Agricultor pede apoio ao Estado por danos causados pelo fogo

O agricultor Germano Neves, de 84 anos, perdeu no ano passado árvores e haveres no fogo que cercou Rio de Mel, concelho de Oliveira do Hospital, e queixa-se de não ter recebido qualquer apoio do Estado.

“Sabe o que é que eu precisava de comunicar ao nosso Governo? Tive muito prejuízo”, declara Germano Luís das Neves à agência Lusa, enquanto faz a vindima tardia de umas uvas tintas à beira da estrada que atravessa a aldeia.

Recorda que “tudo ardeu” em várias propriedades, suas e de oito sobrinhos da diáspora: videiras, oliveira, pereiras, “pinheiros de boa madeira” e três palheiras onde guardava alfaias e pasto para os animais.

“E um homem precisava de ser indemnizado. Eu ando aqui todo esfarrapado, como o senhor está a ver”, afirma, com um sorriso terno.

Entre a resignação e o protesto, o camponês de 84 anos, que só viveu fora de Rio de Mel na juventude, quando cumpriu a tropa em Lisboa, entre radiotelegrafistas e corneteiros, não deixa de expressar o que julga serem os seus direitos.”Todo esfarrapado como eu ando? Se ele me visse assim, o nosso Governo, o nosso Estado, era capaz de dizer: este, de facto, precisa de umas calças”, insiste.

Já teve um potencial comprador das árvores queimadas há mais de um ano, mas não chegou a fechar negócio. “Querem metade para eles e ainda menos de metade para o dono do pinheiro”, satiriza Germano das Neves, que não simpatiza com eucaliptos.

Após o incêndio, em setembro de 2013, milhares de sementes voaram do eucaliptal de um vizinho para um dos seus terrenos. As pequenas árvores nasceram desordenadamente.

“Daqui a amanhã, se os não ralarem, até nem pode lá romper um coelho. Aquilo é uma praga e nem é grande madeira”, garante, ele que também foi serrador nos tempos de rapaz.

noticiasaominuto.com

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