Alexandrino alertou deputados para a “injustiça” do adiamento dos IC

No dia em que iniciaram um périplo pelos concelhos do distrito, os deputados socialistas eleitos pelo círculo de Coimbra na Assembleia da República, Horácio Antunes e João Portugal, vieram a Oliveira do Hospital e acabaram por partir com o adiamento da construção dos IC 6, 7 e 37 no topo das principais preocupações, manifestadas pelo executivo liderado por José Carlos Alexandrino.

“Tentei sensibilizar os senhores deputados para a justiça das nossas reivindicações e para que sejam porta-voz junto do primeiro-ministro e, dos ministros das Obras Públicas e das Finanças”, afirmou o presidente da autarquia, lamentando que até à data, o ministro das Obras Públicas ainda não tenha dado resposta ao pedido de audiência “com carácter de urgência” subscrito por 28 presidentes de Câmara da região.

Anunciando a criação de uma plataforma de desenvolvimento tecnológico que vai envolver a ESTGOH, o NDEIB, a Universidade de Coimbra e a própria ACIBEIRA, José Carlos Alexandrino não deixou de se mostrar preocupado com a reorganização do mapa judiciário e com os entraves na ampliação da Zona Industrial da cidade, mas acabou por retomar o tema das acessibilidades por considerar tratar-se de um aspecto “fundamental” para o desenvolvimento do concelho.

Voltou por isso a defender a importância da “coesão territorial” e lançou duras críticas aos partidos que “clamam mais dinheiro para a Madeira, que é a segunda zona mais rica do país”. “É lamentável que se tenham esquecido que esta zona precisa destas acessibilidades”, verificou o autarca que continua à espera de respostas concretas sobre o adiamento.

“Quero que me esclareçam se este adiamento é por três meses, seis meses, um ano ou 20 anos”, continuou Alexandrino que disse não compreender o motivo pelo qual os IC foram retirados do Orçamento de Estado. “Há aqui qualquer coisa que eu não percebo”, frisou, sublinhando que o secretário de Estado Paulo Campos “foi completamente ultrapassado”. “Também ouvi o nosso primeiro-ministro prometer estes IC”, continuou o autarca, alertando que em caso de um “adiamento longo” haverá lugar a “posições individuais e colectivas”. “Estamos dispostos a uma luta dura e feroz e não abdicarei em lealdade com o povo que nos elegeu”, avisou.

“IC6 terá luz verde no próximo Orçamento de Estado”

Recusando ter havido falta de solidariedade do governo para com Oliveira do Hospital, o deputado Horácio Antunes justificou o adiamento da construção dos IC com o facto de o Orçamento para 2010 prever o corte no lançamento de algumas obras, “porque o volume lançado já era considerável”.

“Foi para nós uma surpresa que a apresentação do Orçamento de Estado implicasse a redução da despesa”, contou o deputado, lamentando que logo depois a oposição tenha aprovado diplomas que agravam a despesa noutros sectores.

Partilhando das preocupações do executivo oliveirense, o deputado socialista disse acreditar que o adiamento, pelo menos do IC6, terminará quando for equacionado o próximo Orçamento de Estado.

“Seria muito mau que não continuasse. Penso que no próximo Orçamento terá luz verde e não vamos ficar com aquela construção inacabada”, verificou Horácio Antunes, confessando ter grande esperança de que Paulo Campos – “não teve possibilidade de fugir a esta retirada”, sublinhou – possa dar continuidade a esta obra.

De facto, o secretário de Estado das Obras Públicas e Comunicações mereceu a melhor apreciação de Antunes que também lembrou que é àquele governante que “muito se deve este boom de construção de infra-estruturas rodoviárias”.

A forma como o executivo defende os seus interesses foi elogiada pelo deputado João Portugal que disse estar do lado da autarquia porque entende que “um município que se quer desenvolver, tem que ter acessibilidades condignas”.

Ambos os deputados participaram numa visita às instalações da ESTGOH e da Fundação Aurélio Amaro Dinis e revelaram-se disponíveis para, junto do governo, apelarem à construção de novas instalações para a primeira e à aprovação dos desejados protocolos para a segunda.

“O que estamos a reivindicar não são auto-estradas…”

Do lado do vice-presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, também fizeram eco os elogios dirigidos ao trabalho desenvolvido por Paulo Campos que “hoje é o que mais sofre com este entrave”.

Rolo lembrou ainda a posição assumida nos últimos quatro anos por “um conjunto de partidos” que “não se cansou de atacar estes investimentos públicos” e que agora se remete ao “silêncio”.

A esses partidos, o número dois na autarquia oliveirense lembra que o que os autarcas da região reivindicam “não são auto-estradas”. “São estradas que sirvam uma região interior que está visivelmente encravada”, explicou.

No papel de presidente da Comissão Política Concelhia do PS de Oliveira do Hospital, Rolo tornou ainda pública “a total solidariedade” da estrutura que lidera para com o presidente da Câmara. “Estamos aqui para dar as mãos e lutar por uma porção importante de Portugal que é o interior do país”, esclareceu.

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