Alianças estratégicas

As políticas de direita.
Bem sabemos que há certas cabeças iluminantes ou “pós-modernas” que papagueiam:

– “em política, hoje, já não se justifica falar em direita e em esquerda”… Pretendem, tais cabeças, fazer crer que é tudo igual e que o mundo está todo a preto ou todo a branco. Nem sequer querem admitir o cinzento. Estão redondamente enganados ou querem enganar-nos. Teriam razão se afirmassem que não há diferenças de fundo entre as políticas (de direita) aplicadas pelo (des)governo PS e as políticas que PSD e CDS/PP aplicaram e gostariam de aplicar. E este é, aliás, o drama actual do PSD que continua esvaziado quer do ponto de vista programático e de proposta enquanto “oposição”, quer porque o (des)Presidente da República – que continua PSD – se mantém fiel à aliança estratégica com o (des)governo Sócrates / PS.

Mas existem as alternativas políticas, para já programáticas e ideológicas. Alternativas que se constroem e são afirmadas, todos os dias, apesar dos silêncios escandalosos da grande comunicação social ao serviço do regime. O problema, é a expressão político-partidária mais concreta que venha a configurar a alternativa de poder, de governo. Sim, aqui a “coisa” não está fácil pelo menos para o imediato 2009, ano de três eleições diferentes. Mas essa é uma tarefa de sempre, de imediato e de futuro até que, enfim, se venha a impor. E muito convém que os Trabalhadores e o Povo a construam depressa também porque estamos a pagar uma pesadíssima factura com esta malfadada e crónica alternância de poder entre PS e PSD mas sempre com a mesma política de desastre nacional e de duros sacrifícios para a esmagadora maioria das Portuguesas e dos Portugueses.

Por outro lado, os oito ou nove grandes grupos financeiros – oito ou nove “famílias” – que de facto (des)governam — e parasitam — o País utilizando os seus “executivos” que colocam nos sucessivos (des)governos, essas “famílias” continuam na engorda enquanto o Povo emagrece até ao osso. Neste momento, essas mesmas “famílias” de grandes patrões ainda não resolveram “mudar de cavalo”, quer dizer, ainda não querem tirar o tapete ao (des)governo PS / Sócrates para o substituírem por outro (des)governo à base do PSD. Aliás, desde há muito que já sabem bem que, quando no (des)governo, o PS consegue ir mais longe nas políticas de direita do que os partidos que se assumem do centro e da direita pura e dura. Afinal como agora está a acontecer mais uma vez.

Portanto, a grande tarefa do momento, a grande tarefa da esquerda e dos democratas mais consequentes é a de aprofundar uma ruptura democrática para se construir uma alternativa de poder com outras e melhores políticas. Com políticas de esquerda e de verdadeiro desenvolvimento económico e social, ao serviço do nosso Povo e do nosso País.

Ritmos eleiçoeiros.

A actual líder nacional do PSD começa mal, engana-se, ao dizer que “não há dinheiro para nada”. Bom, quem não tem dinheiro para (quase) nada é o Povo. Só como exemplo, a GALP que nos suga a vida vai lucrar centenas de milhões de euros com a carestia dos combustíveis e com certas isenções de impostos. E também “há dinheiro”, por exemplo, para os administradores da “Águas de Portugal” se presentearem com benesses e vencimentos tão escandalosos quanto injustos desde logo porque a empresa tem acumulado enormes prejuízos.

Entretanto, o (des)governo PS tem mantido quase todas as torneiras orçamentais fechadas. Quase todas as torneiras do QREN como quase todas as de outros programas institucionais. Porquê e para quê ?? Precisamente para abrir todas as torneiras possíveis do orçamento, a partir deste Verão, para assim ir embebedando a malta tendo em vista as eleições de 2009. Não tem nada que saber… Portanto, aquilo que vai ser necessário é contar com isso mesmo para melhor se desmascarar o “jogo” antidemocrático e eleiçoeiro deste PS. Mas olhem que não vai ser nada fácil dar combate à situação também porque a máquina de propaganda do (des)governo PS está montada e é bem oleada todos os dias com o nosso dinheirinho público. Apesar das dificuldades actuais e do grande descrédito das suas políticas, apesar da luta intensa que se lhes está a mover, “eles” ainda têm margem de manobra porque “eles” dispõem de dinheiro – “eles” têm o nosso dinheiro público – e vão utilizá-lo em proveito político-partidário.

E por cá?

Por cá, a situação é parecida quanto a certos métodos e a certos ritmos de acção mais ou menos eleiçoeiros por parte da maioria PSD que hegemoniza a Câmara Municipal. Dinheiro, também o há e até estamos a assistir a um período muito intenso de lançamento de obras importantes para o Concelho. Não ver isso, é querer ser mais cego do que um cego. Não há uma máquina de propaganda “virtual” minimamente comparável àquela de que dispõe o (des)governo. Mas a maior diferença em relação à situação nacional, é a de que, no nosso Concelho, de facto, não há oposição com força política e força de luta de massas, na rua. Em Oliveira do Hospital, o PCP não tem a força que merece ter e de que o Concelho precisa. Essa é grande diferença política. A outra diferença, menos importante que esta primeira mas todavia importante, é a de que, em Oliveira do Hospital, o PSD local se mantém dividido, logo mais enfraquecido, enquanto que, a nível nacional, o PSD caminha para a pacificação táctica (apadrinhada por Cavaco Silva…). Quanto à fonte de propaganda, por cá, a grande força propagandística desta maioria PSD na Câmara, é a obra que vai fazer até às eleições autárquicas. E se alguém tiver dúvidas, bastar-lhe-á esperar mais um anito…

A este propósito, aquilo que mais nos irrita, a nós, é virmos a ter toda a razão, mais tarde, quanto aos “prognósticos” deste tipo que agora aqui nos atrevemos a fazer … 

João Dinis
Autarca da CDU – Oliveira do Hospita
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