Alexandrino quer “mega agrupamento subdividido em dois”

Diante do aumento de casos de absentismo escolar e de bullying no Mega Agrupamento de Escolas do concelho, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital disse que se impõe a realização de um balanço à nova realidade educativa e já defende a “subdivisão do mega agrupamento em dois”.

No fim do segundo período letivo, o executivo municipal de Oliveira do Hospital não tem dúvidas de que a decisão de agregação de cinco agrupamentos escolar numa única unidade de gestão não é benéfica para o concelho. “Sem dúvida de que faremos o balanço junto dos pais., professores e da escola”, assegurou ontem o presidente da autarquia que, em reunião pública do executivo, anunciou a sua intenção de propor que “este mega agrupamento seja subdividido em dois” com base em “factos e argumentos”. “Quando as pessoas perceberem que fizeram mal, que façam bem e reponham a situação”, continuou José Carlos Alexandrino que, num claro recado dirigido à vereadora do PSD no executivo e que é também delegada regional dos estabelecimentos escolares, dava conta que tem sido a Câmara Municipal a “amenizar o que resultou de decisões políticas”. Diretamente, o autarca oliveirense chegou a dizer a Cristina Oliveira que “é altura de nos juntarmos e de perceber o que fez bem ou mal, ou se é possível criar um modelo diferente de gestão para Oliveira do Hospital”. Foi, porém, mais longe ao avisar a delegada regional dos estabelecimentos escolares de que, enquanto for presidente da Câmara, irá “atormentar sua consciência” com este assunto.

José Carlos Alexandrino falava assim numa altura em que se fazia um balanço ao trabalho feito pelo projeto Escola + Feliz, lançado pelo município com o objetivo de prestar apoio educativo em ambiente escolar e que já conta com 107 crianças em fase de acompanhamento nas áreas da terapia da fala, educação e especial e apoio psicológico e tem um grupo de 51 alunos em lista de espera para acompanhamento psicológico. “A tutela é incapaz de resolver problemas na educação. São as Câmaras que têm responsabilidades de resolver e com retirada permanente de meios”, observou José Carlos Alexandrino.

O executivo de José Carlos Alexandrino não tem dúvidas de que o “Escola + Feliz” é uma aposta acertada, mas porém insuficiente, sobretudo no campo da psicologia. Por esse motivo, adiantou o vice presidente da Câmara Municipal, foi pedido reforço junto da Ordem dos Psicólogos para que o projeto passe a contar com mais um psicólogo no seu seio. Também presidente da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, José Francisco Rolo alerta para o aumento de casos sinalizados junto daquela estrutura. “No primeiro trimestre, tivemos acima dos 100 processos abertos”, referiu, notando que houve aumento de sinalizações em ambiente escolar, com destaque para “o absentismo e o bullying nas várias dimensões, quer na componente física, quer de pressão psicológica”. Uma situação que José Francisco Rolo facilmente associa à nova realidade educativa, nomeadamente a “um agrupamento com dimensão desmesurada com três mil alunos” e “ausência de figuras tutelares nos agrupamentos”.

A considerar o projeto “Escola + Feliz” “muito importante para o agrupamento”, Cristina Oliveira alertou para o facto de casos que não são da área da educação, mas antes de saúde e do domínio social se centrarem “excessivamente na escola” . “A escola não pode dar resposta a tudo”, avisou a a vereadora e delegada regional dos estabelecimentos escolares que alertou para a necessidade de uma “correta sinalização dos casos”, já que nos últimos tempos se verificou, a nível nacional, “um aumento muito forte do número de alunos de educação especial”.

Quanto ao balanço anunciado pelo presidente da Câmara Municipal, Cristina Oliveira revelou-se disponível para que tal aconteça. “Naturalmente que os balanços impõem-se. Acho bem. Dará-me oportunidade de dizer algumas coisas e explicar o processo de constituição, reuniões que tivemos e que ninguém concordou com a proposta inicial. Temos atas de reuniões e documentos oficiais”, disse a responsável regional pela Educação, mostrando-se igualmente disponível para explicar “porque é que o país entrou na situação em que entrou”. Cristina Oliveira assegurou ainda ao presidente da Câmara não estar nada atormentada com a questão do mega agrupamento. “Durmo muito bem porque tenho a minha consciência tranquila”, referiu.

Na troca de galhardetes políticos, Alexandrino disse ainda não ser rever “em ladrões do país”. “Não estou disponível para estar a pagar por roubos dos outros, nem os meus alunos, nem os meus munícipes”, referiu, notando que também “os ladrões do BPN dormem bem”. Uma comparação que Cristina Oliveira classificou de “absurda”.

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