Alexandrino apela ao presidente do IPC para que trate o assunto da ESTGOH com “seriedade”

… para a criação de uma nova oferta formativa para que “a ESTGOH tenha futuro”.

Depois do conturbado episódio que agudizou ainda mais os ânimos entre o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital e o presidente do Instituto do Politécnico de Coimbra por ocasião da sessão solene de abertura do novo ano letivo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital (ESTGOH), adivinham-se tempos de maior calmia.

Pelo menos, assim espera José Carlos Alexandrino que na última reunião da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital apelou a Rui Antunes para que trate o assunto da ESTGOH com “seriedade” e se mostre disponível para ajudar a “criar uma nova oferta formativa para que a escola tenha futuro”.

Para o efeito, o presidente do município, que no último encontro que teve com o presidente do IPC o acusou de proferir “um discurso de incendiário”, ao referir que os responsáveis locais andaram a “brincar com o fogo”, já manifestou a sua disponibilidade para o diálogo porque “as coisas têm que ser resolvidas”.

“As posições estão extremadas e temos que nos sentar à mesma mesa”, referiu José Carlos Alexandrino, numa altura em que aguarda pelo agendamento de um reunião que solicitou no final de Novembro ao secretário de Estado do Ensino Superior e da qual também farão parte o presidente do IPC, Rui Antunes e o presidente da ESTGOH , Jorge Almeida.

É que tomando por base o fosso que desde Agosto se tem vindo a criar nas relações entre o IPC e a autarquia local, o presidente da Câmara Municipal entende que a boa resolução do caso terá que ter sempre o secretário de Estado do Ensino Superior como mediador. “Isto só se resolve com a mediação do secretário de Estado”, referiu José Carlos Alexandrino numa Assembleia Municipal, onde também revelou não estar disponível para avançar com a construção das novas instalações da ESTGOH sem financiamento garantido e sem a clara certeza quanto ao futuro da escola. “Fazemos a escola e depois se fechar por falta de alunos, temos ali mais um monstro”, frisou, garantindo não estar interessado em dotar o concelho de “mais um elefante branco”.

É que numa altura em que a escola vive o período mais conturbado da sua história, Alexandrino admite que a mesma possa vir a fechar por falta de alunos. No entanto não deixar de dar conta da sua intenção de conferir uma maior dignidade à ESTGOH que “presta um grande serviço” e, cuja solução poderá passar pela possível libertação da EB1 da cidade para funcionamento de um segundo pólo da escola superior.

“Fui surpreendido por alguma má vontade e intenção de fechar a escola”

Recorrente na reunião da Assembleia Municipal, o tema da ESTGOH resultou da tão desejada intervenção do presidente da escola superior naquele órgão autárquico.

De forma detalhada, Jorge Almeida explicou aos deputados municipais todo o processo em que a ESTGOH tem estado envolvida, desde o encerramento do curso de Engenharia Civil ao anúncio de fecho da escola superior afeta ao IPC.

“Fui surpreendido por alguma má vontade e intenção de fechar a escola”, confidenciou Jorge Almeida que, ainda hoje, diz não perceber os motivos que em agosto conduziram a uma tentativa de encerramento da escola. “Não se percebe”, afirmou Almeida, notando que a escola tem conseguido sobreviver ao corte de mais de 40 por cento das verbas nos últimos três anos e é uma escola “low cost”.

“Os custos com os professores aqui, são os mesmos do que em Coimbra”, continuou, aludindo ainda ao facto de que os “os 600 alunos da ESTGOH não são precisos em Coimbra” e pelo contrário “são vitais e muito importantes para esta cidade, porque a economia da região depende muito destes alunos”.

Reiterando o que já teve oportunidade de referir na cara do presidente do IPC, Almeida referiu que “seria uma estupidez colossal fechar a escola porque não se poupa nada”, tornando-se a situação ainda mais grave para os funcionários que “ganham muito mal” e teriam a vida “transformada num inferno”, porque o ordenado não chega para pagar a gasolina.

Defensor de uma reformulação da oferta formativa e a preparar a abertura de duas novas licenciaturas nas áreas da saúde e da segurança, Jorge Almeida recusa-se a enveredar pelo caminho mais fácil – a “demissão”, referiu – e chega a desafiar os oliveirenses para “defenderem a ESTGOH”, porque “há muitas maneiras de morrer”.

Desta forma, Almeida alertou para a tomada de medidas por parte do IPC que conduzam ao esvaziamento da escola. Deu o exemplo do encerramento do curso de engenharia civil que conduziu à perda imediata de 98 alunos, mas que não se consubstanciou na transferência de professores. “O fecho de Engenharia Civil não trouxe valor à ESTGOH e ao IPC”, verificou o presidente que também não aceita o número de alunos que frequenta a ESTGOH, como argumento para o seu encerramento.

“É desonesto pedir à ESTGOH 1500 alunos porque a cidade e a região não têm densidade geográfica que o justifique”, referiu.

Responsável pela ida de Almeida à Assembleia Municipal, o presidente da Junta de Freguesia de Ervedal da Beira disse estar ao lado do presidente da ESTGOH nesta luta, mas chamou a atenção para o resultado final da reestruturação que o governo está a levar a cabo no domínio do ensino superior. “A questão vai continuar em cima da mesa”, referiu Carlos Maia, revelando-se disponível para em conjunto com a população “ir para a rua e cortar a estrada”. “Lá estaremos com certeza nessa luta”, conclui.

Numa Assembleia Municipal onde sobressaiu a luta concelhia pela continuidade da ESTGOH na cidade, o presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca da Beira revelou-se pessimista ao ponto de referir que “a escola é para encerrar”. “Ou se põe o município a pau com a luta da população ou a ESTGOH é fechada”, frisou João Dinis.

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