Alexandrino opõe-se à extinção e defende “unidades de freguesias”

 

“Unidade de freguesias da Cordinha” e “Unidade de freguesias do Vale do Alva”, foram dois exemplos apresentados pelo presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital como forma de evitar a anunciada extinção de freguesias defendida pelo atual governo.

Conhecido opositor da extinção de freguesias, José Carlos Alexandrino anunciou, assim, a proposta que espera apresentar ao governo para que as freguesias continuem “a manter a sua identidade”, passando a estar envolvidas num “modelo semelhante às comunidades intermunicipais”.

O autarca anunciou a proposta no decorrer do colóquio “Distrito de Coimbra: Presente e Futuro das Autarquias Locais”, realizado sábado por iniciativa de um movimento cívico e apartidário de Meruge e Nogueirinha que teve o objetivo de apelar à “cidadania participativa”.

Num encontro por onde passaram responsáveis autárquicos e políticos, o tema da extinção de freguesias acabou por ser dominante.

Anfitrião do evento, o autarca José Carlos Alexandrino afirmou ser “contra a extinção de freguesias”, porque “em tempos de dificuldades, as freguesias justificam-se mais do que nunca”.

Alertando para a natureza da medida – “é uma imposição internacional”, referiu – o presidente da Câmara referiu ainda que “não era aqui que estavam os problemas financeiros”. “Na minha modesta opinião, a Troika enganou-se”, afirmou, criticando que a opção tenha sido a de seguir o “caminho mais fácil”.

No entender do autarca eleito pelo Partido Socialista, “perdeu-se esta oportunidade para se criar um novo modelo político que deveria começar na Assembleia da República e depois, então, chegar às freguesias”.

A participar no encontro, também o presidente da Junta de Freguesia de Ervedal da Beira reiterou a sua oposição à extinção em geral e, aos critérios que a orientam em particular. Carlos Mais alertou, por exemplo, para os números incorretos resultantes dos últimos censos e que não traduzem a realidade da freguesia que governa.

Segundo contou, os últimos censos dão conta de 929 habitantes e nas últimas eleições estavam inscritos 994 eleitores. “Os censos não estão corretos”, denunciou.

Oliveira do Hospital quer sair da CIMPIN

No que à distribuição do território diz respeito, o presidente da Câmara Municipal aproveitou ainda para reiterar uma posição que já lhe é conhecida e, que assenta na falta de identificação do município relativamente à Comunidade Intermunicipal onde está inserido, a do Pinhal Interior Norte (CIMPIN).

“Não temos nada a ver com Leiria, a única coisa que nos identifica só são os pinheiros”, afirmou, em tom irónico, José Carlos Alexandrino, que afirmou que “o propósito de mudar de comunidade é muito bem vindo”.

O autarca oliveirense falava assim, na sequência da intervenção do presidente da Câmara Municipal de Coimbra que veio a Oliveira do Hospital defender a regionalização e considerar as comunidades intermunicipais como “um problema” do distrito.

“O nosso distrito de alguma maneira morreu, porque a administração de fundos comunitários está dividida em duas zonas que nada têm a ver uma com a outra”, referiu João Barbosa de Melo, para quem a “região precisa de uma nova energia motriz e deixar o complexo da inferioridade”.

Para o presidente da autarquia sede de distrito, o atual momento de “crise” deveria igualmente ser utilizado para “criar regiões político administrativas”. “O país seria mais bem governado se tivéssemos este organismo intermédio”, afirmou Barbosa de Melo, garantindo que “um país com regiões, não tem que sair mais caro do que um país sem regiões”.

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