1- Ao ler os acontecimentos recentes na maior instituição bancária privada portuguesa, refiro-me ao Banco Millennium BCP, não nos podemos permitir ter fraca memória ou ligeireza de análise.

Algo vai podre no Reino da Dinamarca

A investigação às irregularidades cometidas pelo BCP e seus Administradores e que vão desde a ilegalidade de processos bancários, passando por favorecimentos ilícitos, alterações e branqueamento de operações e documentação, até corrupção e má gestão, devem merecer toda a nossa atenção e memorização. Até há bem pouco tempo, e em anos consecutivos, revistas da especialidade (?) elegiam como melhor Gestor do Ano, o Sr. Eng.º Jardim Gonçalves e o BCP, o Banco com melhores rácios de gestão!

Quero recordar o rigor, as exigências e os critérios de avaliação e decisão, morais e materiais, que as PME tinham e têm de “sentir “ e “cumprir”, caso necessitem de fazer negócios com esta Instituição Bancária ou outra.

Devemos memorizar e acompanhar esta situação não só para saber se as pessoas e a Instituição em causa são inocentes ou culpados, mas também para saber se estamos perante uma excepção do sistema Bancário Português, pois são muitas as dúvidas que subsistem!

Devemos memorizar também para que as PME, as maiores criadoras de emprego e produção, conheçam e não se deixem impressionar pela forma como são tratadas pelas Instituições Financeiras, que se arvoram em cumpridoras da lei, em praticantes das boas regras da gestão de excelência, em portadoras de padrões de ética e confiança impolutas, mas que, afinal, apenas justificam o velho ditado “ ouve o que eu digo, mas não olhes para o que eu faço”…

Qualquer empresário da nossa terra que tivesse um décimo das situações de incumprimento que estão em investigação no Millennium BCP estaria já, seguramente, com as empresas fechadas, vilipendiadas e com os ossos na cadeia! Não esqueçamos, também, que a desastrosa especulação financeira cometida pela Banca, é a razão principal do aumento do petróleo que nos irá obrigar a sentir e enfrentar mais dificuldades!

A Banca portuguesa tem um poder Imperial e mais uma eventual concentração (BCP-BPI) já tentada, mas ainda não consumada, tornar-nos-á, a todos, mais pobres, mais manipulados, mais explorados. Razão teve o Sr. Eng.º Belmiro de Azevedo quando, com palavras brandas, denunciou este Império dentro do nosso Estado!

2 – Ao ler, no último artigo publicado no CBS pelo político mais prestigiado e qualificado da nossa cidade, o Sr. Eng.º Carlos Campos, que o nosso Concelho está em 10º lugar a nível do desenvolvimento económico e social do Distrito quando, ainda há poucos anos atrás, éramos o 3.º Concelho com melhores dados de desenvolvimento económico, fico estarrecido!

Quem serão os responsáveis por esta estagnação a que o Sr. Eng.º se refere? Será que se refere unicamente ao actual Presidente da Câmara? Ao PSD? Aos empresários do Concelho?

Recordo o 1º de Maio de 74, assistindo entusiasmado ao seu discurso, na varanda dos Passos do Concelho, partilhando com ele as mudanças políticas! Mas não posso, agora, partilhar inteiramente a sua crítica e propostas, se não souber claramente quem são e porquê, na sua opinião, os culpados da actual situação.

3 – Quando leio, no CBS, da possibilidade de os candidatos à liderança da C.P.C. do P.S.D., poderem ser candidatos à Presidência da Câmara e poderem vir a ser, eventualmente, vencedores, fico estarrecido!

O que os diferencia do actual Presidente da Câmara? Apenas a fisionomia e o temperamento!

Em tudo o mais, nada os diferencia. Pertencem à mesma família (desavinda), ao mesmo ventre político, à mesma escola de práticas políticas: os mesmos tiques políticos, o mesmo caciquismo, a mesma política eleitoralista, as mesmas tricas e ambições políticas pessoais, que se sobrepõem, quase sempre, ao interesse colectivo e às necessidades actuais do Concelho.

Não posso, pois, partilhar a esperança ou a vontade que eventualmente os anima para a realização de um projecto conducente a uma evolução positiva ou de recuperação económica do nosso Concelho.

Não ponho em causa, como já o escrevi no CBS, os méritos pessoais destes protagonistas (do Sr. Prof. Mário Alves, do Sr. Prof. José Carlos, Dr. Paulo Rocha) ou de outros com idêntico perfil, mas sim as suas actuais competências técnicas e a independência cultural que se exige a um Presidente de Câmara nas actuais circunstâncias.

4-Quando não vislumbro quaisquer alterações ao comportamento individualista dos nossos empresários, fico estarrecido ao ler num diário, um enxerto de uma palestra do Sr. Dr. António Pires de Lima, dirigida aos empresários da região Norte, em que os criticava por almoçarem “em casa ou na cantina da fábrica, enquanto os de Lisboa vão todos ao mesmo restaurante”. Acrescentou ainda que, para os empresários, é importante investir naquilo que ele designou de “competências relacionais” ou seja: investir em pessoas capazes de “abrir portas” nos corredores do poder. Em conclusão, aquele dirigente do CDS afirmou, enfaticamente, que “o poder político é uma condição fundamental para que o poder económico possa florescer”.

Pergunto então: de que estão os nossos empresários em geral e em particular os das Confecções à espera? De continuarem a ouvir pacificamente, de políticos responsáveis do nosso Concelho, que a indústria de confecções é de alto risco e própria de Países em vias de desenvolvimento? Ou, dito por outras palavras, que não têm futuro? Optam por continuar a “almoçar em casa”? Contentam-se com “rotundas” em vez de “estradas”? Preferem ter uma “vitela” em vez de ter uma “manada”?

Porque não, ao invés, discutir, intervir, partilhar e participar na intervenção política?

Carlos Brito

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