Agricultura Biológica está em fase de expansão e Vinho do Dão carece de promoção no exterior

 

Ainda que tenha ficado marcado pela reduzida afluência de público, o colóquio “Agricultura Biológica: Como e Porquê?” alertou para a importância da agricultura em modo de produção biológica nas suas várias vertentes, como por exemplo olivicultura, viticultura e até a criação de ovinos e caprinos seguindo aquele modo de produção.

A necessidade de cumprimento da regulamentação instituída foi outra das indicações deixadas pelos intervenientes, com destaque para António Lencastre, técnico reconhecido em modo de produção biológica, que no último sábado alertou para os perigos da desertificação dos territórios e para o crescente número de doenças provocado pelo uso excessivo de produtos tóxicos nas práticas de cultivo.

Tomando por base dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística, António Lencastre regozijou-se pelo facto de em 2008 estarem sinalizadas 2138 explorações agrícolas em modo de produção biológica, já que em 2004 eram apenas mil.

“Os jovens agricultores já começaram a ter mentalidade e vão de certeza iniciar este modo de produção biológica”, verificou aquele técnico, apelando ao uso de espécies autóctones – o caso do Malápio e maçã Bravo de Esmolfe, no caso da fruticultura – que “são bastante resistentes” e não exigem tantos tratamentos. Sublinhou que, na agricultura em modo de produção biológica a prevenção sobrepõe-se a qualquer tipo de tratamento.

No colóquio dinamizado pela CAULE e SOLO VIVO com o apoio da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital estiveram ainda em destaque a certificação e comercialização de produtos biológicos.

Responsável por proceder à abertura dos trabalhos, o vice-presidente da autarquia oliveirense, José Francisco Rolo, referiu-se ao crescente número de pessoas interessadas em aderir a este modo de produção, pelo que destacou a necessidade de se continuar a apostar nesta prática.

 

Vinho do Dão carece de promoção no exterior

Do colóquio realizado no período da tarde, alusivo à “A Região do Dão e a Diplomacia Económica”, o principal interveniente chegou à conclusão de que “se existe produção de vinho do Dão, deve estar no exterior”.

A dissertação a cargo de José Albuquerque Martins teve por base um inquérito a que foram sujeitas 86 embaixadas portuguesas espalhadas pelo mundo, através do qual concluiu – apenas 19 por cento deram resposta – que “os próprios embaixadores não conhecem as marcas portuguesas de vinho e que, mesmo que quisessem comprar os vinhos nacionais, estes não se encontram no mercado exterior”.

Na opinião deste professor universitário, “a produção nacional deve começar a aproveitar o canal das embaixadas” e, ao mesmo tempo, estar presente em certames internacionais e em publicações do sector. Considerou ainda como contributo importante para a promoção do vinho no exterior, a aposta turística desta região, com particular incidência para a Serra da Estrela e todos os seus traços culturais.

Entendendo que cabe às próprias empresas, promover o seu produto no exterior, José Albuquerque Martins alertou para as exigências do sector e lembrou que com a chegada dos novos países produtores de vinho – China, Brasil, Índia e Rússia – “2015 marca um ponto de viragem”. “Há necessidade de reorganização sectorial”, avisou.

Na abertura do colóquio, promovido pela Associação para a Promoção da Região do Dão com apoio do município, o vice-presidente da autarquia oliveirense destacou a importância que o produto de “qualidade” como o vinho do Dão, tem na economia local, bem como nas exportações.

Também este colóquio ficou marcado pela reduzida afluência de público. Ambas as iniciativas integram o programa da XIX Festa do Queijo e Outros Produtos Locais de Qualidade, que tem o seu ponto alto no próximo sábado, 20 de Março.

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