Alexandrino defende “novo paradigma” no apoio às coletividades (com vídeo)

Foi unânime a decisão de o município subsidiar as 27 coletividades do concelho com cerca de 85 mil Euros. O presidente da Câmara Municipal avisou, porém, que se avizinha um “novo paradigma” porque a “lógica de se criar um grupo e a Câmara pagar, é lógica do passado”.

Não se trata de deixar de apoiar as coletividades e grupos culturais do concelho, mas antes de subsidiar cada grupo seguindo uma lógica diferenciadora, atendendo à qualidade, número de executantes e de atuações.

A fórmula foi defendida esta manhã pelo presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital no momento em que colocava à votação a atribuição de subsídios, no valor de 85 mil Euros, às 27 coletividades do concelho e onde deu conta do esforço que é feito pelo município para manter o apoio àqueles grupos numa altura em que o município se vê a braços com corte significativo nas receitas. Sem querer deixar de apoiar aqueles grupos que considera serem a “riqueza do concelho”, o presidente da Câmara defende um “novo paradigma” na atribuição dos subsídios no sentido de “com menos” se continuar a “fazer o mesmo ou melhor”.


Atendendo à especificidade de cada grupo, o autarca defende uma atribuição de apoios “diferenciadora”. “Todas as filarmónicas recebem sete mil Euros, mas não se tem em conta o número de executantes que cada uma tem”, exemplificou, considerando ainda que aos grupos de maior qualidade também deve ser dado maior apoio. “Acontece o mesmo com os ranchos”, continuou o autarca que, apesar de ter consciência de que “todos têm o direito de existir”, deve haver “uma diferenciação”. “Nunca tivemos tantas pessoas no concelho a tocar concertinas”, prosseguiu José Carlos Alexandrino alertando para a proliferação no concelho de grupos de concertinas. “E bem”, faz notar o presidente, esclarecendo porém que “lógica de se criar um grupo e Câmara pagar, é lógica do passado”.

Disponível para “apoiar”, o presidente da Câmara alerta para o facto de a autarquia “num quadro de rigor e de dificuldades das famílias” não ter condições para “suportar” o funcionamento das coletividades. “A Câmara apoia com muito dinheiro”, continuou o autarca, informando que no conjunto de todas as coletividades, incluindo as desportivas, o município apoia com “perto de um milhão de Euros”. Em causa estão, contudo, coletividades de que Alexandrino se orgulha de ter no concelho e que só “em situação de pobreza enorme no concelho” deixarão de ser apoiadas.

“ É um esforço muito grande”, referiu de igual modo a vereadora da Cultura, regozijando-se por o município ainda conseguir “manter dignidade na atribuição de subsídios e fazer com que os grupos culturais continuem a fazer o seu trabalho”. A defender uma atribuição mais justa dos subsídios, Graça Silva regista as melhorias alcançadas desde o mandato anterior. “Hoje os subsídios estão a ser atribuídos a coletividades no ativo e há rigor por parte de quem os recebe”, referiu.

“A Câmara não pode ir roubar…”

“Estaremos sempre disponíveis para ajudar as coletividades, mas em função da disponibilidade financeira do município”, acrescentou o vice-presidente da Câmara Municipal, notando que a “Câmara não pode ir roubar para dar mais meios a entidades que nos pedem e exigem mais”. Para José Francisco Rolo a grande prioridade do município são as pessoas e a resolução dos casos sociais que “se vão agravando”.

Na reunião pública realizada esta manhã, a atribuição dos subsídios às coletividades foi aprovada por unanimidade com o executivo a falar a uma só voz, já que a única vereadora da oposição, Cristina Oliveira, não compareceu.

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  • Contribuinte

    Essas colectividades deviam ser obrigadas a ter contabilidades organizadas para poder haver rigor nas contas. Afinal como poderemos ter a certeza do destino do dinheiro dos contribuintes se não existe controlo?