“Agregação deveria ter sido feita em função do número de alunos e do território”

… as escolas umas ao lado das outras, e a agregação de cerca de 30 escolas que vão do Vale do Alva até às Seixas.

Assumido defensor da agregação de escolas, o coordenador do Projeto Educativo Local que está a ser preparado para o concelho de Oliveira do Hospital manifestou-se, no último sábado, contra a forma como o processo de agregação foi conduzido no concelho e que resultou na agregação, do que chamou “caso único” em Portugal, de quatro agrupamentos e uma secundária, num único mega agrupamento.

“Não sou contra a agregação, acho é que deveria ter sido feita com base no projeto Educativo Local”, referiu António Rochette que, em declarações prestadas à margem do workshop destinado a recolher o contributo de pais e encarregados de educação para a elaboração do PEL, disse ainda que a agregação no concelho “deveria ter sido feita em função do número de alunos e do território”.

Com um diagnóstico pouco risonho relativamente à demografia concelhia e certo do decréscimo populacional nos próximos anos – “em 20 anos vamos perder populacão igual à que reside no concelho de Góis” – António Rochette não deixa de ter em atenção a morfologia do território.

“Não coloco no mesmo pé o D. Maria e Eugénio de Castro, em Coimbra que têm três mil alunos e com escolas todas ali ao lado, e três mil alunos de cerca de 30 escolas que vão do Vale do Alva até às Seixas”, disse, considerando que a solução que melhor se adaptava ao concelho oliveirense era de criação de dois mega agrupamentos com escola Secundária no âmbito de uma rede escolar, da qual também deveria fazer parte a Escola Profissional. “Mais de 50 por cento de alunos saem pela via profissionalizante e não faz sentido deixar de fora a escola profissional”, registou, notando ser esta uma das premissas do Projeto Educativo Local, numa aposta clara de “encontrar caminhos que levem à educação de excelência”.

Ainda que contra a criação de um mega agrupamento que, não tem dúvidas, vai levar à “diminuição de quadros dirigentes e passar muitos professores a horários zero”, António Rochette não fecha os olhos à realidade, assumindo o novo panorama educativo como um dado adquirido.

“No início do novo ano existe só um agrupamento, mas não invalida que não trabalhemos e encontremos novas soluções em termos de gestão”, refere o responsável, garantindo a continuação do Projeto Educativo Local que, figurará como “nova visão do que deve ser a educação em territórios de baixa densidade”.

Para além disso , alerta o responsável, avizinha-se a fase da municipalização da educação, com custos para as autarquias, pelo que “os municípios devem estar preparados para essa situação”.

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