nestes parcos meses de governação, o actual presidente da Câmara, José Carlos Alexandrino – vamos ver os frutos que a sua intervenção poderá dar –, tem pelo menos revelado uma postura completamente diferente da do seu antecessor em relação ao inconformismo que estava instalado nos corredores do poder local.

Numa ‘coisa’ temos que lhe tirar o chapéu: é que em vez de amaldiçoar a escuridão, o autarca tem, pelo menos, tentado acender algumas luzes para iluminar o caminho.

Pese embora o facto de a sua experiência política não ser comparável à dos dinossauros que por este país se vão tentando perpetuar no poder – ignorando que a alternância política é um dos principais alicerces das democracias desenvolvidas –, Alexandrino tem sido uma voz incómoda para o próprio partido que o elegeu.

Veja-se, por exemplo, o caso da suspensão, estupidamente decidida pelo Governo, da Concessão Rodoviária da Serra da Estrela. O que é que se nota? Nota-se que há reivindicação, frontalidade e empenho em participar na resolução de um dos problemas fulcrais da região – as acessibilidades.

E o que é que havia antes? Havia o conformismo, o “laissez-faire, laisser- passer” e, especialmente, muita cumplicidade e hipocrisia político-partidária. Enquanto que o presidente da Câmara de Carregal do Sal conseguiu, por exemplo, “sacar” ao ministro Ferreira do Amaral uma auto-estrada para o seu concelho, Oliveira do Hospital entreteve-se a discutir o sexo dos anjos à sombra do adro.

Apesar destas linhas, acho, porém, que o actual executivo camarário – num município onde, contrariamente ao que muitos pensam, ainda está quase tudo por fazer –, já está no entanto a pecar pela forma como se está a deixar “trucidar” por uma máquina autárquica com centenas de funcionários, mas onde a cada dia que passa há sempre alguém a tentar pôr areia na engrenagem.

A competitividade entre municípios, ganha-se com imaginação, muito rasgo e, sobretudo, com velocidade. O ritmo tem que ser outro!

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