Alexandrino enfrentou Rui Antunes e acusou-o de “incendiário”

“O seu discurso é de um incendiário, não é o de uma pessoa que está à frente de uma instituição”. Foi deste modo que o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital reagiu, diretamente, a Rui Antunes, à saída da sessão solene de abertura do ano letivo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital (ESTGOH), onde o fantasma de encerramento da escola afeta ao IPC ganhou contornos maiores.



Isto mesmo foi interpretado por José Carlos Alexandrino que, aos jornalistas, disse ter assistido a um “momento hilariante”, onde o presidente do IPC fez uso de um discurso “demagógico” e “veio dizer que nos quer fechar a escola”. “Ele hoje é o maior inimigo da ESTGOH”, afirmou visivelmente abalado com o momento que acabara de testemunhar – chegou a ser aplaudido por muitos dos presentes – chegando até a observar que “se ele tivesse vergonha, nem cá deveria ter vindo”.

À saída de uma sessão solene, onde nem chegou a fazer parte da mesa, nem a ser convidado a intervir, o autarca oliveirense que fez questão de sublinhar a importância dos deputados na Assembleia da República eleitos por Coimbra e do secretário de Estado da Educação no processo de manutenção da escola, vincou a sua luta pela causa da ESTGOH avisando Antunes de que “da parte do município e dos oliveirenses terá grandes adversários”.

“Podem-se ter que tomar medidas radicais e duras”

A motivar tamanho sentimento de revolta, também partilhado pela vereadora da Educação, Graça Silva, vice-presidente – José Francisco Rolo classificou o episódio de “atentado à inteligência” – e presidente da Assembleia Municipal, António Lopes, esteve a clara afronta perpetrada pelo presidente do Instituto Politécnico de Coimbra que, sem nunca pronunciar o nome do autarca oliveirense, o acusou de fazer “pressões na imprensa” e de “esgrimir opiniões demagógicas e não sustentadas na verdade dos factos”.

“Quem brinca com o fogo queima-se”, disse Rui Antunes, considerando ainda que “se alguém se queima é preciso saber porque é que se queimou e porque é que andou a brincar com o fogo”.

O presidente do IPC reagia assim à postura de luta que, desde a primeira hora, foi assumida pelo presidente da Câmara Municipal, na sequência da intenção tornada pública em 22 de agosto de encerramento da ESTGOH já no presente ano letivo, e onde passou a identificar Antunes como o “maior inimigo da ESTGOH”.

Na deslocação que hoje efetuou ao concelho oliveirense, Rui Antunes veio ainda dar uma lição de cidadania a Alexandrino, explicando-lhe que “democracia não é ausência de conflitos” e informando-o de que “existem órgãos para arbitrar os conflitos e se tomarem decisões”. “É desejável que haja decisões e é para isso que existem órgãos”, vincou o rosto máximo do IPC, numa tentativa de afastar Alexandrino do processo da ESTGOH.

Numa atitude de forte oposição aos que a nível local lutam pela continuidade da escola no concelho, Rui Antunes acabou por fazer ressurgir o fantasma de extinção da escola que, no presente ano letivo já sofre os efeitos nefastos decorrentes da intenção de encerramento, com a entrada de um reduzido número de alunos.

O tão invocado corte orçamental na ordem dos 8,5 por cento voltou a fazer eco para justificar a necessária “reorganização do IPC”. “Não podemos manter o politécnico como está”, afirmou Antunes, notando que a continuar assim o próximo passo será o “suicídio porque não vai fechar uma escola, vão fechar várias escolas”. “Estaremos a ir para o abismo”, afirmou, perspetivando “que se tomem medidas radicais e duras”, notando estar contudo a aguardar pelas diretivas do governo em matéria de financiamento e reorganização do ensino superior.

Sem nunca descartar a possibilidade de fecho da ESTGOH, o presidente do IPC deixou porém palavras tranquilizadoras aos estudantes, professores e funcionários, garantindo acautelar os respetivos interesses.

“Fechar a ESTGOH será sempre uma colossal estupidez”

“Alguém tem dúvidas que o alarme social criado no dia 22 de Agosto prejudicou muitíssimo a escola e que vai demorar anos até recuperarmos?”. A interrogação foi lançada na abertura da sessão pelo próprio presidente da ESTGOH que, na presença de Rui Antunes, disse ainda hoje desconhecer os reais motivos que conduziram àquele anúncio.

“Não escondo a minha enorme preocupação sobre o que se passou em 22 de agosto e que levou à perda de muitos alunos, que colocados não se matricularam e se transferiram na 2ª ou 3ª fases do CNA”, continuou Jorge Almeida que chega a classificar o possível fecho da ESTGOH como “ uma colossal estupidez”.

Numa longa intervenção onde deu prova da importância que a escola representa para o concelho e para a região, o responsável pela ESTGOH e autor da primeira aula lecionada aquando da sua criação, rejeitou todos os argumentos que têm sido invocados para justificar o encerramento da escola e disse não estar disponível para continuar a assistir, de modo impune, a todos os contornos que o caso tem vindo a envolver. “Não confundo autonomia com impunidade”, avisou Jorge Almeida, exigindo ao presidente do IPC uma “mensagem claríssima e cristalina sobre o futuro da ESTGOH”.

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