Aldeia de Nogueira surpreende e organiza “Arraial Beirão” que terá como atracção espectáculo do Jogo do Pau, a nova actividade da associação local

Depois do êxito da iniciativa Aldeia 1950, a pequena Aldeia de Nogueira que continua sem acesso aos subsídios da autarquia e prepara-se para organizar mais um evento que, acreditam, terá novamente sucesso. Gente orgulhosa, os habitantes desta localidade de Oliveira do Hospital fazem questão de organizar eventos com a “prata da casa” e não andar de mão estendida a pedir subsídios à autarquia oliveirense. Que não tem ajudado. Nada que atrapalhe. O Arraial Beirão, de dia 6 de Junho, que terá como novidade no seu vasto programa, a apresentação do grupo do jogo do pau, a mais recente actividade da Liga de Melhoramentos Desporto e Cultura de Aldeia de Nogueira (LMAN), que procura recuperar uma arte marcial portuguesa, promete arrastar muita gente à povoação.

Ninguém esconde o orgulho pelo crescimento de ofertas na colectividade. Sentado na esplanada do bar _DCS0286 (Small)da  (LMAN), António Pereira conversa com um punhado de amigos sobre este novo tema. Lembra os tempos em que se resolviam as contendas e desentendimentos nas festas e romarias com recurso ao cajado, o equipamento de combate dos pobres. Não havia quem não se fizesse acompanhar pelo fiel amigo. O esquecimento de tal “arma” em aventurosa expedição poderia ter consequências nefastas.

“É que todas as contendas e acertos de contas eram resolvidos com o pau. Quem se atrevia a ir para uma feira ou romaria sem aquele amigo que tanto jeito dava a quem o sabia manejar e dominar a sua técnica de combate?”, pergunta, do alto da experiência dos seus 80 anos de vida. António não esconde o orgulho por a pequena associação da sua aldeia ter colocado mãos à obra para fazer reviver uma tradição desenvolvida pelo povo português.

Esta é uma das últimas actividades introduzidas naquela agremiação modesta em termos de património, mas rica em actividade cultural. Orgulhosa de organizar apenas eventos auto-sustentáveis financeiramente. “E estamos a prestar um serviço à comunidade, só para ter uma ideia a Câmara Municipal de Cabeceira de Bastos está a promover esta arte nas escolas primárias. Aqui somos nós”, sublinha António Cardoso. “Isto não é para parar, é para continuar”, frisa.

_DCS0277 (Small)A ideia da nova actividade surgiu há dois meses. Novos e velhos fizeram pesquisa sobre a arte e as suas raízes. Pouco depois começaram os treinos, aproveitando o humilde engenho de Fábio Pestana, um empregado da construção civil, de 23 anos, que trocou um grupo de bombos pelos treinos do “jogo do pau”. As pessoas começaram a aderir. Já são onze elementos, entre rapazes e raparigas. O mais novo elemento conta apenas 4 anos. “É uma arte de defesa e ataque que exige concentração e treino, porque os acidentes ainda que leves acontecem”, conta Pestana. Mas acima de tudo prometem um bom espectáculo. Com coreografias, uma delas com fogo, que prometem surpreender os espectadores que por norma enchem o salão da associação. “Ajudo na coreografia, o importante é dar espectáculo. Queremos ser diferentes e originais”, explica José Gonçalves que, além de tesoureiro e carpinteiro, tem talento para dar ideias que abrilhantam os espectáculos. “As pessoas até tremem”, aponta por seu lado Fábio Pestana.

A actuação e apresentação oficial do Grupo do Jogo Pau será uma das principais atracções do evento Arraial Beirão, a 6 de Junho, que a Aldeia de Nogueira, com apenas 150 habitantes, organiza depois do êxito que foi a iniciativa Aldeia 1950, em Abril. O novo fardamento e actuação do Grupo de Concertinas também estarão em destaque. Só o grupo de teatro não marcará presença.

Nenhum dos elementos consegue disfarçar um forte orgulho de conseguirem criar eventos, sem _DCS0285 (Small)subsídios, auto-sustentáveis e que conseguem atrair centenas de pessoas. “O nosso conceito é que estas iniciativas servem para conseguir dinheiro e não gastar”, explica o presidente da Associação António Cardoso, salientando que boa parte das instalações da LMAN foram conseguidas com verbas angariadas nestes eventos. “Aqui a prata da casa é que faz o trabalho e os espectáculos, com aquilo que temos na terra. Não temos apoios, com excepção de uma pequena colaboração da Junta. Mas temos muito orgulho”, sublinha. E tudo serve para angariar verbas. Quando há treinos ou ensaios as famílias juntam-se no bar. Logo gera receitas. “Trabalhamos todos em união e não ficamos em dívida com ninguém”, referem quase em uníssono.

A pequena Aldeia de Nogueira é assim. Contra a subsidiodependência. Lutando por preservar o que de melhor há  na cultura local.

 

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  • Festeiros MIlitantes

    Mas,sempre foi assim.Faziam-se festas para arranjar dinheiro.Agora arranja-se dinheiro para fazer a festa.E como as despesas têm pouco controle,sabe-se lá onde vai ter o dinheiro.Ainda há pouco tempo,em Ansião, um elemento de um partido conceituado,foi preso porque aproveitava as festas para financiar o partido…É por isso que as contas das festas dificilmente batem certo…! E mais não digo….não é que não saiba…Força Tozé e grupo do pau.Estendam-lho no lombo, quando vos vão aí “ameaçar”…