Aluna foi à Assembleia Municipal defender a ESTGOH

 

Perante a ameaça de encerramento da Escola Superior de Tecnologia e gestão de Oliveira do Hospital (ESTGOH), frequentada por cerca de seis centenas de alunos, o momento é de união entre a comunidade oliveirense.

A comprová-lo está o conjunto de intervenções que fez eco no Salão Nobre da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital e do qual se destacou a voz de Teresa Mendes, uma trabalhadora/estudante, finalista da licenciatura de Administração e Finanças que teme pela concretização da “morte anunciada” da ESTGOH.

“Esta situação chocou-me bastante”, começou por confessar Teresa Mendes que, numa postura de total defesa pela manutenção da escola em Oliveira do Hospital, chegou a colocar em questão a aplicação das verbas que a direção do IPC pretendia, já este ano, desviar da ESTGOH ao votar, em conselho de gestão de 22 de agosto, pelo congelamento de dotação orçamental.

“A verba que é destinada à ESTGOH deve estar a ser desviada para uma escola que dá prejuízo”, chegou a considerar a aluna que, em plena reunião extraordinária da Assembleia Municipal, apelou à mobilização de esforços para que a escola continue a ser uma realidade no concelho, até porque “não dá prejuízo”.

Ao presidente da Câmara Municipal, Teresa Mendes chegou a pedir dados contabilísticos sobre a atividade da escola, na certeza porém, de que “ na ESTGOH não se ensina a fazer gestão como aquela que se aprende no IPC”.

Numa espécie de representação do grupo de trabalhadores estudantes da ESTGOH, Teresa Mendes alertou para os prejuízos que a transferência de cursos representaria para os mesmos. Pegou no seu próprio exemplo, para explicar que apenas lhe faltam duas cadeiras para terminar a licenciatura, que frequenta no período nocturno, e que, em caso de transferência do curso para Coimbra, não poderia concluir o seu percurso académico. “Tal como eu, muitos colegas não poderão ir para Coimbra”.

“A Escola não está falida”

Primando por uma ausência “muito visível”, o presidente da ESTGOH, Jorge Almeida, foi substituído pelo seu braço direito que, sem rodeios, pôs a descoberto os números associados à escola e que, segundo garantiu, continuariam a garantir a sua sobrevivência.

Sem deixar de tomar em consideração os cortes acentuados nas transferências que, nos últimos três anos, o IPC tem canalizado para a ESTGOH, bem como a alteração da fórmula de cálculo das mesmas, Mateus Mendes assegurou que “a escola não está falida”.

“Tem saldos transitados de quase meio milhão de euros”, contou o vice-presidente propondo uma reorganização da ESTGOH, ao invés do seu encerramento.

O responsável, deixa contudo o domínio dos números, para chegar a considerar que o que motivou a proposta do IPC não terá sido “a questão meramente orçamental”. “Se é, não é da ESTGOH, mas sim de outras escolas”, chegou a referir o engenheiro, notando estar em causa “uma questão mais de fundo”. “Temos que estar preparados para isto”, alertou.

Mateus Mendes verificou ainda estar perante “um problema de escala”, devido ao número de alunos que frequenta a ESTGOH. “Se tivéssemos três mil alunos, o problema não se colocava”, observou o vice-presidente da escola que, em plena Assembleia Municipal, apelou a uma maior utilização da ESTGOH – “40 por cento dos alunos são dos municípios do Planalto Beirão e 25 por cento são trabalhadores estudante “, contou – por parte da comunidade oliveirense.

Segundo explicou, alunos e empresários devem aproveitar a escola, porque “se a escola tivesse 50 ou 60 por cento de receitas próprias a questão de encerramento não se colocava”.

“O que eles querem são os nossos alunos”

Para o presidente da Câmara Municipal que, na passada quinta-feira ouviu as preocupações dos estudantes ao participar numa Reunião Geral de Alunos, em causa não estarão problemas de “escala”, mas sim de clara intenção levar os alunos da ESTGOH para Coimbra.

Com o passado recente bem presente na memória – “o antigo presidente do IPC era amigo desta escola e perdeu as eleições”, lembrou – José Carlos Alexandrino avisou que “esta escola não tem adversários só de hoje” e não deixou de repudiar a atitude de alguns professores que fizeram o seu percurso na ESTGOH e que, agora, se “deixaram encantar pelo canto de algumas sereias com algum lugar em Coimbra”.

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