Águas do Zêzere e Côa nega falência técnica denunciada pela AEPSA

 

A empresa Águas do Zêzere e Côa não tardou a reagir ao estudo revelado, na semana passada, pelo jornal Público e que dava conta de um cenário negro que afeta a empresa que integra o Grupo Águas de Portugal.

“Sem capitais suficientes para assegurar o cumprimento das dívidas e responsabilidades”, é desta forma que o estudo elaborado pela Associação das Empresas Portuguesas para o Setor do Ambiente (AEPSA) descreve o atual momento da AdZC, responsável pelo Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água e de Saneamento do Alto Zêzere e Côa, atribuindo-lhe uma realidade de falência técnica.

Em comunicado enviado ao correiodabeiraserra.com, a empresa que ainda conta com o município de Oliveira do Hospital no grupo das 16 autarquias acionistas contraria os dados avançados por aquele estudo.

Tomando por base o resultado de 2010 – “superior a 300 mil Euros antes de impostos”, refere – garante estar perante um “sinal evidente da viabilidade da empresa e da eficácia das medidas de redução de custos adotadas para a recuperação da mesma”.

O mesmo documento adianta ainda que os Capitais Próprios, evidenciados no Relatório e Contas de 2010, são positivos e que o valor global da dívida dos municípios à AdZD no final do primeiro semestre de 2011 era de 30 milhões de euros, dos quais 27 milhões de euros se encontram vencidos.

Num olhar pelo trabalho feito, a AdZC lembra ainda que, desde o início de actividade, em 2000, já investiu mais 250 milhões de euros, dos quais 113 milhões de euros na rede de abastecimento e 137 milhões na rede de saneamento, no total dos 16 municípios que integram o Sistema Multimunicipal.

A empresa chama igualmente à atenção para “as melhorias significativas” verificadas ao nível da “qualidade da água e do serviço e sua garantia, e nas taxas de atendimento no abastecimento de água”. “Praticamente todos os municípios registam níveis de eficiência próximos dos 100 por cento também em saneamento, em todos os municípios as taxas de atendimento passaram para o dobro e, em alguns deles, antes sem qualquer cobertura, chegam agora a níveis de eficiência acima dos 90 por cento”, assegura a AdZC.

Pese embora os números divulgados em comunicado, o facto é que a AdZC têm em mãos uma contenda com os municípios acionistas, decorrente do aumento das faturas de água e de saneamento e, que já colocou alguns municípios em situação de incumprimento.

Por este mesmo motivo, Oliveira do Hospital e Seia uniram esforços e preparam-se para abandonar o Sistema Municipal das Águas do Zêzere e Côa para integrarem o congénere das Águas do Mondego.

“Está em causa o custo que eu tenho com um produto…quero comprar a água a um preço razoável para não onerar os meus munícipes na fatura, porque os meus munícipes pagam a eletricidade ao mesmo preço que a pagam em Lisboa, Penacova, Arganil, tal como os telemóveis da Optimus, TMN e Vodafone”, afirmou recentemente o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital em entrevista ao correiodabeiraserra.com, onde chegou a temer que o município possa também entrar em situação de incumprimento. No início de 2011, o município de Oliveira do Hospital pagava à AZC uma fatura mensal de 100 mil euros relativa ao abastecimento de água e saneamento básico.

Naquela data, Alexandrino referiu ainda que os municípios afetos à AdZC pagavam a água mais cara do país e que o município de Oliveira do Hospital estava a pagar a água ao preço previsto para 2027.

LEIA TAMBÉM

Ministro Pedro Marques garantiu em Nelas que a aposta em infra-estruturas de transporte passa pela ferrovia e IP3, ignorando IC6 e IC12

O ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, assegurou ontem em Canas de Senhorim, Nelas, …

José Carlos Alexandrino lança suspeitas sobre queijeiras de Seia nas descargas ilegais no rio Cobral

Como regresso da chuva, os habitantes que vivem próximo do rio Cobral temem que voltem …